Na primeira entrevista para O Aquiri, Tião Bocalom abre o jogo

**Tião Maia, O Aquiri**

O primeiro encontro presencial do prefeito das Capital, Tião Bocalom (PL), com o mais novo site de notícias do Acre, **O Aquiri,** fundado há três meses, resultou numa longa entrevista. O prefeito falou de política, sobre a possibilidade de renunciar ou não ao cargo para ser pré-candidato a governador nas eleições de 2026, além de falar sobre seus prováveis adversários, a vice-governadora Mailza Assis (União Progressistas) e o senador Alan Rick (ainda no União Progressistas), da crise no sistema de transporte coletivo e no sistema de abastecimento de água potável e outros assuntos.

Uma entrevista no modo Bocalom de ser e na qual o prefeito só baixou a guarda ao falar do recente prêmio que sua gestão recebeu em Brasília – uma espécie de reconhecimento com atestado público concedido pelo Tesouro Nacional segundo o qual Prefeitura de Rio Branco tem boa saúde financeira e é uma gestão confiável do ponto de vista contábil.
Os principais trechos da entrevista estão a seguir:

**Prefeito, esse prêmio que o senhor acaba de receber em Brasília tem qual significado? Qual é a importância disso para a gestão?**

**Tião Bocalom** – Primeiro de tudo, quero dizer que para nós, para Rio Branco, foi uma felicidade muito grande a gente poder receber esse prêmio. Porque não é um prêmio qualquer. É um prêmio concedido pelo Tesouro Nacional. É um reconhecimento do Tesouro Nacional do trabalho que a gente vem fazendo aqui na nossa Rio Branco. Rio Branco nunca tinha sido capaz de cuidar inteiramente de suas próprias finanças. Sempre esteve financeiramente à sombra do Governo do Estado, como não tivesse capacidade de pagamento. E nós não ficamos no prêmio só na condição A. Ficamos na condição A +. Podemos mostrar que, do Brasil, estamos entre as seis capitais melhor avaliadas. As seis principais cidades foram Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), João Pessoa (PB), Vitória (ES), Maceió (AL) e Rio Branco (AC), que receberam o prêmio. Ficamos atrás apenas de Salvador, Belo Horizonte, João Pessoa, Vitória e Maceió. Isso é decorrente da nossa disciplina, a disciplina na gestão pública. Mas a disciplina é o quê? De a gente gastar só quando tem. Nós aqui, na nossa gestão, nunca aceitamos a história de gastar o que não tem. Primeiro a gente consegue juntar o recurso e aí a gente toma a decisão do que foi planejado para poder gastar. É por isso que Rio Branco apresenta obras com recursos próprios desde 2023.

****Rio Branco nunca tinha sido capaz de cuidar inteiramente de suas próprias finanças. Sempre esteve financeiramente à sombra do Governo do Estado, como não tivesse capacidade de pagamento.

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**Há quem assegure que, quando há saúde financeira na gestão pública, isso abre portas para investimentos privados. É isso que sua gestão está buscando?**

**Tião Bocalom** – Isso pode ajudar em portas para investimento privado também. Quando você tem um município com a economia boa, como está acontecendo hoje, com a gestão pública boa, a tendência é que a iniciativa privada também vá junto. Exemplo: as empresas que trabalham para a Prefeitura de Rio Branco não deixam de receber dentro do prazo correto, e o preço que a gente paga é sempre o preço real. Não tem superfaturamento no nosso trabalho, e com isso as empresas ganham o que é delas. E uma das coisas que eu nunca aceitei aqui e já ouvi dos próprios empresários, que sempre se teve a mania de a gente pagar, mas tinham que devolver. Com a nossa gestão acabou essa história de pagar e devolver uma parte. A empresa trabalha e recebe o certo, no tempo certo.

*****(Sobre transporte coletivo) “O povo que está hoje criticando a nossa gestão é exatamente o povo que apoiava aquele sistema que era antigo” *****

**Prefeito, mas apesar dessa saúde financeira, apesar de toda lisura que o senhor está relatando, há, por parte da oposição e inclusive de aliados seus, muitas críticas em relação aos apostes financeiros que são feitos às empresas de transporte coletivo, que atuam com os ônibus efetivamente ruins, prestando um péssimo serviço, e no entanto, a Prefeitura e o senhor continuam aplicando dinheiro público nessas empresas. Qual é a sua resposta para essas críticas?**

**Tião Bocalom **– Minha resposta a essas críticas é muito simples: então peça para eles trazer para cá uma empresa que trabalha pelo preço que essa que está trabalhando.

