Lula dobra a aposta, peita o Congresso e veta aumento de deputados

**Da Redação **
**BRASILIA -** O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dobrou a aposta na disputa com o Congresso e vetou o projeto de lei aprovado por deputados e senadores aumentando em mais 21 o número de deputados, de 513 para 531. O veto deu-se na quarta à noite e está publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (17/7). Lula entendeu que que não fazia sentido sancionar uma proposta de elevação dos gastos públicos em um momento de aperto nas contas públicas.
O Congresso promete derrubar o veto de Lula. Mesmo assim, na avaliação do presidente, era preciso marcar posição sobre esse tema e mostrar que o governo não pode aceitar passivamente tudo o que vem do Legislativo. Sob a orientação do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, o Palácio do Planalto tenta passar a mensagem de que não é refém de deputados e senadores. Agora, o Congresso promete derrubar o veto de Lula, como correu em relação a o IOF (Imposto sobre Movimentação Financeira).
Alheia a isso, a popularidade do presidente está voltando aos poucos, atesta pesquisa do Instituto Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (16/7). Revela uma tendência de recuperação na popularidade de Lula após o tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros. O levantamento revelou que a aprovação do governo passou de 40% para 43% enquanto o índice dos que rejeitam a gestão petista caiu de 57% para 53%.
A nova decisão de Lula em relação ao Congresso ocorre após o confronto entre o Planalto e o Congresso por causa do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Em 25 de junho, a Câmara e o Senado impuseram uma derrota acachapante ao Palácio do Planalto, derrubando o decreto presidencial que prevê o aumento do IOF. O governo recorreu, então, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Coube ao ministro do STF Alexandre de Moraes anunciar uma solução intermediária para o impasse, após o fracasso da audiência de conciliação entre as partes. A cúpula do Congresso não gostou da decisão de Moraes, que validou a maior parte do decreto do IOF.
Lula agora espera a derrubada do veto ao aumento do número de deputados, mas, em reunião com auxiliares, disse que esse ônus caberá ao Congresso. As últimas pesquisas que chegaram ao Planalto, indicando que a rejeição do presidente diminuiu, animaram o governo. O impacto estimado para os cofres públicos com a ampliação do número de deputados ultrapassa R$ 140 milhões anuais, por causa do “efeito cascata”. Trata-se de uma medida extremamente impopular, que passou com apenas um voto a mais no Senado, dado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast mostrou que o projeto abre brecha para a criação de 30 novas vagas de deputados estaduais podem custar R$ 76 milhões aos Estados. A cifra vai se somar ao gasto extra de R$ 64,8 milhões na Câmara.
O prazo dado pelo STF para que o Congresso estabelecesse uma nova distribuição de cadeiras, com base no Censo de 2022, terminou em 30 de junho. Mas essa configuração não necessariamente deveria ocorrer com o aumento do número de deputados.
Um dos Estados beneficiados com a mudança, que valerá para as eleições de 2026, é a Paraíba, terra natal do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
Lula chegou a avaliar, no início do mês, a possibilidade de lavar as mãos para não sancionar nem vetar o projeto. Se assim fizesse, deixando vencer o prazo para sanção da proposta, que terminou nesta quarta-feira, a promulgação do texto caberia a Alcolumbre, sem ter a digital do governo.
Ministros da ala política defenderam essa hipótese, nos últimos dias, com receio de que a relação entre o Congresso e o Planalto piorasse. Mas Lula resolveu marcar posição.

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