Tião Maia, O Aquiri
Começou, na manhã desta sexta-feira (11), em Paranatinga, interior de Mato Grosso, o julgamento do acreano Djavanderson de Oliveira de Araújo, 21 anos, acusado pelo assassinato de Juliana Valdivino da Silva, então com 18. O acusado enfrenta o Tribunal do Júri Popular por crime de feminicídio por matar a mulher ateando gasolina e fogo em seu corpo, com ela ainda viva.
O crime ocorreu em setembro do ano passado, na casa em que o casal de acreanos d Porto Acre vivia em Paratinga, cidade localizada no Pantanal, de população de 30 mil pessoas e a 381 quilômetros de distância de Cuiabá. Juliana teve 90% do corpo queimado e morreu 15 dias depois lutando pela vida num hospital local. Seu corpo foi trazido para o Acre e ela está sepultada em Rio Branco.
A família de Juliana vai acompanhar o julgamento por videoconferência disponibilizada pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJ-MT), já que os parentes da vítima temem ir à cidade porque o acusado tem ligações com facções criminosas.
De acordo com a mãe de Juliana, Rosicléia Magalhães, a história do namoro que levou sua filha à morte parece uma novela. Mas de horror. O casal se conheceu quando ambos ainda eram adolescentes, quando estudavam juntos numa escola do município de Porto Acre, a 70 quilômetros da Capital Rio Branco. Entre namoro e morte da vítima, a relação durou ao menos três anos.
Ainda no Acre, quando a filha reclamou a mãe do ciúme e agressões do namorado, ela decidiu tirá-la de Rio Branco e a enviou para a casa de uma irmã, que mora em Paranatinga. Oito meses depois, Rosicléia Magaçhães foi informada que Djavanderson de Oliveira de Araújo também havia se mudado para o Mato Grosso. “Mas não imaginei que era justamente para a cidade onde estava minha filha”, revelou a mãe.
Foi com surpresa que Rosicleia recebeu, por telefones, informações de que o casal havia reatado e que noivamente Juliana sofria perseguições e maus tratos. Decidiu então instruir a filha a voltar para Rio Branco e lhe prometeu a aquisição das passagens, recomendando que Juliana registrasse uma queixa em boletim de ocorrência a fim d eobter uma medida protetiva.
No entanto, de algum jeito, Djavanderson de Oliveira sabia de tudo que se passava em torno da namorada. A suspeita da família e da própria Polícia é que ele tivesse clonado o telefone de Juliana e ouvia suas conversas. Por isso, sabendo que mais uma vez ela fugiria de sua vida, no dia 16 de setembro de 2024, conseguiu atrair Juliana para sua casa e executou o plano de mata-la, incendiada. Para isso, dias antes ele havia comprado gasolina num posto, descobriria a Polícia no decorrer das investigações.
Na hora do crime, Djavanderson de Oliveira também derramou o combustível, não se sabe ainda se por acidente ou proposital, e também sofreu queimaduras. Mesmo comn 50% do corpo queimado, ele recebeu voz de prisão quando ainda estava internado no hospital.
Dez meses após o crime, enfrenta o Tribunal do Júri Popular. O resultado do julgamento deve conhecido ainda nesta sexta-feira.

