***Tião Maia, O Aquiri ***
Torno de bancada – uma ferramenta fixada a uma superfície, como uma mesa, com mordentes (mandíbulas) para prender firmemente peças de materiais como madeira ou metal, além de bigornas para manter objetos estáveis durante operações como corte, lixamento, perfuração e rosqueamento, além de furadeiras, martelos, arrebites, parafusos e outros materiais versáteis encontrados em oficinas mecânicas, de lanternagem de veículos ou marcenarias, fazem daquele ambiente um cenário que nem de longe parece um local de produção de peças de uso humano. O nome, aliás, não poderia ser outro: Oficina.
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São pessoas que perderam braços, pernas e outros membros em acidentes de trabalho, de trânsito e com armas de fogo – mas há também quem nasceu com má formação congênita que precisa receber as próteses para garantir o mínimo de independência na locomoção e que passam a receber atendimento da Oficina Ortopédica da Fundação Hospital “Governador Flaviano Melo”, conhecida pela sigla Fundhacre. “Aqui, trabalhamos com 11 técnicos em órteses e próteses, além de fisioterapeutas e outros especialistas”, diz a gerente da unidade, Dora Lima. “Aqui fazemos desde palmilhas para sapatos especiais para aliviar pontos de pressão nos calçados de quem passou por amputação ou tem má formação congênita nos pés”, acrescenta a gerente.
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Ruberlei Nogheira é o responsável técnico pela linha de montagem da oficina, com 36 anos de atuação profissional e formado em São Paulo, que tem orgulho de, em todo esse tempo, ter coordenado trabalhos que ajudaram centenas de pessoas, algumas marcadas pela dor e o sofrimento pelas dificuldades na locomoção. “Nossa missão é auxiliar no tratamento para aliviar dores de quem foi amputado ou tem má formação congênita”, diz Ruberlei, orgulhoso de sua atividade.
A Oficina Ortopédica, única no Acre, surgiu, incialmente, no início dos anos de 1970, para atender basicamente internos da Colônia Souza Araújo, que cuida de portadores da hanseníase – doença crônica, infecciosa e contagiosa, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, os olhos e as mucosas.
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Se não tratada, pode levar à perda de sensibilidade e força muscular, além de outras incapacidades permanentes, como deformidades em mãos e pés, que podem resultar em amputações, o que acontecia com os clientes iniciais da Oficina Ortopédica. Hoje, com avanços da tecnologia e no tratamento da doença, as amputações foram reduzidas, mas ainda há necessidades de próteses para membros, principalmente os inferiores, que precisam ser recauchutadas de forma continua ou produzidas novas, para novos pacientes que ainda são acometidos pela doença. A maior procura são por peças chamadas prótese endoesquelética transtibial lateral ou bilateral – um dispositivo ortopédico para uma ou duas pernas (bilateral), que substitui a tíbia e a fíbula (transtibial) após amputações abaixo do joelho. O termo “endoesquelética” refere-se à estrutura modular interna. A grande maioria das peças produzidas pela Oficina Ortopédica são próteses de pernas, para quem sofreu amputação abaixo do joelho, e os sapatos com palmilhas especiais para quem tem úlceras ou está em tratamento nos pés por má formação congênita.
“Há no Acre muitas pessoas com braços amputados, mas muitas dessas pessoas não querem usar próteses porque, de algum jeito, acabam se acostumando sem o membro e acham que usar o equipamento em substituição em qualquer dos braços é incomodo e tocam a vida como podem”, disse Leonardo Oliveira da Silva, 31 anos, técnico em próteses da Oficina Ortopédica.
**Próteses chegam a custar até R$ 14 mil e na Fundhacre saem de graça – **Mas, no caso de quem precisa de próteses dos membros inferiores, o que afastam mesmo os pacientes das próteses são os preços dos materiais. Construídas em titânio, aço, fibra de carbonoso e outros materiais capazes de oferecer mais estabilidade e que permitam a troca de componentes, com o passar dos anos, uma prótese não sai por menos de R$ 14 mil a unidade, no mercado privado. Na Oficina Ortopédica da Fundhacre o equipamento sai de graça.
Em todos esses anos de atendimento, com alguns períodos de suspensão por falta de insumos, a Oficina Ortopédica funcionou, durante 16 anos, na Rua Antônio da Rocha Viana, no início do bairro da Vila Ivonete, onde hoje é a sede da Diretoria Geral a Polícia Civil do Acre (PCAC). Depois foi transferida para uma casa alugada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre). A Oficina Ortopédica passou por reestruturação e mudança de local em 2024 e agora funciona com melhores condições de atendimento e infraestrutura no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), localizado no Bairro do Ipê, sob a administração da Fundhacre, com insumos suficientes para a produção de dezenas de peças por mês.
“Não podemos quantificar em números exatos porque as peças são diferentes uma da outra. Umas levam mais tempo, outras nem tato. Mas o compromisso assumido publicamente pelo governador Gladson Cameli é de deixar o governo com uma fila de espera totalmente zerada”, diz Ruberlei Nogeira. Segundo ele, a fila, que já foi muito maior, tem hoje pelo menos 400 pessoas a espera de braços, pernas e sapatilhas especiais novos em folha.
