**Tião Maia, O Aquiri**
Apesar de o senador Alan Rick (prestes a se filiar no Republicanos) aparecer bem nas pesquisas de opinião pública em relação às eleições para o Governo do Estado em 2026, como nos últimos números apurados pelo Instituto Paraná Pesquisas, que colocou o parlamentar quase ganhando o governo acreano no primeiro turno, ainda é muito cedo para os aliados de sua candidatura estarem comemorando. Também é cedo para os demais postulantes já se sentirem derrotados – exceto em relação ao candidato dos partidos de esquerda para o qual não há perspectiva de maior crescimento.
A opinião é do cientista político formado pela Universidade Federal do Acre (Ufac), José Denis Santos, CEO licenciado do Instituto Data Control, que tem acertado praticamente todas as pesquisas feitas em várias eleições estaduais e municipais no Acre ao longo dos últimos 29 anos. O Data Control, fundado em 1997, em quase três décadas de levantamentos, tem mostrado aos olhos dos políticos detalhes invisíveis que só a ciência, apurada com rigor técnico, é capaz de mostrar.
É do alto desta experiência que José Denis diz que é muito cedo para comemorações ou abatimento em relação aos três pré-candidatos que efetivamente deverão disputar o governo do Acre em 2026 – além de Alan Rick, aparecem o prefeito Tião Bocalom (PL) e a vice-governadora Mailza Assis (União Progressistas), que é a pré-candidata declarada do atual governador Gladson Cameli, o mesmo que, segundo os números do Paraná Pesquisas, detém quase 70% de aceitação popular e aparece liderando as pesquisas de intenção de voto para o Senado como o favorito a uma das duas vagas. O quarto candidato, correndo por fora pela federação partidária formada elo PT, PSB, PcdoB e PV, é o médico Thor Dantas, que apareceu nas mesmas pesquisas do Instituto Paraná com percentual abaixo de 5%. Alan apareceu com 44%, na frente de Bocalom, com 24% e Mailza Assis na casa dos 17%.
Num espaço político em que só cabem dois candidatos, o segundo turno da eleição, José Denis chega a afirmar que, os três principais pré-candidatos têm chances de passare do primeiro turno, diz o cientista, cuja equação ele explica na entrevista a seguir:
**Como é possível haver três candidatos num lugar em que a legislação eleitoral só permite dois?
José Denis** – Eu não disse isso exatamente. O que eu disse é que, estatisticamente, os três principais têm chances de irem ao segundo turno. Ainda é cedo, porque a campanha nem começou, para se apontar quais são os dois dos três passarão ao segundo turno. O que quero dizer com isso é que dificilmente, a se confirmar essas candidaturas todas, a eleição não será definida no primeiro turno.
**Mas os aliados do senador Alan Rick e ele próprio, que foi às redes sociais agradecer ao povo do Acre e a Deus pelos percentuais obtidos na Pesquisa do Instituto Paraná, falou como se a eleição fosse decida em primeiro turno. O que o senhor diz sobre isso?
José Denis **– Diria que é muito cedo para se apostar nisso. O senador Alan Rick aparece bem em todas as pesquisas porque ele tem uma memória eleitoral de quem já participou de eleições, duas de deputado federal e uma majoritária, de senador, em 2022, além de vir fazendo uma pré-campanha há mais de dois anos. Isso não quer dizer que o senador esteja eleito nem derrotado. E nem a vice-governadora com seus 17% na mesma pesquisa também não está eleita nem derrotada. O processo nem começou ainda. O processo está em fase preliminar. Mas vejo que a senhora Mailza Assis está em um crescimento constante. E o prefeito Bocalom, quando começar a campanha de fato, com ele fora da Prefeitura e swem mandato, não sei se manteria os números que vem obtendo até aqui. A tendência ´que ele, sem estrutura e sem mandato, tenha dificuldades para enfrentar adversários como um senador no exercício do cargo e uma outra candidata no exercício da titularidade do Governo do Estado. Vai ser uma dificuldade para ele enfrentar este quadro.**
**Então, o senhor acha que a tendência do senador Alan Rick e do prefeito Bocalom é cair nas
pesquisas?**
José Denis **– Não diria que é isso o que vai acontecer. O que digo é que a tendência é que a disputa se torne mais equânime. A candidatura da vice Mailza Assis só tende a crescer, segundo os números que as pesquisas apontam. Lembrem que ela saiu de apenas 3% e há um ano da eleição já conta com mais de 17%, com um crescimento vertiginoso que chegou a dois dígitos em todas as pesquisas, sem ainda ter colocado o pé na estrada como pré-candidata. Esse crescimento é dela, das suas ações e da credibilidade que ela passa como vice-governadora e pessoa da confiança do governador Gladson Cameli. Então, ela vai crescer muito mais. Ea crescedo, claro, que tira intenções de votos das outras candidaturas, incluindo a de Balom.
