**Tião Maia, O Aquiri**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Rio Branco, no Acre, na manhã desta sexta-feira (8/8) sem a participação e presença de uma das figuras mais conhecidas e emblemáticas da esplanada de seu ministério, em Brasília: a acreana Marina Silva.
A ex-vereadora, ex-deputada estadual e ex-senadora por dois mandatos pelo Are, a acreana do Seringal Bagaço, nos arredores da Capital, Marina Silva, agora deputada federal (Rede Sustentabilidade) por São Paulo e licenciada para ocupar o Ministério do Meio Ambiente e do Clima, desistiu de última hora de integrar a comitiva presidencial em visita oficial à sua terra natal. Ela constava da lista de ministros acompanhantes de Lula até a noite de quinta-feira (7/8).
Contrária à aprovação do PL da Flexibilização Ambiental, que ela própria batizou de PL da Devastação, Marina Silva disse à coordenação da comitiva de Lula e ao próprio presidente que não viria ao Acre para permanecer em Brasília para acompanhar trâmites relacionados à lei aprovada pelo Congreso Nacional e já no limite do prazo para ser sancionada ou não pela presidência da República. Marina Silva é a principal figura do “Movimento Veta Lula”, que recomenda que o presidente vete, pelo menos parcialmente, o projeto aprovado por deputados e senadores, no mês passado.
Ao defender o veto parcial, os ministros palacianos orientados por Marina Silva propõem o veto de pelo menos 30 artigos da proposta. Marina defende o veto total ou de pelo menos 42 artigos.
Marina declinou da visita à sua terra natal justificando atenção total ao Projeto de Lei do Licenciamento Ambiental e outras demandas urgentes da pasta, mas é provável que, na hora da decisão, ela recuou da vinda ao Acre por enquanto porque ainda estão muito vivas as imagens de agentes do Ibama e do ICMbio, em Xapuri, ateando fogo, apreendendo gado e destruindo currais e até sacos de ração em fazendas instaladas na reserva Chico Mendes. A reação dos agricultores ou fazendeiros atingidos pelas medidas judiciais executadas pelo ICMbio foi de ataque à Marina Silva, apontada como inimiga daquela gente e da região onde começou sua origem política, quando ela, ao lado do sindicalista Chico Mendes, assassinado em 1988 – ano em que ela se elegeria vereadora em Rio Branco pelo PT -, organizava os chamados “empates” de trabalhadores naquelas florestas.
Sem Marina Silva, o primeiro escalão da comitiva presidencial na visita ao Acre é composto por Camilo Santana, ministro da Educação; Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Renan Filho, ministro dos Transportes; e Carlos Fávaro, ministro da Agricultura e Pecuária. Cono membro do segundo escalão está Jorge Viana, presidente da Apex.
A comitiva participa de evento na sede da Cooperacre – Filial 5, no Parque Industrial de Rio Branco, onde serão anunciadas ações voltadas à melhoria da malha viária, fortalecimento da agricultura familiar, investimentos na educação pública e medidas para a proteção ambiental na Amazônia. Antes, Lula e comitiva, acompanhados pelo governador do Estado, Gladson Cameli, visitam a sede da Colônia Souza Araújo, onde residem pelo menos 200 portadores de Hanseníase. A Colônia é mantida pela Igreja Católica, através da Diocese de Rio Branco, em parceria com o Governo do Estado, através da Secretara de saúde.

