Marcelo Moura, o CEO do Holding Recol, foge de convites para ser candidato a cargos políticos

**Jorge Natal, Especial para o Aquiri **

Ambicionado por partidos de espectros ideológicos tanto à Direita como á Esquerda para ser candidato a cargos majoritários, ao senado ou até mesmo ao governo do Estado, o Marcelo Henrique Esteves Moura, de 44 anos, tem se revelado, ao longo do tempo, um hábil homem de negócios também especializado em dizer não. É o que ele diz, com alguma elegância, aquém o procura propondo aliança partidária.

O que Marcelo Moura, CEO da Holding Recol, grupo empresarial genuinamente acreano e que já se espalha por Rondônia e Mato Grosso, pretende mesmo é tocar os negócios de sua família e contribuir com as entidades classistas do comércio e da indústria na busca pelo progresso e desenvolvimento da sociedade acreana. É o que ele garante como justificativa aos dirigentes partidários que o procuram ao declinar dos convites para ser candidato.

O que acontece com Marcelo Moura nos dias atuais em relação os convites para entrar na política-partidária também ocorria com o fundador do Grupo Recol, cuja história começa em Tarauacá, interior do Acre. A história começa quando Roberto Alves Moura, falecido em agosto de 2013, aos 55 anos, deixou o município para embarcar numa aventura de sonhos de uma vida melhor, rejeitando aquilo que o destino lhe impusera, para se tornar o maior e mais influente empresário do Acre. Era início dos anos 80, momento em que a extração da borracha perdera o seu valor, culminando na desativação dos seringais e da principal fonte econômica do Estado.

A Tarauacá daqueles tempos nem tão longínquos, com suas ruas empoeiradas e de terra batida, com casinhas de tábuas e outras peças de madeiras serradas quase de forma artesanal, muitas ainda cobertas de palha, era uma cidade em formação. Banhada por dois rios, o Tarauacá e o Muru, que, na frente da cidade, se encontram, se fundem e a partir dali se tornam um único manancial, e vão despejar-se, como afluentes, no rio Juruá, a cidade daqueles tempos era apenas uma das clareiras amazônicas transformadas em cidades. As fotografias da época revelam uma espécie de quadro bucólico executado por um pintor caprichoso. Ou saída do romance “Cem Anos de Solidão”.

Aquela bela imagem de quadro amazônico, no entanto, se não escondia, servia para disfarçar a hecatombe social que a falência dos seringais iria atingir a incipiente economia local. As ruazinhas acanhadas começaram, de repente, a ser atulhadas de gente. Eram os seringueiros e suas famílias tangidos da floresta pelo debacle dos seringais e também pelo que hoje se convencionou chamar de agronegócio, a agropecuária, que iria substituir o homem pelo boi e a selva pelo capim.

Foi naquele momento que a matriarca Raimunda Alves de Sousa percebeu que Tarauacá havia se transformado e se tornado inóspita para ela e sua família, que sonhavam com dias melhores. Um dia aquela senhora mandou um dos seus arrumar as malas e partir para Rio Branco, onde iriam, no início dos anos 80, iniciar a fundação da maior empresa privada do Acre, com negócios e filiais em Rondônia e Mato Grosso, a qual, nos dias atuais, gera milhares empregos e é uma das maiores pagadoras de ICMS (Imposto Sobre Mercadorias e Serviços) do Estado.

O holding Recol, levado a cabo pela visão empreendedora de Roberto Moura, hoje é administrado por seu filho, Marcelo Henrique Esteves Moura, aquele que foge dos convites para entrar na política. À frente da Associação Comercial, Industrial de Serviços e Agrícola do Acre (Acisa), o empreendedor recebeu a nova reportagem para falar de sua gestão, da crise econômica que assola o país, dos destinos do Acre e um pouco de política.

**Veja os principais trechos da entrevista:**

**Como é ser empreendedor no Acre? O que é uma cultura empreendedora? **

Marcelo Moura – É difícil. A logística é complicada. Para comprar produtos dos grandes centros é preciso ter contatos fortes. O transporte é caro e muitas vezes a mercadoria chega avariada. Quem trabalha com frutas e hortifrúti, às vezes, tem prejuízo. Os prazos de pagamento com os fornecedores não são os melhores, falta mão de obra qualificada e os consumidores não têm um poder aquisitivo grande. No Acre, o empresário precisa ser muito focado e cuidadoso. Cultura empreendedora é formada por conceitos de geração de riqueza e independência financeira. Aqui no Acre nós adquirimos isso com os sírio-libaneses e turcos, bem com o povo do centro-sul, que veio para nossa região nas décadas de 70 e 80. Desenvolver uma cultura empreendedora: é isso que fazemos com o associativismo empresarial.

