Em audiência de custódia neste domingo, Boloanaro disse que estava ouvindo vozes vindas da tornezeleira

**Tião Maia, O Aquiri**

Na madruga da última sexta-feira (21/11), goras antes de ter sua prisão preventiva decretada pelo risco de que poderia tentar fugir do país, o ex-presidete Jair Bolsonaro, em visível estado de confusão mental, tentou de fato atear fogo na tornezeleira eletrônica fixada em sua perna esquerda. É o que diz seu boletim médico apresentado pelos advogados defesa intimados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal) a esclarecerem a tentativa de destruição do equipamento. “Taquei ferro, ferro de solda”, disse o ex-presidente divulgado pela Polícia Federal quando ele era inquirido por uma funcionária que responde pela divisão de monitoramento do sistema eletrônico e presos.

A tese de problemas mentais voltou a ser difundida neste domingo (23/11), pelo próprio Bolsonaro ao declarar, durante uma audiência de custódia, que teve uma alucinação de que haveria uma escuta em sua tornozeleira eletrônica e também uma “certa paranoia”, que o motivaram a danificar o equipamento com um ferro de solda.

O ex-presidente disse que agiu sozinho e que o equipamento que usou já estava em sua casa. Ao final do depoimento, a prisão preventiva de Bolsonaro foi mantida.
A versão de que Bolsonaro está mesmo fora de suas faculdades mentais ganhou força após o vídeo em que o ex-presidente admite ter “metido ferro” na tornozeleira vir à tona. Aliados de Jair Bolsonaro afirmam que ele estava em “surto” quando usou o ferro de solda para tentar romper a tornozeleira. Pessoas próximas à família dizem que Bolsonaro acreditava estar “ouvindo vozes vindas do aparelho”.

Antes disso, alguns aliados negaram publicamente a violação, citada pelo ministro Alexandre Moraes para decretar a prisão do ex-presidente. À Folha de S.Paulo, Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente, disse que não passava de “história da Chapeuzinho Vermelho”.
Líder do PL na Câmara, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ) afirmou ao Estadão que o episódio mostra como o estado emocional de Bolsonaro está “totalmente alterado”.

Aliados afirmam, porém, que Bolsonaro sofreu um surto, mas não planejava fugir. Dizem que, se essa fosse a intenção, ele teria removido a tornozeleira na hora de sair, e não 24 horas antes.

“Se você estivesse com uma tornozeleira eletrônica e quisesse fugir em meio a uma vigília, mexeria no computador de monitoramento do equipamento 24h antes do evento ou cortaria rapidamente o aro segundos antes da fuga, com tudo pronto para zarpar?”, questionou o deputado estadual Lucas Bove (PL), aliado de Bolsonaro, pelas redes sociais.

Questionado sobre as imagens do relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do governo do Distrito Federal enviado ao STF, do objeto danificado, o advogado Paulo Bueno, representante de Bolsonaro, disse somente que a tornozeleira foi colocada para “causar humilhação” ao ex-presidente.

O relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do governo do Distrito Federal apontou que o equipamento possuía queimaduras em toda sua circunferência. O documento diz que uma violação na tornozeleira foi detectada às 00h07 de sábado. O sistema de monitoramento da tornozeleira acionou imediatamente a equipe de policiais penais que faziam a escolta da residência do ex-presidente.

“Meti ferro quente aí. Curiosidade. (…) Ferro de solda”, disse Bolsonaro a uma policial. O ex-presidente afirmou ainda não tentou romper a pulseira. “Não rompi a pulseira não. Está tranquilo aí.”

Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde esta em uma sala de Estado.

Na decisão que determinou a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Ministro Alexandre de Moraes destacou dois fatores técnicos cruciais: a notificação de violação da tornozeleira eletrônica e o risco iminente de fuga para embaixadas em Brasília. Ele estabeleceu protocolos rígidos para a execução do mandado, visando preservar a imagem e a integridade física do ex-presidente, que fosse realizada com respeito e sem algemas.

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