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Foi com base nessas informações que Genivaldo da Silva Pereira, casado e pai de dois filhos, morador de Xapuri, de 48 anos e que há 16 anos perdeu a perna direita num acidente de trabalho, quando operava um motosserra, conseguiu uma prótese entregue pessoalmente, no último dia 18 de outubro, pelo governador do Estado, Gladson Cameli, para a emoção de seus amigos e familiares. Desde que perdeu a perna, Genivaldo tocava a vida se revezando entre muletas e uma prótese conseguida por um amigo a qual, de tanto ser usada, estava, no dizer do paciente, “pela hora da morte”. O seu uso cotidiano maltratava o paciente, ele reclamava aos familiares e amigos.
Num dia qualquer, ao saber que o governador do Estado estava em Xapuri, saiu de casa, mesmo com enorme sacrifício na locomoção, para ir até o local onde se encontrava o governante. Levava em mãos um bilhete previamente escrito, no qual pedia ajuda a Cameli para conseguir uma prótese nova. “Ele recebeu o bilhete, leu, me abraçu e disse: aguarde. Dias depois, recebi um telefonema para ir à Oficina Ortopédica para tirar medidas, essas coisas e mais recentemente fui chamado para receber o equipamento das mãos do próprio governador”, revelou Genivaldo, demonstrando felicidade e gratidão.
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O pedagogo Manuel Carlos de Souza Berra, de 53 anos, solteiro e pai de dois filhos, morador do bairro Comara, em Rio Branco, sabia ser portador de diabtes mas levava uma vida praticamente normal até o dia em que, por descuido, pisou num prego no quintal de casa. O que parecia uma furada banal, acabou por infeccionar e ele teve a amputação da perna esquerda, logo abaixo do joelho, em 2021. Desde então passou a andar com uma prótese adquirida com recursos entre amigos. “Mas não era legal. Eu sofria muito com ela. Agora, vou receber uma melhor, aqui da Fundação e, com certeza, mina vida vai melhorar. Só poder voltar a andar direito não tem dinheiro que pague”, disse.
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O jornalista Oscar Xavier, um dos primeiros repórteres cinematográficos a atuar no Acre, também portador de diabetes, contraiu um bicho-de-pé no dedo do pé esquerdo. “Quando dei por mim, estava no hospital, perdendo o dedo. Doze dias depois, perdia a perna”, conta o jornalista. “Me disseram que em Porto Velho havia um programa de doação de próteses do Governo de Rondônia e um hospital privado. Estive lá, ganhei uma prótese mas a qualidade era bem inferior a esta que acabo de receber da Fundhacre. Estou usando há uma semana e sinto pouca diferença entre minha perna normal e a prótese. Esse governo está de parabéns por voltar os olhos ara esta parcela de amputados entre a nossa população”, disse Oscar Xavier.
“Ver a felicidade nos olhos das pessoas é a maior obra do nosso governo” – “Como governador do Acre, sinto orgulho em ver que, ao longo da nossa gestão, a Oficina Ortopédica passou a operar com melhores condições de atendimento. Este é um momento de celebração à vida, pois representa esperança para muitos pacientes que enfrentam traumas corporais e encontram na prótese uma chance real de reabilitação. Essa entrega simboliza o fortalecimento dos serviços especializados e de reabilitação oferecidos pelo Estado”, destacou o governador Gladson Camelí ao entregar a prótese do paciente de Xapuri, Genivaldo da Silva Pereira.
De acordo com o governador, a oficina desempenha papel essencial na reintegração social e funcional de pessoas com deficiência física, oferecendo gratuitamente dispositivos que devolvem autonomia e qualidade de vida aos pacientes atendidos.
“Quero agradecer à presidente da Fundhacre, Sóron Steiner, e a toda a equipe técnica da Oficina Ortopédica. Vocês realizam um trabalho inestimável, produzindo próteses que devolvem não apenas a mobilidade, mas a alegria de viver para muitos pacientes. É uma missão que transforma vidas e enche o nosso estado de orgulho”, destacou Camelí. “Cuidar das pessoas tem sido o maior legado do nosso Governo. A entrega de próteses representa o cuidado que o governo tem tido com as pessoas, especialmente por meio da oficina ortopédica. Retomar esse trabalho faz uma diferença tremenda na vida de quem mais precisa”, acrescentou.
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Gladson Camelí também destacou a união entre toda a equipe de governo faz com que seja possível perceber o impacto desse esforço ao olhar para o semblante de Geival Pereira e de outros beneficiados. “Ver a felicidade deles é a maior obra do meu governo: cuidar das pessoas”, disse.
O governador acrescentou que este tipo de atendimento faz parte de seu plano de Governo. “Lá atrás, planejei ter esse olhar carinhoso, esse olhar atento para quem mais precisa. Hoje, me sinto renovado e com ainda mais energia para continuar melhorando a vida das pessoas. Minha gratidão a Deus e a todos que estão nos ajudando a diminuir as diferenças. Esse trabalho dá sentido ao que estamos realizando”, disse.

