Pecuária brasileira está se tornando à base do gado da raça Nelore

**Tião Maia, O Aquiri**

Fronteira com países como Argentina e Uruguay, cuja base econômica é influenciada pela pecuária, onde predominam animais das raças Hereford e Angus dominam, o Brasil vem se tornando, na economia bovina, o território onde pontificam animais da raça Nelore, Levantamentos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), apontam que pelo menos 80% do rebanho bovino nacional, que atingiu um novo recorde em 2023, com 238,6 milhões de cabeças, segundo o IBGE (Insituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), é composto pela raça Nelore.
O mais recente número em relação á totalização do rebanho brasileiro representa um aumento de 1,6% em relação a 2022 e mantém o rebanho acima da população brasileira. O estado de Mato Grosso continua liderando a criação de gado, com 14,6% do total nacional. Em todo território, a predominância é pelo Nelore.
O gado Nelore é conhecido por suas características físicas e comportamentais distintas. Fisicamente, destacam-se a pelagem branca ou cinza clara, pele escura, ossatura leve e forte, musculatura compacta e cabeça retangular com focinho estreito. Comportamentalmente, são animais ativos e dóceis, com boa adaptabilidade ao clima tropical e resistência a doenças.
Um dos fatores determinantes para esta condição, de acordo coma CNA, é o clima, já que o o Nelore é uma das raças que se adaptam às condições climáticas do Brasil. O calor, a umidade e as grandes distâncias impõem desafios importantes à criação de gado e o Nelore se destaca nesse contexto por sua rusticidade, eficiência e excelente adaptação ao pasto tropical.
Nos Pampas argentinos e uruguaios, o ambiente é outro: clima mais frio, pastagens ricas e menos obstáculos naturais. Lá, Angus e Hereford oferecem maciez, marmoreio e ótimo desempenho em condições climáticas mais amenas.
O Nelore chegou ao Brasil no final do século XIX, mas foi somente no século XX que se tornou o verdadeiro “rei do pasto”. O avanço veio por meio do melhoramento genético, dos leilões e da importação de genética indiana.
Enquanto isso, nos Pampas, Angus e Hereford chegaram antes — e nunca mais saíram. Cada país construiu sua própria tradição pecuária com base nas condições locais e escolhas históricas.
O sistema brasileiro é, em sua maioria, extensivo e baseado em pasto tropical — que possui menor valor nutricional. O Nelore se destaca justamente por sua capacidade de aguentar esse ritmo e ainda assim entregar carne com eficiência.
Na Argentina e no Uruguai, o pasto é mais nutritivo, e a terminação costuma ser mais intensiva. Nesse cenário, Angus e Hereford brilham, especialmente pela qualidade da carne que atende ao mercado premium, com mais marmoreio e maciez.
No Brasil, o Nelore se tornou protagonista com o apoio de instituições como ABCZ e Embrapa. Soma-se a isso os leilões milionários, a seleção genética e o uso intensivo de biotecnologia. A cultura pecuária brasileira abraçou o Nelore.
Já na Argentina e no Uruguai, a história é parecida — mas com outras raças. Angus e Hereford são dominantes há mais de um século, com tradição em provas de carcaça, certificações premium e foco em carne gourmet.
O Nelore não vai sair de cena no futuro. Ele é — e continuará sendo — a base da pecuária brasileira. Mas o caminho para avançar já está claro, dizem os criadores. Os caminhos do futuro são os seguintes:
. Cruzamentos bem planejados com raças taurinas;
. Melhoramento genético do próprio Nelore;
. Uso estratégico de tecnologias genéticas
Com isso, é possível unir rusticidade, precocidade sexual e qualidade de carne — com eficiência produtiva e foco no mercado consumidor.
Nos Estados Unidos, o cruzamento entre raças não é tendência — é método. Eles combinam produtividade, qualidade de carne e foco no mercado premium como poucos países no mundo.
Em outubro, uma comitiva brasileira visitará fazendas no Kansas e no Nebraska para conhecer de perto quem já pratica esse modelo em alto nível. Um aprendizado valioso para quem quer evoluir e se manter competitivo, defende a CNA.

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