Há 117 anos, Plácido de Castro era emboscado a tiros e morreria dois dias depois

**Tião Maia, O Aquiri**

Dois após as comemorações em torno dos primeiros cinco anos da eclosão da Revolução Acreana comandada por ele, o coronel José Plácido de Castro, comandante do exército de seringueiros que derrotou o exército regular da Bolívia na conquista do Acre, já aposentado de funções públicos e recolhido à vida privada como administrador de seus seringais no entorno da então Vila Rio Branco, no dia 8 de agosto de 1907, foi alvejado a tiros quando se dirigia à sede do barracão do seringal Captará, às margens do rio Acre. Ele morreria dois dias depois, agonizando na casa do amigo João Rola, do outro lado do rio Acre, às margens do que é hoje o Riozinho do Rola. Tinha 35 anos de idade na época.

José Plácido de Castro estava em seu cavalo a caminho da sede de um de seus seringais quando sofreu a emboscada. O crime, supostamente encomendado pelo então prefeito do Departamento Alto Acre, Gabino Besouro. No leito de morte, segundo descreve seu irmão genesco Castro em livro de memórias, que estava com o irmão na hora do atentado, o libertador das terras acreanas implorou, no dia 11 de agosto, com as seguintes palavras:

[IMAGEM:https://pqbzoghteupmaeofvgvg.supabase.co/storage/v1/object/public/images/article-content-1754668349127-20.jpg]
**Plácido de Castro**

– “Logo que puderes, retira daqui os meus ossos e direi como aquele general africano, esta terra que tão mal pagou a liberdade que lhe dei é indigna de possui-lo. Ah, meus amigos, estão manchadas de lodo e de sangue as páginas da história do Acre, tanta ocasião gloriosa para eu morrer.
Em seguida, faleceu.

José Plácido de Castro, militar gaúcho, natural da cidade de São Gabriel – RS, nasceu em 9 de setembro de 1873. Era filho de Zeferina de Oliveira Castro e Prudente da Fonseca Castro. Descendente de família cristã, seu pai Prudente foi capitão veterano das Campanhas Cisplatina do Uruguai e Paraguai. Teve uma carreira militar de altos e baixos.

Plácido de Castro começou a trabalhar aos 12 anos de idade quando perdeu o pai e teve que sustentar a mãe e seus seis irmãos. Aos 16 ingressou na escola militar, chegando a 2° sargento do 1° Regimento de Artilharia de Campanha “Boi de Botas”, hoje o 6° Batalhão de Engenharia de Combate, onde foi deflagrada a Revolução Federalista em São Gabriel, sua cidade natal.

Um grupo de oficiais e cadetes pediu o fechamento da escola ao presidente da República Floriano Peixoto, para que pudessem participar com as forças legais no combate Revolução Federalista, mas Plácido discordava e acreditava que o presidente anterior, Deodoro da Fonseca não deveria ter sido substituído por Floriano Peixoto, pois deveria ter havido eleições diretas e não a posse como ocorreu com o então vice-presidente. Plácido então passou a lutar na na Revolução ao lado dos Maragatos, chegando ao posto de major, com a derrota para os “Pica – Paus que defendiam o governo de Floriano, Plácido decidiu abandonar a carreira militar ao recusar a anistia oferecida aos envolvidos na Revolução Federalista.

Anos mais tarde, Plácido mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi trabalhar na função de inspetor no Colégio Militar. Algum tempo depois, foi trabalhar de fiscal nas docas do Porto de Santos no litoral paulista. De volta para o Rio de Janeiro obteve o título de agrimensor, o jovem inquieto foi a procura de desafios, em 1902 fez sua viagem com destino ao Acre para tentar a sorte como agrimensor.

**Revolução Acreana**

Seduzido pela remuneração paga aos desbravadores na Região Norte, em 1899, Plácido de Castro muda- se para o Amazonas, como agrimensor foi demarcar terras com associação de engenheiros e por último por conta própria, na floresta amazônica contraiu malária, passando a enfrentar uma luta constante contra essa enfermidade.

Em 1902, o jovem agrimensor deixou o Amazonas e partiu com destino ao Acre, enquanto trabalhava no Alto-Acre, demarcando o Seringal Victoria, propriedade de José Galdino de Assis Marinho. Plácido de Castro ficou sabendo do acordo entre o Bolivian Syndicate pelos jornais e viu nisso uma ameaça a integridade do Brasil. Convidados por seringalistas para empregar sua experiência militar em ação de combate ao domínio da Bolívia sobre as terras acreanas, e passou a arregimentar combatentes entre os seringueiros.

O governo brasileiro reconhecia os direitos bolivianos sobre o Acre. No mesmo ano iniciou-se um movimento armado contra a Bolívia pela posse do território.

Um contingente de 400 homens enviado pelo governo boliviano, comandados por Rosendo Rojas, e Plácido de Castro com 60 seringueiros enfrentou a tropa, às margens do Igarapé Baia, no Alto Acre, mas ali foi derrotado na primeira batalha. No segundo confronto, fortificado no Seringal Empreza (hoje Rio Branco), desta vez saiu vencedor, e depois venceu a guarnições bolivianas em Empreza e Puerto Alonso (Porto Acre), onde estavam baseados o General Ibanez e seus soldados. O presidente da Bolívia, General Jose Manuel Pando, decide então acabar com a revolta e do comando das tropas e prometeu descer a Crdilehria dos Abdes para vir enfrentar Plácido de Castro e seu exército seringueiro na floresta. Não deu tempo. Os bolivianos se renderam antes da chegada de seu comandante.

Após liberar a Revolução Acreana, Plácido de Castro foi governador do Acre, em meio a intrigas de seus compatriotas brasileiros, até levarem seus ex-comandados a lhe traírem e planejarem seu assassinato.

Notícias relacionadas :

ÚLTIMAS NOTÍCIAS