Ensino rural e indígena recebem reforço com entrega de escola revitalizada

**Tião Maia, O Aquiri**

“São os nossos estudantes que escreverão no futuro as novas páginas da história acreana. O acesso à educação para todos significa ainda um passo importante para diminuirmos as diferenças sociais do nosso estado. Uma formação escolar adequada é que vai gerar oportunidades para essa nova geração de acreanos e acreanas”, destacou.

A declaração foi feita pelo governador Gladson Camelí ao entregar, nesta terça-feira (25/11), totalmente revitalizada, a Escola Estadual Rural “Monte Alegre”, na Transacreana, zona rural de Rio Branco. De acordo com o governador, a entrega de escolas como esta reforça o compromisso do Estado sob seu Governo com crianças e jovens que moram em áreas de difícil acesso.
Com esta entrega, seu Governo chega a mais de R$ 30 milhões investidos em Educação,“para enfrentar os desafios da Amazônia, buscando estar cada vez mais próximo das comunidades, mesmo que elas estejam em áres indígenas e beiradas de rio”, conforme definiu Gladson Cameli. “Acredito em transformar vidas por meio da educação e que esta é a missão da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE),”, disse.

O secretário de Educação, Aberson Carvalho, que acompanhou o governador na entrega da escola revitalizada, ressaltou que a estrutura das escolas estaduais é uma responsabilidade assumida pelo governo. Segundo ele, cerca de 65% das unidades estão localizadas no campo, na floresta, em áreas ribeirinhas ou são indígenas.

“Ou seja, nós estamos falando aí mais de 400 escolas e 395 anexos. O que é que são anexos? Isso aqui é uma escola, mas existe sala de aula ao longo dessa estrada, que é uma pequena sala de aula onde você descentraliza pra ficar anexo de uma escola central. São 394. Essa magnitude, essa diversidade, colocando a escola na floresta, colocando a escola na comunidade, valorizando a população local, que ele fique na sua área, não vá pra cidade que os erros de 80, de 90, nós sabemos o efeito social que sofremos hoje, o governo descentraliza o seu processo de educação. Hoje, são 70 escolas indígenas, destas 70, nós já entregamos mais de 40 escolas para a população. Das escolas do campo, nós também já entregamos 48 e essa é uma demonstração de uma escola”, disse Carvalho.
Isso tem sido feito sob rigorosa fiscalização e cobranças do governador, cuja meta é a redução das desigualdades e a aproximação do governo com a população”, disse o secretário.

Na escola Monte Alegre, ´por exemplo, foram investidos R$ 343.568,41. Os investimentos são de fonte de recursos próprios do Estado e também do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

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**Governador fala aos estudantes e diz que eles v]ao escrever a história do Acre, no futuro**]

Estruturada em sala única, a escola “Monte Alegre” passou pela revitalização completa, o que passou a garantir aos estudantes conforto e segurança. O trabalho contemplou reforço estrutural, manutenção elétrica e hidráulica, adequação da cozinha às normas da Vigilância Sanitária, instalação de rampas acessíveis e extintores, além da pintura geral com a nova identidade visual institucional.
Na solenidade de entrega da escola revitalizada, a SEE destacou que os investimentos em educação têm alcançado até as regiões mais isoladas do Acre. No programa, foram aplicados R$ 30.642.572,84, dos quais R$ 18.038.500,66 em escolas rurais e R$ 12.604.072,18 em unidades indígenas. São atualmente 76 unidades escolares passando por intervenção. Do total, 48 foram concluídas. Outras 26 unidades escolares estão em execução.

Mais de 65% das escolas do estado são na zona rural ou ribeirinhas. As escolas rurais estão distribuídas nos municípios de Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Feijó, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Acrelândia, Assis Brasil, Brasileia, Bujari, Sena Madureira, Jordão, Xapuri, Senador Guiomard, Capixaba, Tarauacá, Plácido de Castro, Porto Acre, Porto Walter e Rodrigues Alves.

Escolas Indígenas, distribuídas nos municípios de Assis Brasil, Feijó, Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira, Rodrigues Alves, Porto Walter e Tarauacá, passaram por intervenção em 50 unidades. As que já foram concluídas são 24 unidades e em execução restam 26. Os povos indígenas atendidos pelas 50 unidades são da etnias Ashaninka, Huni Kuin, Shanenawa, Kulina, Jaminawa, Kampa e outros outros. Em comunidades distantes, a escola assume papel central, servindo como espaço para educação, saúde, cidadania e organização social.

