Gladson Camelí entrega nesta sexta-feira a ponte sobre o rio Acre logando Xapuri à Vila Sibéria

**Tião Maia, O Aquiri **

O governador do Estado, Gladson Camelí, através de sua assessoria de comunicação e do Departamento de Estradas, Aeroportos, Hidrovias e Rodagens do Acre (Deracre), já está distribuindo convites para a inauguração da ponte sobre o rio Acre ligando o centro da cidade de Xapuri à Vila Sibéria. A obra será inaugurada nesta sexta-feira (21/11) depois de mais de dpos anos ano em construção.

A Ponte da Sibéria se chamará Jamil Félix Bestene, uma homenagem e um reconhecimento a um comerciante de origem sírio-libanesa que foi um dos pioneiros da cidade e é o patriarca de uma poderosa e tradicional família de políticos do Acre, cuja atuação começou, ainda nos anos de 1980, com a eleição do então deputado estadual Felix Bestene Neto, já falecido, e cujo legado foi herdado por seu irmão Raimundo José Bestene. Zeca ou Raimundo Bestene, que foi eleito para sete mandatos na Assembleia Legislativa do Acre (Alac), de cujo Poder foi presidente entre 1993 a 1994. Bestene, ao longo do tempo, contribuiu para a eleição da professora Nabiha Bstene, sua irmã, e do filho Samyr e do sobrinho Alysson Bestene à Câmara Municipal de Rio Branco – Alysson, aliás, é, atualmente, o vice-prefeito da Capital.

Q**uem foi o homenageado com o nome da ponte** – Jamil Félix Bestene chegou ao Acre como imigrante libanês aos 17 anos de idade. De espírito empreendedor, iniciou sua trajetória como regatão pelo rio Acre, a bordo do batelão Felito, transportando pessoas e mercadorias até a região de fronteira com a Bolívia e o Peru. Ficou conhecido pela generosidade e por oferecer caronas gratuitas e auxílio a quem precisava atravessar ou viajar o rio, a única “estrada” para os municípios além das cercanias de Xapuri.

Por isso, Jamil conquistou a admiração dos moradores da região do Alto Acre. Durante o ciclo da borracha, tornou-se comerciante e figura emblemática da região. Ali, também foi padeiro, foguista em caldeira de navio e jornalista no periódico “O Oeste”, vinculado à administração municipal de Xapuri, que circulou entre os anos de 1949 e 1957, durante a gestão do prefeito Minervino Bastos.
Sua filha, a professora Nabiha Bestene, ex-vereadora por Rio Branco e secretária municipal de Educação de Rio Branco no primeiro mandato do prefeito Tião Bocalom, lembra o legado do pai e se emociona com o reconhecimento do governador Gladson Cameli ao nome de Jamil Félix Bestene. “Meu saudoso pai chegou no Acre em 1923, vindo do Líbano. Naturalizou-se brasileiro por amor a Xapuri, a querida ‘Princesinha do Acre’, onde constituiu sua família. Embora não tenha deixado riquezas materiais, deixou um legado moral sólido e duradouro, construído sobre trabalho honesto, solidariedade e afeto”, diz, emocionada, a professora.

Jamil faleceu em 2 de dezembro de 1980, poucos dias antes de completar 74 anos.
Investimento contou com a ajuda do senador Márcio Bittar – A construção da ponte é um investimento total de R$ 40 milhões, dos quais R$ 25 milhões são provenientes de emenda parlamentar do senador Márcio Bittar (PL-AC) e o restante, R$ 15 milhões, de recursos próprios do Governo do Estado. O executor da obra é o Deracre.

A inauguração da ponte, a maior obra física da história de Xapuri, o antigo povoado a partir do qual o coronel José Plácido de Castro fez eclodir a Revolução Acreana que afugentou os bolivianos que chamavam o povoado de Marchal Sucre, chega no momento em que a cidade, elevada à esta condição em 1905, completa 120 anos. Apesar do isolamento, ao longo desses 120 anos, Xapuri deixou de ser apenas um ponto no mapa do Acre para se tornar, definitivamente, em um símbolo de resistência, cultura e esperança.

