** Tião Maia, o Aquiri
Boa parte da arte e da vasta obra do letrista, compositor, cronista e músico Aldir Blanc, falecido em maio de 2020, de Covid, aos 74 anos, será mostrada ao público acreano na próxima sexta-feira (11/7), a partir das 20 horas, na Usina de Arte João Donato, em Rio Branco, com o show “Resposta ao tempo – Uma homenagem a Aldir Blanc”. O show será apresentado pela cantora Ana Kassia, que será acompanhada pela banda Arojazz. A outra boa notícia é que o ingresso é gratuito.
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Aldir Blanc era médico até o dia em que se assumiu artista e abandonou a medicina para tornar-se compositor e um dos grandes letristas da Música Popular Brasileira (MPB). Em 50 anos de atividade como letrista e compositor, foi autor de mais de 600 canções. Sua principal parceria se deu com João Bosco, em colaboração que se estendeu pela década de 1970 e parte da década de 1980 e foi considerada como uma das “duplas fundamentais da MPB”.
Mas Blanc teve cerca de 50 parceiros em sua carreira, destacando-se, além de Bosco, Guinga, Moacyr Luz, Cristovão Bastos, Maurício Tapajós e Carlos Lyra. Entre seus trabalhos mais notáveis como letrista estão as canções “Bala com Bala”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá”, “De Frente pro Crime, “Kid Cavaquinho”, “Incompatibilidade de Gênios”, “O Ronco da Cuíca”, “Transversal do Tempo”, “Corsário”, “O Bêbado e a Equilibrista”, “Catavento e Girassol”, “Coração do Agreste” e “Resposta ao Tempo”.
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Além de letrista, Blanc foi também cronista, tendo escrito colunas em publicações como as revistas O Pasquim e Bundas e os jornais O Globo, Jornal do Brasil e O Dia. Muitas dessas crônicas foram lançadas mais tarde como livros, como são os casos de “Rua dos Artistas e arredores”, “Porta de tinturaria” e “Vila Isabel, inventário da infância”. Torcedor apaixonado pelo Vasco da Gama, escreveu – em parceria com José Reinaldo Marques – o livro “Vasco – a Cruz do Bacalhau”. Ao longo de sua obra, são várias as referências – implícitas ou explícitas – ao Vasco.
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Nas Escola de Samba, era Salgueirense. Bboêmio por muitos anos, acabou se tornando uma pessoa quase totalmente reclusa em seu apartamento no bairro carioca da Tijuca. Segundo o próprio Aldir, sua reclusão era consequência de uma fobia social desenvolvida a partir de um grave acidente de carro, em 1991, que limitara os movimentos da perna esquerda. Em 2010, ao descobrir sofrer de diabetes tipo 2 e pressão alta, parou de fumar e consumir álcool. Em 2020, dias após ser internado em estado grave com infecção urinária e pneumonia, morreu em decorrência da COVID-19. Sua morte foi muito lamentada no meio artístico brasileiro.
Em sua homenagem foi inaugurado o Jardim Aldir Blanc, na Avenida Maracanã esquina com Rua Marechal Trompowski, na Muda Tijuca.
Mas, de todas as homenagens, a mais significativa foi a lei brasileira que leva o nome do artista e que visa atender ao setor cultural do país. A lei destina um valor de R$ 3 bi para apoiar o setor cultural, que foi mais afetado pelas medidas de isolamento social durante a pandemia do Covid 19 e que, quase cinco anos depois, ainda apresenta crises decorrentes daquele período. Trata-se da lei que institui a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura em parceria com todos os estados, o Distrito Federal e os municípios brasileiros.
Embora já tenha 20 anos de estrada sempre cantando em barzinhos no Acre, a cantora Ana Kassia não conhecia o artista, embora cantasse algumas músicas de sua obra a qual ela conhecia na interpretação de outros artistas, como João Bosco, Nana Cayme, Eli Regina e outros. Sobre como surgiu a ideia do show e da homenagem ao letrista, Ana Kassia conta que, depois de duas décadas cantando, ela passou a atuar também como produtora e assim teve acesso à produção de Aldir Blanc.
“A ideia surgiu durante a pandemia, quando eu percebi que surgiu a lei Aldir Blanque e eu não conhecia esse artista. Pensei: Por que fizeram uma lei com esse artista e eu não conheço? Ele deve ser muito importante, e foi pesquisando que descobri que eu já conhecia muitas músicas dele, mas não sabia que eram dele”, contou a artista. “Era um compositor muito popular mesmo. E agora eu tive a oportunidade de aprovar esse projeto pela PNAB, Política Nacional Aldir Blanc, e vai ser uma honra fazer esse show, trazendo as grandes composições dele, que foi consagrado por Elis Regino, João Bosco, Nana Caim, Djavan e outros. Então o show gira em torno das composições e com a interpretação desses artistas”, acrescentou.
De acordo com Ana Kassia, a banda Arojazz a acompanha em projetos culturais há muito tempo. “Somos uma banda de música brasileira e samba jazz. E tem essa pegada mais de improvisação, com o ritmo brasileiro. Então é uma coisa nova na cidade – pelo menos eu não conheço aqui outra banda de samba jazz. Então vale muito a pena quem chegar lá no show para me prestigiar, vai gostar muito. Eu acredito que o trabalho está sendo feito com muito carinho, com muito esforço e a entrada no show é gratuita, livre, à toda a comunidade”, disse.
**Serviço**
***O que é – show musical com interpretação de canções populares com voz e instrumentos diversos
Onde – usina de Artes João Doanto, no Distrito Industrial, em Rio Branc-AC
Quando – dia 11 de julho, a partir das 20 ***
**Entrada livre**