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A escola revitalizada também ássou a ser um espaço de referência para a comunidade

No caso da escola “Monte Alegre”, a revitalização beneficia não apenas os alunos, mas também as famílias da Transacreana, estudantes da zona rural de diferentes municípios.

A revitalização da escola rural trouxe alívio e esperança para a comunidade. A professora Rosália Corrêa contou que, no início, a notícia foi recebida com surpresa, mas logo se tornou motivo de alegria. Segundo ela, o novo espaço garante um ambiente mais acolhedor para os alunos e melhora a qualidade do ensino.

“Antes, não havia estrutura adequada para as crianças”, disse, ressaltando que agora sente prazer em trabalhar e percebe que os estudantes também se sentem motivados a aprender.

Rosália explicou que o cotidiano é intenso. Os alunos chegam muito cedo, por volta das cinco da manhã, e ela precisa estar presente para recebê-los. Como gestora e professora, lida com cinco séries diferentes ao mesmo tempo, o que considera um desafio, mas também uma missão prazerosa. “É difícil, mas gratificante”, afirmou, lembrando que hoje a escola conta até com merendeira, algo que não existia quando começou a lecionar há 17 anos.

Além das dificuldades de ensino, há também os obstáculos de acesso. Ela relatou que, em períodos de chuva, precisa sair de casa às cinco da manhã e percorrer duas horas de viagem a cavalo até chegar à escola. Em dias mais secos, utiliza uma motocicleta, reduzindo o trajeto para cerca de 20 minutos. “Quando o mês de março chega, com as chuvas, eu venho a cavalo”, contou.

Para ela, o esforço vale a pena. “As crianças ficaram tão surpresas quanto eu com a nova escola. Hoje temos um ambiente que dá prazer de ensinar e de aprender”, disse, emocionada.

Comunidade comemora – A servidora escolar Jéssica Silva de Moura também destacou o impacto da revitalização na comunidade. Além de trabalhar na unidade, ela é mãe de uma aluna. “Vim agradecer e falar da melhoria que tivemos. Foi muito bom para todos nós. Sou mãe da estudante Ketlin e, antes, a situação era difícil: nossa professora precisava até atuar como segurança”, relatou ao saber da visita do governador à comunidade.

Segundo Jéssica, a nova estrutura trouxe mais tranquilidade e valorização para a comunidade escolar, garantindo melhores condições de ensino e convivência.
Moradora da comunidade da Transacreana, Maria Raimunda Sousa da Silva destacou a importância da revitalização da escola para as famílias locais. Ela contou que, embora não tenha filhos matriculados, duas de suas netas estudam na unidade. “Eu achei uma maravilha essa escola ter saído para essas crianças, porque estava para cair. Era um perigo, podia acontecer um acidente a qualquer momento. Agora está segura e bonita”, afirmou.

Maria Raimunda lembrou que o acesso também era difícil, já que o ramal estava em condições precárias, mas ressaltou que a melhoria da estrada e a nova estrutura escolar representam avanços significativos. “Melhorou 100%. Nós nunca esperávamos ter uma escola dessa para nossas crianças”, disse emocionada.

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**Aos 9 anos, a estudante Aurora Pinho adora ler e ficou encantada com a revitalização da biblioteca de sua escola
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Aurora Pinho, de 9 anos, estudante da escola, apaixonada por leitura ler e adora frequentar a pequena biblioteca da escola, agora reformada.. “Eu amo ler histórias e sou fã da Rapunzel. Amei tudo, mas a biblioteca ficou mais linda e divertida”, contou

O governador, ao falar à comunidade da Transacreana, destacou que tem sido tomado por alegria ao entregar obras importantes para a população. Ele ressaltou que não é possível pensar em desenvolvimento econômico e social inclusivo sem ter a educação como base.

Camelí disse ainda que a busca de uma educação de maneira igualitária para todos tem sido uma de suas prioridades na gestão, destacando o número de escolas que são alcançadas pelo Estado. “Isso me dá uma satisfação enorme, porque sempre que vou visitar uma aldeia, a primeira coisa que me pedem são escolas adequadas para que seus filhos e filhas possam estudar com dignidade”,acrescentou.

O governador ainda registrou agradecimento às associações e entidades sociais comunitárias rurais e indígenas, que, segundo ele, ajudam a orientar os gestores públicos sobre as necessidades da população.

**Desafios da Educação** — Fazer ensino rural na região amazônica, principalmente na zona rural, será sempre um desafio, disse o secretário Aberson Carvalho. Ele explicou ainda que o estado trabalha com três modelos de escolas: em alvenaria, mistas (madeira e alvenaria) e compactas, estas últimas com duas ou três salas de aula, como a unidade entregue na comunidade da Transacreana.

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