Sesacre emite alerta para torcedores que forem ao Peru assistir decisão da Libertadores entre Flamengo e o Palmeiras, em Lima

Tião Maia, O Aquiri

O Governo do Acre fez alerta, nesta quarta-feira (26/11), para que reforcem a vacina contra o coqueluche os torcedores que viajarão ao Peru, para assistirem ao confronto entre os times do Flamengo e do Palmeiras, dia 29 de novembro, às 18h, no estádio Monumental, em Lima. Será a decisão da Libertadores, entre os dois times brasileiros. Torcedores dos dois times estão fazendo caravanas para irem ao Peru, país, como outros da América do Sul e do Norte, incluindo Estados Unidos e Brasil, os quais vivem surto ou veem aumentar a incidência da doença.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta epidemiológico para o aumento de casos na região das Américas, mencionando que nove países notificaram mais de 18 mil casos e 128 mortes nos primeiros sete meses de 2025. Diversos países, incluindo o Brasil, os Estados Unidos e nações da Europa e Ásia, estão enfrentando surtos ou aumentos significativos de casos de coqueluche, que consiste em tosse convulsa, recentemente, com alertas emitidos por organizações de saúde.

De acordo com a OPAS, o Brasil vive um aumento alarmante de casos. Em 2024, houve um crescimento de quase 1500% em relação a 2023. Até agosto de 2025, já foram notificados 1.148 casos em crianças menores de 5 anos, com maior concentração nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

A situação levou o país a entrar em alerta, com mais de 2 mil casos registrados em 2025.

A Europa e a Ásia tiveram epidemias de coqueluche em 2023 e 2024, o que reforçou a importância da vacinação. Nos Estados Unidos, o surto em 2024 foi considerado o pior em uma década.
Há também a preocupação com o surgimento de cepas resistentes a antibióticos notificadas em países como Brasil, México, Peru e Estados Unidos.
As autoridades de saúde globais e locais têm enfatizado a importância da vacinação como a principal medida de prevenção para conter a disseminação da doença, especialmente entre as crianças, que são as mais vulneráveis.

Face aos números e às preocupações das organizações internacionais de saúde, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Saúde (Sesacre) e do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), vem fazendo campanha para que os viajantes com destino ao país vizinho adotem as medidas de prevenção contra doenças respiratórias, com atenção especial à coqueluche.

De acordo com as organizações internacionais de saúde, a queda das coberturas vacinais após a pandemia de covid-19 também contribuiu para a emergência de surtos, o que exige atenção tanto da população quanto dos serviços de saúde.

Para viajantes, a orientação é manter a vacinação em dia, usar máscara em ambientes aglomerados e evitar contato com pessoas vulneráveis ao voltar.

A coqueluche, também conhecida como tosse comprida, é uma infecção respiratória aguda causada pela bactéria Bordetella pertussis. Altamente contagiosa, a doença é transmitida por meio de gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar.

O período de incubação, isto é, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos primeiros sintomas, é em média de 5 a 10 dias, podendo variar de 4 a 21 dias e, mais raramente, chegar a 42 dias.
Os sintomas iniciais se assemelham aos de um resfriado comum, com coriza, febre baixa e tosse leve, que evolui para crises intensas de tosse seca, seguidas de vômitos, chiado, sensação de falta de ar e episódios de engasgo. Em bebês e gestantes, as complicações podem ser graves, exigindo diagnóstico e tratamento precoces.

Vacinação disponível nos postos – A vacina contra coqueluche é a forma mais eficaz de prevenção e está disponível na rede pública de saúde. No Acre, é oferecida nas unidades básicas de saúde conforme o Calendário Nacional de Imunização:
•2, 4 e 6 meses de idade: esquema primário;
•15 meses e 4 anos: doses de reforço;
•Gestantes: uma dose da vacina dTpa a partir da 20ª semana de gestação, independentemente do histórico vacinal.

**Orientações para quem vai viajar** – Com o grande fluxo de torcedores brasileiros rumo ao Peru para acompanhar a decisão continental, a Sesacre recomenda que todos verifiquem a situação vacinal, especialmente em relação à vacina dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche. A imunização não impede completamente o contágio, mas reduz o risco de formas graves e a possibilidade de transmissão.

Durante a viagem, a orientação é evitar ambientes fechados e aglomerações prolongadas, higienizar as mãos com frequência e utilizar máscaras em locais de grande circulação, como aeroportos e estádios. Pessoas que apresentarem tosse persistente, febre ou dificuldade para respirar devem procurar atendimento médico e informar o histórico de deslocamento.

De acordo com a chefe do Cievs estadual, Débora Gonçalves, o alerta emitido tem caráter exclusivamente preventivo e visa assegurar que a população esteja informada e os serviços de saúde preparados para agir rapidamente diante de qualquer eventualidade.

“Nosso objetivo é manter o estado em constante prontidão, especialmente em períodos de grande circulação internacional de pessoas. Não há motivo para alarde, mas sim para reforçar cuidados simples e eficazes: manter a vacinação em dia, usar máscara em ambientes muito aglomerados e evitar contato com pessoas vulneráveis ao voltar, ajudam a reduzir riscos. O Cievs segue em vigilância contínua. Nosso compromisso é assegurar informação clara e tempestiva para proteger a saúde de todos”, destacou.

Vigilância intensificada no Acre – No Acre, os serviços de saúde estão com a vigilância reforçada para detecção precoce e investigação de possíveis casos. As unidades foram orientadas a manter atenção especial a pacientes com sintomas respiratórios que tenham retornado recentemente de viagens internacionais.

A notificação deve ser feita ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), à Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (Renaveh), ao Cievs estadual e à Área Técnica de Coqueluche da Sesacre em até 24 horas, conforme os protocolos estabelecidos.
Além disso, recomenda-se a coleta de exames laboratoriais (como PCR) para confirmação diagnóstica e o acompanhamento de contatos próximos, quando necessário. As equipes também devem intensificar ações de comunicação e orientação à população, fortalecendo a rede de resposta rápida do Estado.

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