**Prefeito, me desculpe, mas quem tem que fazer isso, trazer empresas para prestar um bom serviço, é o senhor. Foi o senhor que foi eleito prefeito prometendo resolver esse problema. Foi o senhor que foi eleito e, portanto, a responsabilidade é sua.**

**Tião Bocalom** – Não, não, presta atenção: É muito simples. Acontece que esse povo que está hoje criticando a nossa gestão é exatamente o povo que apoiava aquele sistema antigo. Você sabe quanto custava o óleo diesel em 2021, quando eu entrei aqui, que as empresas trabalhavam? R$ 3,60. Quanto custava a passagem? Quanto custa o óleo diesel hoje? Quase R$ 8,00. R$ 7,80, R$ 7,70. Quanto custa a passagem? R$ 3,50.

**Mas a Prefeitura vai continuar passando dinheiro às empresas de transporte coletivo?**

**Tião Bocalom **– A Prefeitura não passa dinheiro às empresas. A Prefeitura faz o aporte e com isso a passagem vai agora, com esse aporte que a gente está solicitando agora, vai chegar a F$ 7,13. Vai está abaixo dos R$ 8 reais. Quanto seria a passagem hoje se esse pessoal continuasse aqui?

**Mas não seria melhor pegar os recursos públicos e empregasse em empresas melhores, para uma melhor prestação de serviço?**

**Tião Bocalom** – As empresas que estavam aqui antigamente, eram empresas (de frota de ônibus) que eram muito mais velhas do que as que estavam trabalhando hoje. Ou se esqueceram que as empresas que estavam aqui, (tinham ônibus) com as portas caindo todo dia?

**Então o senhor está satisfeito com a prestação de serviço no transporte coletivo da cidade que o senhor administra?**

**Tião Bocalom** – Claro que eu não estou. Só que tem uma coisa: pelo preço que a gente está pagando, não dá para exigir mais. É isso que eu estou dizendo. Se vier uma empresa com ônibus novos, com tudo de bom, evidentemente, que vai ter que aumentar o valor (da tarifa).

**E quanto já foi investido no município nessas empresas? **

**Tião Bocalom** – Não, não foi investido nas empresas. Pare com essas perguntas que querem sacanear com a gente. Não, não. Não foi investido nas empresas. Foi investido na população. Porque no momento em que a Prefeitura paga a diferença da passagem, essa diferença da passagem quem teria que pagar? Quem seria? Não é o usuário? Ou você acha que as empresas privadas trabalham de graça, igual o poder público faz?. Essa é a diferença. Então, essa crítica que ficam fazendo não tem nenhum fundamento. Porque se fosse continuar como era antigamente hoje a passagem seria R$ 8 e quem estaria pagando era o usuário mais pobre. E, no entanto, hoje continua R$ 3,50 e vai chegar a s bem abaixo dos R$ 8. Entendeu? Somos a cidade onde o usuário continua pagando R$ 3,50 e a Prefeitura paga a diferença. Quem paga essa diferença? Todo mundo. Não sai só da costa do pobre. Porque quando você bota tudo para o usuário pagar, são os mais simples, mais humildes que tem que andar de ônibus. Quem tem dinheiro anda no seu carro, anda na sua moto. Agora, quem não tem, anda de ônibus. Então, o que a gente fez? Tirou das costas do usuário. Então, essa é a história que falam: – Ah, por que aproveitou que está dando dinheiro para a empresa… ? Que dinheiro é dado para a empresa? Quando? Nós estamos subsidiando o mais pobre, é isso. E isso tem alguma coisa de errado aí?

**Então vai ter aumento nos próximos dias?**

**Tião Bocalom **- Na Câmara Municipal há um pedido de recomposição de mais um real, que vai chegar a 7,13, não é isso? Sim, 7,13. É, vai chegar a 7,13. Não vai chegar nem nos 8 que naquela que o era velho ônibus de portas caindo custava quatro reais e o diesel custava R$ 3. Então, se o diesel tivesse ido para R$ 7,00 – porque toda vez que subia o diesel, você lembra da confusão que dava. Subia o óleo diesel, subia a passagem. Então, se hoje o óleo diesel que está a R$ 7,80, R$ 7,70, a passagem teria que custar mais de R$ 4,00, porque R$ 3,60 com R$ 3,60 daria R$ 7,20.

**E a licitação para a contratação de novas empresas para o transporte coletivo?**

“******Sou candidato a ser prefeito, a continuar realizando grandes obras e ganhando prêmios como agora. Política a gente só discute no ano que vem”
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**Tião Bocalom **- A licitação está andando. Acontece o seguinte: tivemos que alterar a lei, para poder fazer a mudança porque o Brasil inteiro está com problema no setor de transporte coletivo. Em todo o Brasil tem empresas que estão entregando as concessões. A gente está sabendo disso porque que parece que a própria Eucatur está querendo entregar não sei em qual cidade, se é em Manaus, mas está entregando.

