**Noticias Da TV**
O SBT entrou no mês em que completa 44 anos mais perdido do que nunca. Em uma crise de audiência sem precedentes, a emissora até tenta sair do buraco –mas sem saber como escalar, só afunda cada vez mais. Desesperada, a direção faz o seu público, a imprensa especializada e até os próprios funcionários de palhaços.
Nesta segunda-feira (4), por exemplo, chamadas exibidas ao longo da programação divulgavam que a estreia da versão atualizada do Aqui Agora traria uma “arma secreta”. O suspense foi mantido até o noticiário entrar no ar, quando Geraldo Luís foi anunciado como o terceiro âncora do formato, ao lado de Daniele Brandi e Marco Pagetti.
Até aí, nada demais, o mistério faz parte do jogo. O próprio Silvio Santos (1930-2024) havia usado estratégia similar em 28 outubro de 2001 para divulgar a Casa dos Artistas –os comerciais mostravam apenas vultos de pessoas e a fechadura que se tornaria a marca do reality de confinamento, sem nenhuma pista de como seria a atração.
O problema é que a chegada surpresa de Geraldo é uma faca nas costas de Daniele e Pagetti, que gravaram pilotos e testaram sua química ao longo das últimas semanas, apenas para serem “engolidos” pelo autodeclarado “maior contador de histórias da TV brasileira” em plena estreia.
Como o site TV Pop revelou, os dois âncoras não foram informados antes da hora que dividiriam espaço com Geraldo Luís no Aqui Agora. E, apenas pelo que foi visto na estreia, não é difícil imaginar que eles terão cada vez menos espaço na atração diante da personalidade exagerada do ex-Domingo Show.
Daniele, em especial, merecia mais respeito da emissora, já que tem segurado um rojão e meio desde que José Luiz Datena abandonou o Tá na Hora às pressas –e ela até que conseguiu manter a audiência, mesmo sem ter a experiência ou o nome tão conhecido quanto seu antecessor.
**SBT até mente para o público**
Outro deslize imperdoável ocorreu no último dia 14, quando Ratinho plantou em um programa de rádio a notícia de o No Alvo poderia não estrear naquela noite porque Pablo Marçal teria proibido a exibição de sua entrevista. O Fofocalizando e o próprio Programa do Ratinho usaram a suposta medida judicial para fazer suspense sobre a estreia.
Tudo não passou de uma grande mentira para divulgar a atração. No dia seguinte, Marçal veio a público dizer que nunca tentou cancelar a exibição de nada. Ele disse que não falou nada antes porque entendeu que era uma estratégia de marketing da casa. “No fim das contas, isso ajudou a turbinar a audiência, e eu fiquei feliz em contribuir com isso. Ajudar a emissora a conquistar o segundo lugar foi uma alegria”, disse ele.
Na última sexta (1º), mais uma loucura inexplicável do SBT. Às 16h46, a assessoria de Comunicação disparou um e-mail para a imprensa com algumas mudanças na grade que já seriam implementadas nesta segunda.
As principais delas seriam na faixa da manhã, com o Primeiro Impacto e o Alô, Você sendo transmitidos mais cedo, e o Bom Dia & Cia assumindo a faixa do almoço, com exibição apenas na Grande São Paulo –aumentando o público de Luiz Bacci e encolhendo o da dupla Patati Patatá.
A imprensa especializada mal teve tempo de publicar a novidade. Menos de duas horas depois, às 18h12, um novo e-mail foi enviado, cancelando as mudanças anunciadas anteriormente. “Caros colegas, esta grade substituí (sic) a enviada anteriormente”, disse a emissora, sem qualquer justificativa (ou respeito às normas cultas da língua portuguesa).
Alterar a programação não é exatamente uma novidade para o SBT: Serginho Groisman já disse que seu Programa Livre mudou de horário 45 vezes nos oito anos que passou à frente da atração. A presidente da emissora, Daniela Beyruti, também afirmou abertamente que vai modificar a grade sempre que for necessário. “São apostas. Dando certo, mantém; não dando certo, a gente troca”, disse ela em maio deste ano, ao anunciar a nova grade para 2025.
O problema é que o mercado em 2025 não é mais como o da década de 1990, quando, como lembrou o jornalista Mauricio Stycer, dizia-se que SBT era sigla para “Silvio Brincando de Televisão”. A concorrência é maior, e o público não tem mais paciência para ser feito de idiota nem para ficar procurando o horário de seu programa favorito –principalmente quando nem a imprensa consegue descobrir quando as atrações irão ao ar para divulgá-las.
Audiência também é hábito, e ninguém gosta de ser feito de palhaço –por mais que Rinaldi Faria, atual superintendente de Criação e Produção da emissora, tenha feito sua fortuna em cima da marca Patati Patatá.

