Há 56 anos pisamos na Lua dos Poetas

Dilson Ornelas, Rio de Janeiro

Aos nove anos, assistia a Flash Gordon e Perdidos no Espaço em uma TV preto e branco com um áudio muito ruim. Quando o vento balançava a antena no telhado, a imagem tremia, e chuviscos invadiam nossa caixa mágica, como fantasmas de um filme de terror – Poltergeist bem poderia ter nascido ali. Nessa época nossos heróis eram Tarzan nadando com jacarés imaginários, Superman aparando balas no peito, Batman saltando nas sombras. Esses heróis muitas vezes salvavam nossas vidas miseráveis no colégio interno. Foi assim que, no dia 20 de julho de 1969, vi o homem pisar na Lua. E, olha, essa foi uma magia para a qual eu não estava pronto. Ninguém estava. Quem eram aqueles novos heróis? Até hoje, há quem duvide que pessoas de verdade tenham caminhado na Lua dos poetas, que segue majestosa embalando nossas canções de amor.

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**Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar na superfície lunar, após viajar a bordo da Apollo 11.** **(NASA/The LIFE Picture Collection/Getty Images) **

Será que foi mesmo verdade? Ou apenas um sonho que sonhamos juntos?

Mas o astronauta – palavra nova, que soava como um verso futurista – Neil Armstrong, com seu “pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade”, não apenas tocou o pó lunar, mas acendeu uma chama, uma luz que 56 anos depois ainda cintila em nossa ciência e tecnologia.

A missão Apollo 11 foi mais que um feito de engenho; foi um poema escrito nas crateras da Lua, redefinindo o que é sonhar sem limites.

Doze homens, ao todo, deixaram pegadas naquele chão de prata entre 1969 e 1972, em missões que bordaram uma tapeçaria de coragem: Apollo 12, 14, 15, 16 e 17. Nomes como Pete Conrad, que riu sob o céu sem ar, Alan Shepard, que jogou golfe entre crateras, e Eugene Cernan, o último a se despedir da Lua, escreveram versos de uma saga que parecia roubada da ficção. Mas era real – tão real quanto o fogo da Guerra Fria, que ameaçava acender foguetes com ogivas nucleares em nome do comunismo ou do capitalismo. Dizem até que os

foguetes espaciais foram apenas ensaios para a construção de mísseis assassinos que hoje riscam o céu em qualquer guerra imunda.

Mesmo assim, naquele tempo de sombras e tensões, cada lançamento era um duelo de titãs, com Estados Unidos e União Soviética disputando a glória nos céus, provando que a vontade humana pode transcender qualquer barreira. Ainda que fosse uma maneira esquentar a Guerra Fria com ameaças letais. A verdade, é que a ida à Lua nos fez muito bem, olha se não fez.

Das câmeras que capturam nossos sorrisos aos filtros que purificam nossa água, dos micro-ondas que aquecem nosso alimento, passando pelos tênis que abraçam nossos pés até o GPS que guia nossos caminhos – tudo carrega o brilho lunar das missões Apollo. Foi ali que tudo começou.

E agora, com a missão Artemis III, planejada pela NASA para 2026, sonhamos novamente: não apenas pisar na Lua, mas construir ali um lar, um farol que nos guie a Marte e além, como poetas em busca de novas estrofes no infinito.

Mas, além dos circuitos e das máquinas, a Lua nos ensinou um segredo mais profundo: o poder de acreditar. Naquele 20 de julho, enquanto a TV chiava como um rádio perdido no espaço e o mundo prendia o fôlego, descobrimos que os sonhos, mesmo os mais impossíveis, podem ganhar asas. A Lua, musa prateada dos poetas, segue nos chamando – não apenas como um destino, mas como um espelho de nossa própria ousadia.

Que, aos 56 anos desse salto, ergamos os olhos ao céu e sintamos, no peito, o pulsar do próximo verso: o futuro, como a Lua, está ao alcance de quem ousa sonhar. A Lua é e sempre será um convite aos poetas e sonhadores.

Hoje não quero falar de mísseis assassinos de guerras imundas. Prefiro os sonhos, a poesia e o amor. Vamos viajar!

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