**Dilson Ornelas, do Rio de Janeiro**
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez um gesto obsceno com o dedo médio, na noite da quarta-feira (30), em um camarote, durante a partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil 2025, entre Corinthians e Palmeiras, na Neo Química Arena, em São Paulo. O gesto foi captado pela lente de Alex Silva (Estadão).
Aparentemente o ministro reagia a uma manifestação de vaia ou gritos de desaprovação ao seu trabalho no STF, onde julga o ex-presidente Bolsonaro e seus aliados num inquérito por suposta tentativa de golpe, após a eleição do presidente Lula.
Algumas horas antes de assistir o holandês Memphis Depay marcar o único gol na vitória do Corinthians sobre o Palmeiras em partida válida pela Copa do Brasil, em um dos camarotes do estádio, Moraes foi sancionado pelo governo dos Estados Unidos com a chamada “Lei Magnitsky”.
**O que muda na vida de Moraes?**
Moraes terá várias restrições, desde o uso do seu IPhone até o uso de cartões de crédito e débito. Se o ministro tiver bens nos Estados Unidos, eles estão automaticamente bloqueados, e não pode mais entrar naquele país. Especialistas costumam classificar a medida como “pena de morte financeira”.
A lei proíbe instituições financeiras de manter contratos de crédito com pessoas punidas, o que inclui cartões de crédito, débito e outras formas de financiamento com cartões com bandeiras de empresas como Visa, Mastercard e American Express.
A Lei Magnitsky prevê medidas contra agentes que, na avaliação de Washington, reprimem denúncias de corrupção, cerceiam liberdades fundamentais ou atuam contra eleições democráticas.
Alexandre de Moraes poderá ter dificuldade para movimentar contas até mesmo de bancos brasileiros. Porque bancos de qualquer país que mantêm contas ou cartões para pessoas punidas pela Lei Magnitsky podem ser alvo de sanções.
Sendo assim, o risco se estende também a bancos brasileiros, inclusive públicos, que tenham escritório nos Estados Unidos e atuem em operações de câmbio. Vários bancos brasileiros têm operações por lá. Para evitar riscos, essas empresas podem, no limite, optar por encerrar o relacionamento com o ministro.

