**Tião Maia, O Aquiri**
Nesta segunda-feira, 10 de novembro, completa-se 121 anos da Revolta da Vacina, um levante popular que teve início na cidade do Rio de Janeiro, então capital da recém-criada República brasileira e cujos protestos ameaçavam se espalhar por todo o país. Uma das estratégias dos governantes para abafar a eclosão do que poderia ser uma revolta popular foi o degredo de parte dos revoltosos e outras pessoas consideradas como indesejáveis para a Amazônia, especialmente o território federal do Acre, recém-anexado ao Brasil.
Nos protestos anteriores aos degredos para o território do Acre, as ruas do Rio de Janeiro viraram campos de batalha com protestos populares duraram cerca de uma semana, estendendo-se até 16 de novembro, quando o governo declarou estado de sítio na Captal da República.
A Revolta da Vacina era um levante popular contra a lei que tornava obrigatória a vacinação contra a varíola, imposta de forma autoritária pelo governo do presidente Rodrigues Alves, sob a direção do sanitarista Oswaldo Cruz. A insatisfação popular foi motivada por diversos fatores. Os defensores da Revolta justificavam o movimento com os seguintes argumentos: Obrigatoriedade e métodos bruscos: A forma como a vacinação foi imposta, com brigadas sanitárias invadindo casas, foi vista como uma violação da liberdade individual; Desinformação: Havia falta de esclarecimento sobre a eficácia e segurança da vacina, o que gerou medo e boatos entre a população.
A revolta ocorreu em meio a uma insatisfação generalizada com as reformas urbanas que demoliram cortiços e desalojaram a população pobre para a periferia da cidade, além do aumento do custo de vida.
Os protestos resultaram em confrontos, quebra-quebra de transportes e prédios públicos, deixando um saldo de mortos, feridos e prisões, com muitos revoltosos sendo deportados para o Acre.
A obrigatoriedade da vacina foi suspensa durante os conflitos, mas a campanha de vacinação continuou posteriormente, com foco na conscientização, o que eventualmente levou ao controle da doença.
Os degredados para o Acre vieram como forma de punição aos líderes do movimento, ms vieram também capoeiristas, batedores de carteiras, moradores e ruas, tratados j´na época como vagabundos, e algumas mulheres, apontadas como prostitutas. Vieram também algumas crianças. Ao todo, há o registro de 1400 pessoas embarcadas em navios a caminho da Amazõnia, uns para a obras da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, na época Território do Guaporé e hoje o estado de Rondônia, e outros para os seringais do Acre.
Nem todos chegaram ao Acre. Uns, porque morreram nos porões dos navios que os transportavam como bichos, jogados uns sobre os outros, sem banheiro, sem ter onde dormir, coma comida e água racionada. Outros simplesmente foram executados pelos comandantes dos navios por tentativa de insurreição a bordo.
Seis anos depois, em 1910, já sob o governo do presidente Nilo Peçanha, novo degredos para o Are: pelo menos 600 marinheiros acusados de motim no que ficou conhecido como a Revolta da Chibata. uma rebelião militar ocorrida no Rio de Janeiro, acontecida no final de novembro de 1910.
Foi liderada por marinheiros e suboficiais da Marinha do Brasil que se rebelaram contra as condições de vida e de trabalho nas forças armadas, sendo resultado direto do uso de chibatadas por oficiais navais brancos ao punir marinheiros afro-brasileiros e mulatos, um castigo corporal que era amplamente utilizado na época. A Revolta da Chibata foi um dos primeiros grandes movimentos de protesto contra o governo republicano no Brasil e ajudou a impulsionar a Reforma Militar de 1911, que melhorou as condições de vida e de trabalho nas forças armadas.
Mas, ao fim da Revolta da Chibata, os líderes revoltosos foram degredados para o Acre, a pretexto do governo federal de “limpar” o Rio de Janeiro. Os registros apontam cerca de 600 marinheiros foram enviados para o Acre no navio “Satélite” no final de 1910. A ideia é que os revoltosos fossem alijados para uma região inóspita, para serem submetidos a trabalho forçado nos seringais e em obras do governo, enfrentando condições precárias e insalubres.
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A medida de repressão visava a punir os marinheiros envolvidos na revolta, que exigia o fim dos castigos físicos e melhores condições de trabalho na Marinha.
Além do degredo no Acre, outros revoltosos foram presos, alguns morreram na Ilha das Cobras e outros foram expulsos da Marinha. Enfim, a colonização doAcre não foi feita apenas, como ostra a história com os fugitivos das secas do Nordeste brasileiro.

