Morre no Rio, aos 66 anos de idade, o sambista Arlindo Cruz, considerado um dos grandes compositores do Brasil

**Tião Maia, O Aquiri**
Acabou o sofrimento para o sambista Arlindo Cruz. Depois de cinco anos acamado, com dificuldades em mobilidade e na fala, após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral) Isquêmico, o cantor e compositor faleceu na tarde desta sexta-feira (8/8), aos 66 anos de idade, onde nasceu e viveu.
Nos oito anos em que conviveu com as sequelas do ACV, o artista passou por diversas internações para tratar complicações de saúde, e chegou a ter uma parada cardíaca de 15 minutos, mas foi reanimado pela equipe médica.
Autor de pelo menos 700 músicas gravadas e considerado um dos grandes sambistas brasileiros, ele teve músicas gravadas por vários intérpretes. Músicas como *Lição de Malandragem*, seguida por *Grande Erro*, na voz de Beth Carvalho também já falecida, e *Novo Amor*, interpretada por Acione eram de sua vasta autoria.
O contato com a música começou através do pais, que tocavam pandeiro e cavaquinho — o último, inclusive, foi o primei o primeiro instrumento que ganhou, aos 7 anos de idade. A carreira despontou no início da década de 1980, quando passou a participava de rodas de samba do bloco Cacique de Ramos ao lado de nomes como Jorge Aragão e Beth Carvalho.
No Fundo de Quintal, outro grupo de pagode do Rio, que seu nome ganhou força como compositor.
Arlindo entrou no grupo em 1981, depois da saída de Jorge Aragão. Compôs canções como *O Show Tem Que Continuar* e **Só Pra Contrariar**, e assim consolidou seu nome como intérprete. Doze anos depois, deixou o grupo para lançar-se em carreira solo. Batizado de Arlindinho, seu primeiro álbum solo foi lançado em 1993, com doze faixas, ainda em formato de vinil. De lá pra cá, lançou oito álbuns solos e uma série de outros em parceria com diversos artistas. Entre seus maiores sucesso estão canções como Meu Lugar, do álbum Sambista Perfeito, onde exalta seu bairro de coração, Madureira, além de clássicos como *Bagaço da Laranja* e *Camarão Que Dorme a Onde Leva*. Apaixonado pelo carnaval, Arlindo também escreveu, por muitos anos, os sambas da Império Serrano, antes de escrever também para a Grande Rio, Vila Isabel e Leão de Nova Iguaçu.
Com o AVC sofrido em 2017 e as sequelas deixadas sua carreira foi encerrada precocemente. O último projeto artístico do cantor foi Pagode 2 Arlindos, feito em 2017 com o filho Arlindinho. Ele não deixou de ser, no entanto,to, de ser uma figura emblemática para o samba carioca: em 2023, a Império Serrano transformou a história do músico no enredo Lugares de Arlindo. O músico deixa a esposa, Babi Cruz, com quem mantinha uma união há mais de 26 anos, e os filhos Arlindinho e Flora Cruz.

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