**Como está o comércio acreano? Existe essa fuga de mão de obra para os estados?**

Infelizmente sim. E é mão de obra jovem e qualificada. Estão à procura de melhor renda e qualidade de vida. O Acre está crescendo, porém em menor intensidade do que essas regiões de grandes migrações. O comércio acreano está estável. O grande problema do pequeno e médio é concorrência com internet. Estamos elaborando e executando ações para proteger esses associados. ***

Em nome da preservação ambiental, a pobreza predomina na Amazônia. O homem da Amazônia, por não poder usufruir do uso da terra, ele não tem como fazer investimentos”. – Marcelo moura.

**Como o Acre pode se desenvolver?**

A conta da Amazônia é muito cara para a sua população. Em nome da preservação ambiental, a pobreza predomina em nossa região. Por não poder usufruir o uso da terra, o proprietário não tem como fazer investimentos. E para utilizar essa pequena parte (20%), ele ainda tem que se submeter a um monte de regramentos e leis de todas as esferas do poder estatal.

Então é através da agropecuária que o Acre pode se desenvolver economicamente?
A agropecuária é o setor que mais gera e distribui riquezas. A pecuária em si tem que ser respeitada e homenageada. É o setor que mais gera divisas para o nosso estado. Temos outro filão, que é o turismo, destacadamente na Serra do Divisor. Se bem aproveitado, como fez o estado de Mato Grosso, com Bonito e a Chapada dos Guimarães, pode gerar oportunidades de emprego e renda.

**Qual é a sua avaliação da infraestrutura do Acre?**

O Peru já resolveu isso. A interoceânica, que está levando produtos da região do Alto Acre, liga Assis Brasil a Lima. O Acre está mandando embutidos de frango e suíno por aquela rodovia. Estamos criando empresas de importação e exportação, tradings, para aproveitar o frete das carretas que essas empresas acreanas mandarem. Isso já é uma realidade. O Acre não vai se desenvolver com o seu próprio consumo. É preciso criar alternativas e inovar na produção, agregação de valor e intensificar intercâmbios econômicos. A gente produz proteínas (vegetal e animal) e os países vizinhos compram os nossos produtos.

**Existe a possibilidade de o senhor ser candidato a governador ou a senador?**

A minha posição, como representante dos empresários, é suficiente na missão de contribuir com o desenvolvimento do meu Estado. Eu já me sinto contemplado. Mesmo depois de terminar o meu mandato na Acisa, não me desligarei dela. Quero também contribuir para que esta geração valorize o empresário. Eu não preciso ocupar cargos públicos ou ter mandatos eletivos para ajudar a sociedade. Temos um projeto de lei na Assembleia Legislativa, de autoria do deputado Eduardo Ribeiro, que propõe a disciplina educação financeira no ensino fundamental. Não temos uma cultura empreendedora ou cooperativista. Mas iremos chegar lá, ou seja, vamos quebrar esses paradigmas. Sou candidato a continuar lutando por políticas pública no associativismo empresarial.

**O senhor e outros empresários acreanos fizeram uma viagem à Lima, capital do Peru. Qual o propósito daquela visita? A ferrovia interoceânica é uma realidade?**

É uma realidade sim, graça a Deus. E será a nossa grande oportunidade para nos desenvolvermos, principalmente por essa ferrovia passa pelo Acre. Aquela missão foi empresarial. A Acisa levou vinte e seis empresários e visitamos a Câmara do Comércio. Conhecemos algumas empresas e estamos em tratativas. Volto a dizer: nós temos uma logística funcionando e, com absoluta certeza, traremos produtos de lá para o Brasil, via Acre, obviamente. Temos empresários que irão investir na importação e exportação. Eu defendo todas as estradas e modais de transporte. Quanto mais pontes, mais conexões possíveis, mais riqueza e prosperidade. A estrada que liga Cruzeiro do Sul a Pucalpa tem uma distância pequena (160 quilômetros) e é em uma região de planície. Será mais uma oportunidade de gerar oportunidades e negócios, destacadamente o turismo
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O que é desenvolvimento de fato?**

É adquirirmos um patamar de qualidade de vida. A nossa população não tem acesso ao básico. Temos mais pessoas inscritas no programa Bolsa Família do que com carteiras assinadas. É comer bem, morar bem e conseguir educar os nossos filhos. Se conseguirmos isso, podemos afirmar que estamos no caminho do desenvolvimento.

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