**Tião Maia, O Aquiri **
É de derrota antecipada o clima entre o chamado Centrão do Congresso Nacional após o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei, aprovado na Câmara e no senado, que aumentava o número de 313 para 531 deputados federais.
Os congressistas que defendem o projeto sobretudo para impor uma derrota ao governo de Lula já trabalham coma ideia de que dificilmente o mesmo Congresso consiga derrubar o veto presidencial para que, enfim, a proposta pudesse vigorar. Caso o veto presidencial não seja derrubado, o aumento do número de deputados só poderá ocorrer se o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP), promulgar a lei como decreto legislativo, o que causaria enorme desgastes aos deputados e senadores que dizem combater o aumento de gastos pelo governo no país.
O fato é que o veto de Lula gerou um clima de frustração entre líderes do Centrão, que já consideram difícil reverter a decisão. A avaliação é que não haverá votação do veto em sessão conjunta do Congresso antes do recesso informal. O principal obstáculo é matemático: para derrubar o veto presidencial, são necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
Apesar de o texto ter sido aprovado com 270 votos na Câmara, no Senado teve apenas 41 votos favoráveis — exatamente o número mínimo. E isso só foi possível porque o presidente Davi Alcolumbre precisou abrir mão da presidência da sessão para votar, garantindo o quórum necessário.
Como o presidente do Senado não vota normalmente, a chance de repetir esse placar numa votação de veto é considerada remota.
“Além disso, já passou o prazo dado pela Justiça. Já era”, resumiu um líder partidário, em tom de derrota.
Nos bastidores, uma ala do governo chegou a sugerir que Lula não sancionasse nem vetasse o projeto — o que levaria à promulgação automática pelo presidente do Senado.
A ideia foi ventilada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, durante reunião com Lula nesta semana.
Mas prevaleceu o entendimento de ministros palacianos, que recomendaram o veto.
A avaliação foi de que o enfrentamento favoreceria o governo, principalmente após a divulgação da pesquisa Quaest de quarta-feira (16), que apontou rejeição da população à ampliação do número de parlamentares.
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Congresso revisasse até o fim de junho a distribuição de deputados por estado, com base nos dados do Censo 2022.
A medida atendeu a uma ação do Estado do Pará, e está ancorada na Constituição, que prevê representação proporcional à população, com mínimo de 8 e máximo de 70 deputados por estado.
A última revisão ocorreu em 1993, e a proposta aprovada pela Câmara e Senado previa o aumento do total de deputados de 513 para 531, para evitar que alguns estados perdessem cadeiras.
Assim, apenas aqueles que cresceram proporcionalmente ganhariam vagas — sem perdas para os demais.
Com o veto de Lula e a provável não derrubada pelo Congresso, caberá agora à Justiça Eleitoral revisar a distribuição das bancadas — sem aumento do número total de deputados.

