Secretário de Gladson Cameli acusa Alan Rick de se apropriar da autoria de obra do viaduto no cruzamento da Ceará com a Getúlio Vargas, em Rio Branco

**Tião Maia, O Aquiri **

Na natureza, a ciência que se ocupa do assunto, a ornitologia, já catalogou dezenas de espécies de pássaros que se apropriam de ninhos de outros. Por isso, são conhecidos como aves parasitas ou piratas, que não constroem seus próprios ninhos nem criam seus filhotes, depositando ovos nos ninhos de outras espécies para que sejam chocados e cuidados por pais adotivos. No Brasil, o mais conhecido é o chupim, que é uma das espécies mais comuns de parasitismo de ninhos na América do Sul e Central, mas há outras aves poratas, inclusive brasileiras, como o chupim-azeviche.
Na política brasileira, principalmente na acreana, também há políticos que se comportam como aves parasitas. Foi o que compararam assessores do governo estadual ao assistirem vídeos em redes sociais e em matérias jornalísticas de blogs e jornais digitais, em que o senador Alan Rick (Republicanos) aparece no canteiro de obras do viaduto no cruzamentos das avenidas Ceará com Getúlio Vargas, no centro de Rio Branco, se passando como uma espécie de pai da ideia e único executor da obra.

No vídeo, o senador fala das vantagens da obra para a cidade, dos benefícios que trará ao trânsito de veículos naquela região da Capital e se apresenta como o único autor da emenda que possibilitou os recursos públicos investidos, se apropriando do bem como aquela ave estudada pela ornitologia. Ao seu lado, nenhum secretário ou técnico da obra, apenas o dono da empresa que está executando a obra.
“A obra está orçada em 42 milhões de reais, dos quais apenas 17 milhões são fruto de uma emenda de bancada que é assinada pelo senador Alain Rique. Ocorre que o senador quer se apresentar para a população acreana como se de fato ele fosse o executor da obra”, disse Luiz Calixto.
O secretário lembrou que, para a execução da obra, há o esforço do Governo do Estado, com toda sua equipe. “Há o mérito e a competência do governo do Estado, do secretário de obra, que elaborou um projeto bem feito, que conseguiu a liberação da emenda, que conseguiu provar a viabilidade do projeto. De sorte que o senador tenta capitalizar como se ele fosse governador antes do tempo”, acrescentou Calixto. “Apresentar uma emenda não é a parte mais complicada, não é a parte mais dificultosa do processo de uma obra. A emenda é quase automática, é apenas um processo, digamos que, burocrático. Agora fazer o projeto executivo, o projeto básico, fazer as desapropriações que não foram fáceis nesse trajeto, é que e o autêntico trabalho de execução”, disse.
De acordo com o secretário, uma das maiores dificuldades para que a obra efetivamente começasse foi encontrar um local para realocar o Colégio de Aplicação, que funcionava nas instalações do prédio da Ufac Centro, cuja calçada e parte interna foram alcançadas pelas obras. ”Só para conseguirmos um novo espaço para o Colégio de Aplicação, levamos pelo menos oito meses em negociação, embora, é bom que se registre, a reitoria da Ufac tenha sido muito parceira. Foi muito trabalho do Governo do Estado para que a obra, agora já bem avançada, o senador se apresente como pai da criança. Isso, além de ser eticamente e politicamente reprovável, é algo muito feio para quem se julga acima do bem e do mal”, disse o secretário Luiz Calixto.
Como Alan Rick é pré-candidato ao Governo do estado e já est[a em campanha, segundo observa o secretário Luiz Calixto, ele vem apelando para esses expedientes nada edificantes para quem se apresenta ao eleitorado como um pastor evangélico, probo e honesto. “A campanha nem ainda começou e já se observa isso? A mentira nunca foi boa conselheira”, observou o secretário.
**
O que diz Alan Rick sobre o assunto** – Por meio de sua assessoria de imprensa, contatada pela reportagem de **O Aquiri**, o senador reiterou que é ele, sim, o autor da proposta da obra e da emenda que está possibilitando sua construção. Segundo a assessora, a proposta de emenda foi assinada ainda m 2019, antes da pandemia do coronavírus, e na época os demais membros da bancada federal de deputados e senadores preferiram canalizar suas emendas para outras áreas enquanto ele, ainda como deputado federal, preferiu focar para as obras do viaduto.

Notícias relacionadas :

ÚLTIMAS NOTÍCIAS