Tião Maia, O Aquiri
É de apreensão o sentimento de médicos, técnicos e outros profissionais de saúde que atuam na região do Alto Acre, onde estão os municípios de Epitaciolândia e Brasiléia, na fronteira com a Bolívia. É que, nos últimos dias, na cidade boliviana de Cobija, capital do departamento de Pando, foram registrados entre a população local pelo menos 80 casos de sarampo e o temor das autoridades brasileiras é que o surto possa cruzar a linha de fronteira e atacar a população local. O sarampo é uma doença infecciosa grave que pode causar sintomas como febre, tosse, corrimento nasal, conjuntivite e manchas avermelhadas no corpo, que não coçam. A doença é transmitida por meio do contato com secreção contendo o vírus, que é transmitida pelo doente ao falar, tossir ou respirar. A principal forma de prevenir o contágio é através da vacinação.
[IMAGEM:https://pqbzoghteupmaeofvgvg.supabase.co/storage/v1/object/public/images/article-content-1752087657966-WhatsApp%20Image%202025-07-09%20at%2014.44.28.jpeg]
*****Autoridades de saúde do Acre recomendam prevenção com vacinação*****
O Brasil está recertificado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) como país eliminação do sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita. Desde 2022, o país não registra nenhum caso de sarampo, o que não é o acaso da Bolívia, país recorrente no registro de tais doenças. A relação de fronteira e de conviência plena entre brasileiros e bolivianos na região de fronteira é a causa das preocupações das autoridades médicas do Acre.
Desde o ano 2000, o Acre segue sem registrar casos de sarampo. Entretanto, após a confirmação de 80 casos na Bolívia, a vigilância na fronteira tem sido fortificada. Profissionais da saúde que atuam na região destacam as medidas adotadas em relação á prevenção. “Toda nossa rede assistencial, tanto a rede hospitalar como os nossos laboratórios estão preparados. Inclusive, a vigilância está trabalhando com o fortalecimento das nossas vigilâncias nas unidades hospitalares para que a gente possa em 72 horas ter resultados laboratoriais em caso de suspeita de sarampo. É um vírus que tem uma alta transmissibilidade. Ele é muito mais transmissível do que até o próprio Covid. Então, nós precisamos ter muito cuidado com relação a isso devido justamente a essa entrada e saída de pessoas na região de fronteira”, disse a coordenadora estadual do Programa Nacional de Imunizações, Renata Quiles.
A orientação é que a população fique atenta a possíveis sintomas, caso haja suspeita, é importante procurar uma unidade de saúde imediatamente. O período de incubação vai até 14 dias e pode evoluir para um quadro muito mais grave, com pneumonia, com meningite e até óbito. Apesar de ainda não registrar nenhum caso, a epidemia que acontece no país vizinho acende o alerta para o Acre, principalmente por ter municípios de fronteira. Ainda que existam as medidas de vigilância, é importante que a população seja vacinada, especialmente crianças, que podem ter complicações mais graves. A baixa cobertura vacinal é uma das principais preocupações para a população.

