**Tião Maia, O Aquiri **
Adversários ideológicos aparentemente irreconciliáveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o governador do estado, Glason Camelí, do Progressistas, assim como o ex-governador e ex-senador Jorge Viana, além do deputado estadual Edvaldo Magalhaes (PcdoB) e outros seguidores de esquerda e de direita deram, nesta sexta-feira (8/8), no Acre, uma autêntica aula de civilidade e cultura democrática. Isso ocorre em meio à crise entre governistas e a oposição ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que mantém o país polarizado desde às eleições de 2022.
Quase na mesma semana em que declarou que, caso seja de fato candidato da direta, apoiaria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas na disputa pela presidência da República, o governador do Estado não só recebeu o presidente petista em Rio Branco literalmente com tapete vermelho como juntou-se à agenda presidencial em meio a políticos que lhe fazem oposição no plano nacional e regional e que também são combatidos por Cameli no plano ideológico. Coincidência ou não, todos vestiam roupas com o mesmo tom branco, cuja cor simboliza a paz, com os petistas abdicando do vermelho, a coloração principal do petismo e dos demais partidos de esquerda.
Imagens que o Acre manda a um Brasil atualmente conflagrado e perto de uma guerra ideológia em vários setores da vida nacional. Uma lição de democracia.
Na hora em que o presidente anunciou investimentos no Acre na casa de R$ 1 bilhão para diversas obras locais, entre as quais a recuperação da BR-364, Gladson Cameli era só aplausos e chegou a trocar abraços com adversários que combate e pelos quais também é combatido. O público, em ampla maioria petistas que foram ver de perto o seu ídolo na política nacional, ao que tudo indica aprovou as manifestações civilizadas e não vaiaram o governador e seus seguidores. Gladson Cameli retribuiu a gentileza pedindo, desde véspera da visita do presidente, que seus seguidores, mesmo os bolsonaristas mais radicais, não se manifetassem contra ele em forma de respeito e agradecimento por Lula vir ao Acre deixar investimentos, principalmente num Estado que é dependente em altíssimo grau de repasses federais para sua manutenção.
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Advrsáros aparetemente irreconciliáveis, aparecem juntos na mesma fotografa: sinal de civilidade
Para quem faz política com sangue nos olhos e facas nos dentes, o Acre demonstra que o respeito entre adversários pode – e deve – ser mantido mesmo que, no período das campanhas eleitorais, na defesa dos seus pontos de vista e candidatos, essa cultura democrática possa descambar para ataques. “Campanha a gente a gente faz em campanha, nos palanques”, lecionou um Gladson Cameli da altura de uma história política na qual, desde 2002 quando obteve seu primeiro de dois mandatos de deputados federais, jamais perdeu uma eleição e detém, de acordo com as últimas pesquisas, pelo 64% de aceitação popular e é um dos favoritos para uma das duas vagas em disputa para o Senado.
Por sua vez, Lula diz, em todas as suas entrevistas, que desse os tempos de sua vida sindical, no início dos anos 80, sempre foi o maior negociador, que sempre sentou com seus adversários, empresários poderosos como os dirigentes da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) e dirigentes dos maiores conglomerados financeiros do país. Mstra a história que, depois das negociações, em períodos de campanha, a troca de acusações de parte a parte sempre ocorriam, mas em momento certo. .

