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Tião Maia, O Aquiri
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O empresário mineiro Marcos Valério, conhecido pelo escândalo do mensalão em 2006, voltou a ser alvo de uma operação policial do Ministério Público e da Polícia Civil de Minas Gerais nesta terça-feira (2/11). Valério é suspeito de envolvimento em um esquema de sonegação com atacadistas e varejistas de Minas Gerais. Ele foi condenado, em 2012, por ser o operador financeiro do escândalo do Mensalão. No momento, cumpria prisão domiciliar.
Marcos Valério nasceu em Curvelo, na região Central do Estado e Minas e era sócio das agências de publicidade e comunicação DNA e SMP&B Comunicação e Propaganda. A partir dessas empresas, passou a atuar como operador de esquemas de financiamento político e manobras financeiras ligadas a campanhas e recursos públicos, durante governos do PT. O esquema envolvia corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, entre outros crimes graves.
No julgamento do Mensalão, realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o tribunal reconheceu o envolvimento de Valério e de outros réus no esquema. Em dezembro de 2012, o STF condenou Marcos Valério a uma pena que, somando diversos crimes, ultrapassou os 40 anos de prisão. Além da prisão, foi aplicada uma multa de cerca de R$ 3 milhões pelos crimes pelos quais foi condenado.
Ao longo dos anos, ele também respondeu por outros processos — por exemplo, no chamado “Mensalão Mineiro”, relativo a irregularidades em campanha das eleições estaduais de 1998, quando foi condenado a 16 anos e 9 meses de prisão por peculato e lavagem de dinheiro. Após cumprir parte da pena em regime fechado, o condenado teve progressão de regime: primeiro o STF concedeu o regime semiaberto e depois, com base em lei e bom comportamento, o regime dele foi alterado para regime aberto — o que, de fato, passou a ser cumprido em prisão domiciliar, segundo decisões judiciais recentes.
Nesta terça-feira, a Operação Ambiente 186, realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), investiga um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo atacadistas e redes de supermercados no Estado, no qual seu nome novamente aparece como operador do esquema. O valor sonegado chega a mais de R$ 215 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) não recolhidos.
De acordo com as investigações, o esquema funcionava com a criação de empresas de fachada, emissão de notas fiscais falsas e simulação de operações interestaduais para reduzir preços e aumentar lucros ilícitos.
As buscas ocorreram em sedes de empresas e nas casas dos empresários e funcionários apontados como participantes do golpe. Celulares, eletrônicos, documentos e outros materiais que podem comprovar o funcionamento do esquema foram apreendidos, além de veículos de luxo utilizados para movimentar os valores ilícitos.
A Justiça determinou ainda a indisponibilidade de bens dos investigados no valor de R$ 476 mil.

