**Dilson Ornelas, do Rio de Janeiro**
Um voo comercial da Azul realizou um pouso de emergência em Brasília, na noite desta quinta-feira (7), após uma ameaça de bomba. A aeronave, que partiu de São Luís (MA) com destino a Campinas (SP), foi desviada para o Aeroporto Internacional de Brasília, onde passou por uma rigorosa varredura. A Polícia Federal (PF) descartou a presença de qualquer artefato explosivo, trazendo alívio aos passageiros e à tripulação. Por uma coincidência macabra, a ameaça ocorre na semana em que os brasileiros recordam com pesar a morte de 62 pessoas na queda de uma aeronave da Voepass, há um ano, no Paraná.
A Azul, logo após o incidente de ontem, informou que o pouso ocorreu normalmente, com todos os clientes e tripulantes desembarcando em segurança. “A Companhia ressalta que medidas como essas são necessárias para garantir a segurança de suas operações”, destacou em comunicado oficial.
A Polícia Federal segue investigando o caso, com foco em identificar a origem da mensagem de ameaça de bomba.
Há um ano 62 pessoas morreram no Voo 2283
O incidente, embora resolvido sem maiores consequências, reacende o clima de apreensão no setor aéreo brasileiro, especialmente nesta semana, em que o país recorda com pesar o primeiro aniversário da tragédia aérea que abalou o Brasil.
Em 9 de agosto de 2024, o voo 2283 da Voepass, que partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), caiu em um condomínio residencial em Vinhedo (SP), a apenas 68 km de seu destino, vitimando todas as 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes. O acidente, o mais grave no Brasil desde a tragédia da TAM em 2007, chocou o país e deixou marcas profundas nas comunidades de Cascavel, Vinhedo e além.
A queda do ATR 72-500 da Voepass, registrada como PS-VPB, ocorreu após a aeronave entrar em um “flat spin” (giro plano) e descer rapidamente de uma altitude de 17.000 pés, conforme apontou o relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Especialistas indicaram que o acúmulo de gelo nas asas e falhas no sistema de degelo podem ter contribuído para a perda de controle da aeronave, embora a investigação ainda não tenha concluído as causas definitivas.
Entre as vítimas, estavam oito médicos, incluindo seis oncologistas a caminho de uma conferência em São Paulo, quatro professores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, dois funcionários da Universidade Tecnológica Federal do Paraná e duas crianças, além de um cão levado por passageiros venezuelanos. A tragédia também foi marcada por histórias de sobrevivência improvável, como a de pelo menos 10 passageiros que perderam o voo por estarem no portão errado.
O acidente, que completa um ano nesta semana, reacendeu debates sobre a segurança aérea no Brasil. Reportagens recentes revelaram que um ex-funcionário da Voepass alegou que uma falha no avião foi omitida no diário de bordo horas antes do voo fatídico, levantando questões sobre a manutenção da aeronave e a responsabilidade da companhia.
A investigação da CENIPA, apoiada por um comitê formado pelo Congresso Brasileiro, continua em andamento, com famílias das vítimas exigindo justiça e respostas claras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou três dias de luto nacional na época, e a memória das vítimas permanece viva, com homenagens em Cascavel e São Paulo, incluindo um velório coletivo oferecido pela prefeitura local.
Ameaças e Protocolos
A ameaça de bomba ao voo da Azul, embora sem relação direta com a tragédia da Voepass, reforça a importância de protocolos rigorosos de segurança e a pronta resposta das autoridades diante de qualquer alerta, garantindo a proteção de todos a bordo.
A Azul reiterou seu compromisso com a segurança e informou que está colaborando plenamente com as investigações para esclarecer os fatos.

