Vejo na imprensa local notícia segundo a qual o médico e ex-senador e ex-governador do Acre Tião Viana está a sugerir aos atuais governantes e produtores locais que invistam em cacau, açaí e cumaru como alternativas à economia e desenvolvimento do Estado. Segundo a sugestão, são essas árvores e palheiras que melhor se adaptam à produção para o bioma Amazônia e que tais plantações, se associadas à banana e à mandioca, renderiam dividendos à economia local.
Pura lorota de quem quer voltar às luzes da ribalta sem as mínimas credenciais.
Não fosse lorota ou piada de mau gosto, seria de se perguntar: por que o gajo não se dedicou a esse tipo de projeto quando passou pelo governo do Acre, de 2010 a 2018, em dois mandatos de governador?
Bem a propósito, creio que posso responder tal pergunta com o conhecimento de quem esteve muito próximo ao então governador – aliás, desde quando ele ainda era senador, trabalhando em seu gabinete como assessor e, como tantas outras pessoas que amam e se dedicam a sua terra, sonhando com a chegada do político ao Governo do Estado para vermos implantados projetos dos quais ele falava com irrepreensível empolgação.
Era tudo mentira, enganação, aquilo que o acreano de boa cepa qualifica de “garganta”, tradução para papo furado para enganar pessoas incautas. Tião Viana foi um mestre nesta arte.
Megalomaníaco, anunciou e vendeu o Acre, sob seu Governo, como uma meca amazônica da produção de proteína animal. Exportaríamos, além da decantada carne bovina de boa qualidade do Acre, carne suína e de frango, além de peixes. No último quesito, com a presença do cocalero Evo Morales, então presidente da Bolívia, de Luiz Inácio Lula da Silva, já ex-presidente da República às vésperas de ser levado preso para Curitiba (PR). Ele inaugurou o que chamou de Complexo Peixes da Amazônia.
Mas, a despeito dos problemas políticos que viriam a seguir, o então governador chegou a insinuar que, a partir de seu projeto, na área do pescado, o Acre poderia contribuir para alimentar boa parte do mundo com o produto.
Outra grande lorota, o próprio projeto iria mostrar.
Os produtos de proteína animal exportados ainda ocorrem – em quantidades modestas para o tamanho anunciado, é muito mais pelo esforço próprios dos empresários envolvidos do que dos desdobramentos do projeto original. Em relação a isso, aliás, faltam ainda explicações sobre como plataformas construídas com o dinheiro público passaram às mãos da inciativa privada sem nenhum pudor, restando a necessidade de explicações sobre quem e quanto ganhou naquelas transações mal explicadas.
Quanto à Peixes da Amazônia, assim como a pomposa ZPE (Zona de processamento de Exportação), em Senador Guiomard, virou um elefante branco, com prejuízos à economia estadual e ao erário na casa dos milhões. Fala-se em mais de R$ 100 milhões de prejuízos, recursos que vazaram pelo ralo do desperdício e que certamente foram parar no bolso dos oportunistas que literalmente rodeavam o então governador.
A propósito, sobre isso, é bom lembrar que numa sala antígua ao gabinete do governador, diariamente, se reuniam pelo menos cinco homens e mulheres apontados como “assessores especiais”, com salários de Secretários de Estado, que nada faziam. Estavam ali, ganhando polpudos salários, apenas para abastecerem os ouvidos do governador com fofocas sobrea vida alheia, sobre quem estava traindo quem ou assuntos de nenhuma relevância para o serviço público, para a política ou a economia estadual. Era uma confraria de fuxiqueiros e puxas-saco.
O primeiro mandato de Tião Viana, que ainda cultivava os sonhos aos quais ele se referia em campanha e quando ainda era senador, não foi de todo um desastre. A bagaceira veio no segundo mandato, de 2014 a 2018, quando o governo foi sequestrado por gente desqualificada cuja maior ocupação era o servilismo ao governador, sem ética e sem o menor prurido.
Eu, que acompanho governadores acreanos desde 1983, com o querido e não menos respeitável Nabor Júnior e em seguida com sua então vice Iolanda Fleming, que acabou assumindo a titularidade por históricos 360 dias e com a qual mantenho carinho e respeito, ao ver ao que chegaram aos sonhos que tínhamos de ver Tião Viana governador, decidi cair fora.
As coisas degringolou de tal forma que nem as obras feitas pelos três goernos anteriores, dois de seu irmão Jorge e um de Binho Marques, ele conseguiu conservar. Foi sob seu governo que uma das obras de maior orgulho do petismo, da Frente Popular do Acre e de Jorge Viana, o Parque da Maternidade, passou a ser abandonada, ao ponto de aquele governo sequer trocar as lâmpadas das luminárias que queimavam e escureciam o Parque. O resultado os acreanos já conhecem: Tião Viana fez um governo horroroso, só comparado ao de Romildo Magalhães, também de triste memória.
E agora vem o gajo dar lição de projetos e de economia regional. Faz isso porque pretende se reinserir na política para apresentar seu filho Virgílio como possível pré-candidato a deputado federal já em 2026.
Cara de pau, Tição Viana deveria vir, sim, a público – mas, para pedir desculpas pelo desastre que ele e sua corja causaram ao Acre.
Resumo, este homem como governador foi apenas um bom médico e deveria se recolher à atividade que o projetou como político meritório num primeiro momento mas que se perdeu ao longo do tempo e, ainda assim, não tem vergonha de dar conselhos aos acreanos e à economia que quase destruiu.