**A vice- governadora Mailza é bem lembrada quando as pesquisas são feitas de forma espontânea, quando o leitor é convidado a falar de forma aleatória em que votaria se a eleição fosse hoje. O senhor concorda com isso?
José Denis **– Não é que eu concorde ou não. São os números que mostram. Nesta condição, quando os nomes dos pré-candidatos, espontaneamente, o nome dela é citado. Se a gente tirar nomes que efetivamente não são candidatos, como é o caso do governador Gladson Cameli que não pode legalmente se candidatar a um terceiro mandato, ela aparece em segundo lugar, bem encostada em Alan Rick. Nesse quesito o prefeito Bocalom já fica para trás;
**Os votos aferidos nas pesquisas espontâneas e atribuídos ao governador Gladson Cameli, que não pode concorrer mais a um terceiro mandato em 2026, então passaria para ela, Mailza Assis?
José Denis** – Eu não diria que o governador Gladson Cameli consiga transferir 100% dessas intenções de voto. Mas, não podendo ser ele candidato, apontando Mailsa como a substituta dele, com certeza a transferência dessa intenção de voto chega aos 70% a 80%. É neste sentido que ela pode crescer e até ultrapassar os demais pré-candidatos.
E como é que o senhor analisa a possível candidatura do prefeito Tião Bocalom? Ele tem a maior rejeição, embora pareça aqui e pular em segundo lugar. Como é que o senhor analisa isso? Ele aparece como o pré-candidato mais rejeitado, não é?
José Denis – A rejeição do prefeito Bocalom não é um fator limitante para a eleição de qualquer candidato. É uma rejeição que está em torno de 25%, 27%, 28%, abaixo de 30%. Então isso não seria um fator limitante para uma eleição, principalmente uma eleição que é disputada em dois turnos, com certeza, em se mantendo as candidaturas que estão postadas, fatalmente teremos um segundo turno.
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**José Denis, Ceo do Data Control**
**Então, na sua avaliação, a pesquisa do Instituo Paraná está correta?
José Denis** – A pesquisa está totalmente coerente. Inclusive, retrata números muito semelhantes ao que nós produzimos no início do mês. Então, eu não vejo nenhuma inconformidade na pesquisa, está normal. O senador Alan Rick já vem com números na frente há algum tempo. É lógico que ele está variando um pouco negativamente, mas a política é isso. Ainda não há uma definição de candidaturas.
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Agora, o senhor acha que é possível dizer hoje que a senhora Maiusa estaria no segundo turno?
José Denis** = Hoje dá pra cravar nada, mas eu diria que os três têm condições de estar no segundo turno.
**Mas só cabem dois na disputa
José Denis** – De fato, sí cabem dois, mas eu disse, ressalte, têm condições. Eu não disse que estarão os três no segundo turno.
**E a candidatura do médico Thor Datas tem alguma chance de crescer?
José Deis** – Esta é uma candidatura muito difícil para o instante em que a esquerda, os partidos de esquerda, estão sendo muito combatidos no Acre, como mostram as pesquisas. Ele tem, veja só, 4% e terá muita dificuldade para chegar a dois dígito, embora possa crescer. Qualquer candidatura, na linha da esquerda, fica muito difícil prosperar. Muito difícil.

