Em pelo menos 12 estados, governadores têm dúvida se renunciam para concorrerem ao senado com medo de traição de seus vices

O caso não é o de Gladson Cameli e Mailza Assis, que estão cada vez mais unidos e preparados para caminharem juntos na campanha de 2026

Governadores do Maranhão e de Rondônia temem ação de seus respectivos vices se renunciarem os mandatos em favor deles

Bem avaliado internamente ao ponto de o governador do Estado, Gladson Cameli, vir sendo apontado por todos os institutos de pesquisas como senador eleito com maioria absoluta de votos, o Governo do Acre, no momento em que governadores se preparam para se afastar dos mandatos para concorrerem ao Senado, está dando ao Brasil uma lição de união entre governador e vice. Em todo o país, dos 18 governadores que estão concluindo o segundo mandato e que pensam em se afastar para concorrem ao Senado, pelo menos 12 enfrentam problemas com seus substitutos imediatos, os vices que foram seus companheiros de chapa – o que, neste segundo mandato, nem de longe é o caso do governador Gladson Cameli e da vice Mailza Assis.

Nos estados onde há problemas dos governadores com seus vices, mesmo favoritos nas pesquisas, há dúvidas quanto ao afastamento. É o caso de  Carlos Brandão, governador do Maranhão, e de Marcos Rocha, em Rondônia.

Ambos resistem à ideia de entregar os cargos e a máquina administrativa que comandam nas mãos de seus respectivos vices por receio de traição.

Pior é o caso do Rio Grande do Norte, onde o vice Walter Alves tem comunicado que não vai assumir governo do Estado caso a governadora Fátima Bezerra (PT) de fato renuncie ao mandato para tentar voltar o senado em 2026. “Comuniquei que não assumirei o cargo de governador, com a possível renúncia dela. Também adiantei que sou pré-candidato a deputado estadual”, disse Walter Alves em nota à imprensa.

Em nota, o PT do Rio Grande do Norte informou que, diante da decisão do vice-governador, o partido vai apresentar uma candidatura ao Governo do Estado para o mandato tampão de abril a dezembro deste ano, no processo de eleição indireta que deverá ocorrer na Assembleia Legislativa.

“Estamos realizando todos os diálogos necessários com as forças políticas comprometidas com o Rio Grande do Norte para vencer essa disputa, com muita unidade interna e certos de que o Estado não pode ter sua estabilidade comprometida e precisa seguir com as políticas públicas e as obras que estão em andamento”, comunicou a nota assinada pela presidente estadual do partido, Samanda Alves.

Enquanto isso, neste segundo mandato, bem diferente do que vivenciou no primeiro mandato, com o vice Major Rocha, Gladson Cameli, com Mailza Assis, vive céu de brigadeiro. Já anunciou que vai renunciar no início de abril e que Mailza Assis assume como governadora titular e como pré-candidata ao Governo do Estado à sua própria sucessão, com o apoio do futuro ex-governador e candidato ao Senado.

 

União de Walter Alves e a governadora Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, ficaram no palanque da campanha

Além de ter feito um segundo mandato sob confiança absoluta em sua vice, Gladson Cameli vem anunciando que por tudo isso ela é sua candidata ao Governo e que não há mais como recuar em relação a isso ainda que outras pré-candidaturas, como a do prefeito Tião Bocalom, continuem acenando e pedindo o apoio do governador. “Avião, uma vez que decolou, não dar ré”, diz o governador, quando o perguntam sobre apoio à Mailza.

A união dos dois, no Acre, serve de lição à dúzia de governadores que enfrentam problemas com seus vices. Em alguns casos, alguns desses governadores, como rondoniense Marcus Rocha, repensam o futuro político e querem cumprir o restante dos mandatos e abandonarem a vida pública depois disso. Não é o caso de Gladson Cameli.

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