Chico Araújo, de Brasília
Recentemente, a Polícia Federal – PF, em parceria com a Controladoria-Geral da União – CGU, deflagrou a Operação Gracob tendo o deputado federal Eduardo Velloso (União/AC) como principal alvo. A investigação apura o desvio de cerca de R$ 912 mil em recursos públicos oriundos de emendas parlamentares do tipo “emendas PIX”, que facilitam repasses diretos sem a necessidade de prestação de contas prévia. As irregularidades apontadas incluem fraudes na contratação de uma empresa para a realização de shows musicais, custeados pela Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira (AC), com pagamentos antecipados que violam a legislação vigente.
Para aprofundar as apurações, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, em endereços vinculados ao deputado em Rio Branco e em seu apartamento funcional em Brasília, além de outros locais no Acre e no Distrito Federal. Os crimes sob escrutínio abrangem associação criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro, configurando um potencial prejuízo aos cofres públicos. Esse episódio ganhou ampla repercussão ao expor supostas falhas graves no sistema de repasse de verbas federais, levantando questionamentos sobre a integridade de mecanismos destinados a beneficiar comunidades locais.
Apesar do impacto dessa operação, nem todos os líderes políticos do Acre parecem inclinados a alterar suas práticas. Há apenas duas semanas, um parlamentar local manteve negociações com um prefeito do interior do estado para a liberação de recursos de suas emendas. No início, o diálogo seguiu um tom rotineiro e profissional, focado nos trâmites burocráticos necessários.Contudo, o rumo da conversa mudou abruptamente, assumindo tons nitidamente antiéticos. Sem o menor pudor e convencido de sua impunidade, o deputado cobrou uma “comissão” de 30% sobre o valor total a ser repassado ao município — nada menos que uma exigência explícita de propina. Sob pressão, o prefeito evitou uma resposta direta, nem aceitando nem rejeitando a proposta indecente de imediato.
Dias após o encontro, em um bate-papo informal com amigos, o prefeito desabafou sobre o episódio de extorsão. Rumores circulam de que a solicitação de propina foi registrada em gravação, o que poderia complicar ainda mais o cenário político regional. Essa narrativa me chegou por intermédio de um amigo jornalista, com quem mantenho laços há quatro décadas, reforçando a credibilidade da informação em um contexto onde os bastidores da política são frequentemente expostos.
Como bem costumava afirmar o saudoso José Chalub Leite, o Zé Leite, meu editor no jornal O Rio Branco durante os áureos tempos dos Diários Associados: “O Acre é terra de muros baixos, onde tudo se sabe”. Pois é… Em um lugar assim, escândalos como esses raramente ficam encobertos por muito tempo, servindo como lembrete de que a vigilância constante é essencial para combater a corrupção enraizada.