Por décadas, Xapuri foi o coração pulsante da economia da borracha no Brasil, impulsionada pelo comércio vibrante das famosas “Casas Aviadoras”. As riquezas que saíam das florestas xapurienses ajudaram a movimentar o país, num empo em que às margens dos dois rios – Xapuri e Acre, que se encontram e dali se transformam num único tributário do rio Purus, que por sua vez vai desaguar no Amazonas, eram testemunhas do intenso vai e vem de embarcações carregadas de borracha, sonhos e expectativas. Era a pujança do comércio no coração acreano.

Do outro lado da margem do rio, viviam os seringueiros que ajudavam a abastecer o mercado da borracha na época. Viviam em meio à floresta, vindo tão pouco ao núcleo urbano que o total isolamento, com o tempo, passou a ser chamada de Sibéria, numa clara comparação ou referência à vasta região da Rússia que se estende do norte da Ásia até o Oceano Pacífico, limitada a oeste pelos Montes Urais. No gelado continente europeu, a região que empresta o nome à Sibéria tropical à margem do rio Acre no território acreano de Xapuri, é caracterizada por paisagens extensas, invernos rigorosos e vastas terras com rios longos como o Ienissei e Lena e por isso a definição Sibéria também pode se referir a um destino ou local de exílio, seja por punição ou por isolamento social, como resultado de sua reputação por ser um lugar remoto e inóspito. Na Rússia, até o século passado, era o local para o qual eram degradados os inimigos dos regimes de governo vigentes. Na Sibéria tropical de Xapuri, o degredo era pela pobreza e pelo isolamento entre as margens do rio Acre. Depois de mais de 70 anos de espera pelas populações locais, o isolamento terá fim.

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Obra vai beneficiar pelo menos 40% da população de Xapuri **- Não existem dados exatos e oficiais sobre a população específica da Sibéria, o bairro ou comunidade rural em Xapuri, disponíveis publicamente em fontes como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No entanto, estimativas não oficiais indicam que a região da Sibéria, que inclui o bairro e a área rural adjacente, concentra cerca de 1,5 a 2 mil famílias, representando aproximadamente 40% da população total do município de Xapuri, cuja população, segundo o Censo do IBGE de 2022, é de 18.243 pessoas. Com base nessa estimativa, a população da região da Sibéria pode ser calculada como uma porcentagem significativa desse total.

A história conta que a Sibéria tropical, em Xapuri, surgiu de um acampamento de seringueiros que pernoitavam para fazer compras nas antigas casas aviadoras do outro lado da margem do rio, segundo revela um dos moradores mais antigos da região, Alberto Fernandes de Souza, de 74 anos. Ele recorda o início do povoamento do local: “Fui um dos primeiros a amarrar um cavalo do lado da Sibéria para vir à cidade. Naquele tempo, o rio era a única estrada que tínhamos”, conta.

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**Mais de sete depois de espera, obra vai unir as margens do rio Acre**

**Gladson: “Tenho orgulho de ser um governador que construiu pontes e não muros” **- Com a entrega da Ponte Jamil Félix Bestene nesta sexta-feira, Xapuri se prepara para viver um dos momentos mais simbólicos de sua história recente — a travessia definitiva entre o sonho e a realidade, unindo não apenas as duas margens históricas, mas gerações inteiras de xapurienses. “Tenho muito orgulho desta minha passagem pelo Governo do Acre, nesses dois mandatos em que fizemos muito mas que, por problemas diversos, que vão desde a Pandemia do Coronavirus, lá no primeiro mandato, às crises que o Brasil passou no período e após, não podemos avançar mais. Mas, particularmente, hei de carregar para sempre o orgulho de ter sido um governador construtor de pontes. Enquanto em muitos cantos do mundo, os governantes fazem muros que separam as pessoas, no Acre nós construímos pontes. E isso muito me orgulha”, disse o governador Gladson Camelí.

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