**Agora, quero fazer uma pergunta de cuinho político: o senhor é ou não candidato a governador em 2026? Ou o senhor não fala sobre isso?**

**Tião Bocalom** – Sou candidato a continuar cuidando bem das obras, fazendo obras boas, né? E tudo isso sobre eleição só vai ser discutido o ano que vem. Esse ano eu sou candidato a continuar cuidando bem do dinheiro público, continuar ganhando prêmios, assim como a gente ganhou, para mostrar que se não roubar o dinheiro dá. Inclusive eu estou ouvindo isso muito da população como um todo. Ontem mesmo, ontem à noite, lá no aeroporto eu vi um senhor bem idoso – ele estava esperando a família dele, e quando me viu, veio me abraçar e disse: – Bocalom, se não roubar o dinheiro dá, né? Eu falei sim senhor.

**Mas há quem diga que o senhor, no mês passado, andou rodando o interior, sentindo a recepção a seu nome como pré-candidato a governador. Isso é verdade?**

**Tião Bocalom** – Acompanhei, sim, o senador Márcio Bittar em visita a alguns municípios, lá do Juruá. Não vou negar: escutei de pessoas que acompanham nosso trabalho aqui na Capital e me disseram: o senhor tem que ser o nosso governador. Escutei muito isso por onde andei, mas disse para todos eles a mesma coisa: – olha, nesse momento, eu sou candidato a terminar as minhas obras, concluir minhas obras esse ano. A questão de política a gente fala no ano que vem.

**Se o senador Marcelo Vittar declarar apoio à candidatura do senhor ao Governo, o senhor ficaria satisfeito? Como é que é? O senhor sai ou não da Prefeitura para ser candidato ao Governo?
Tião Bocalom **- O senador Marcelo B**ittar é um parceiro de muitos anos, um em que a vida inteira a gente lutou contra o PT, a vida inteira lutou contra a esquerda, então é um parceiro amigo, ele é o meu senador – o outro é o governador Gladson Cameli.

***(Sobre Mailza Assis) “Ela talvez não lembre que a ajudei lá no passado, quando tudo isso começou”***

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**A vice-governadora Mailza Assis reclama que o senhor não declarou apoio ao nome dela como candidata a governadora e cobra reciprocidade porque ela diz ter o apoiado em 2020 e em 2024 e agora o senhor não faz o mesmo em relação a ela. Por que?**

**Tião Bocalom**– Ela talvez não lembre que foi através de mim que ela chegou onde está. Me lembro que lá atrás, em Senador Guiomard, eu entreguei o PSDB, então nosso Partido, para o James Gomes, ex-marido dela. Ele achava que não ganharia às eleições para a Prefeitura do município e eu falei: ganha, sim, James. A gente vai para cima. Aí o que aconteceu? Eu entreguei o partido para ele, ajudei a organizar o partido lá, chamei as lideranças todas, fizemos um belo trabalho, aí fomos para a eleição. Na eleição eu era candidato aqui na capital e fui diversas vezes lá, andar o dia todo com ele, participar de comícios com ele, para ele poder se eleger. Ele se elegeu, graças a Deus, ele se elegeu bem. Eu tirei dinheiro da minha campanha daqui da capital e mandei para a campanha dele lá, para financiar a campanha dele lá, para ele ganhar a eleição. E depois que ele ganha a eleição, foi reeleito e se projetou ao ponto de poder lançar a então primeira-dama Mailza para ser a primeira suplente do então senador Gladson Cameli. Então, eu a ajudei muito lá atrás, quando isso tudo começou.

**Mas o senhor ainda tem a vice-governadora como aliada? **

**Tião Bocalom **– A Mailza é uma pessoa que quero muito bem a ela, porque é uma pessoa honrada, honesta e trabalhadora. Eu acho que lá na frente tudo pode acontecer.

**O fato dela ser mulher, ajuda ou prejudica a candidatura dela ao Governo?**

**Tião Bocalom **- Os eleitores não estão mais nessa uma porque é mulher ou porque é homem. Eles querem saber quem vai cuidar bem da cidade, do Estado deles, do município, enfim. Isso daí eu fiz uma pesquisa em 2016, perguntando exatamente isso na pesquisa. “Você votaria só porque é mulher?” = porque a tinha naquela época a baixinha (Eliane Sinhazique), que era candidata a prefeita, lembra? Então eu perguntei isso na pesquisa e apenas 3% disseram que votariam porque era mulher. E 2% respondeu que não votaria só porque não era homem. Então, esse número é muito pequeno, porque é mulher ou porque é homem.

**E quanto ao senador Alan Rick? O senhor andou batendo de frente com ele e trocando acusações sobre a questão dos resíduos sólidos; ele o acusa de ser contra. Quem tem razão?**

**Tião Bocalom** – O tempo dirá quem tinha ou não razão. Não quero polemizar com ele, até porque vi uma entrevista em que ele demonstrou que não polemizar comigo.

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