**Tião Maia, O Aquiri **
A ascenção do agora deputado federal licenciado Guilherme Boulos (PSOL-SP) à condição de ministro de Estado na Secretaria-Geral da Presidência da República, um dos cargos mais estratégicos e centrais do poder em Brasília, não soou negativamente apenas entre os deputados e senadores dos partidos que fazem oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ato foi questionado também no Acre.
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**Senador Márcio Bittar protestou em Brasília contra a nomeação de Boulos como ministro **
Em Brasília, o PL, líder da oposição no Congresso Nacional, como partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, saiu na frente com às críticas à nomeação, através do senador acreano Márcio Bittar. Em suas redes sociais, o senador qualificou a nomeação de Boulos pelo presidente Lula como um autêntico escarnio e reflexo do pouco caso que o governo federal faz de um dos princípios basilares da Constituição Federal, o respeito à propriedade privada.
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**J**amyr Rosas foi lançado por Gui,herme Boulos candidato ao Governo do Ac re****
É que Boulos, antes de obter mandato popular em São Paulo, era o líder principal do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), a versão urbana do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), organização que está completando 40 anos de existência e conhecida pela ferocidade com que atua na invasão de propriedades rurais sob o argumento de que terras improdutivas têm que servir à Reforma Agrária. Nas cidades, principalmente em São Paulo, com Boulos à frente, o MTST invade prédios públicos e privados com o argumento de promover moradia digna às pessoas sem teto, razão pela qual a entidade é questionada tanto quanto sua versão na área rural.
Os questionamentos à nomeação de Boulos e ao próprio MTST, no Acre, partiram de dentro do movimento, mais precisamente da Ocupação “Marielle Franco”, onde moram mais de uma centena de famílias e que passaram a ficar preocupadas com a ascenção de Boulos ao centro do poder na República porque o ministro é aliado do dirigente regional do PSOL Jamyr Rosas, autoproclamado líder da invasão à área de terra que foi desmembrada, após a ocupação, do Bairro Defesa Civil, na parte alta do Primeiro Distrito da cidade de Rio Branco.
Ao contrário do que quase sempre ocorre em São Paulo e outras cidades onde o MTST atua, a ocupação “Marielle Franco” não foi iniciada por um ataque, mas sim uma ocupação de imóvel que começou na madrugada do dia 20 de março de 2018, como um ato de resistência de mulheres que buscavam moradia. O evento ocorreu semanas após o assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro, em 14 de março de 2018, e recebeu o nome em sua homenagem.
O que seria um movimento iniciado por mulheres que sonhavam com a casa própria e buscavam segurança para suas famílias, logo em seguida passou a ter um viés político, a começar pelo próprio nome da ocupação, com o surgimento de líderes locais do MTST – na verdade, dirigentes do PSOL, que criaram a sigla e passaram a atuar em meio aos ocupantes da invasão. Um dos principais ativista e que se autopromoveu líder da ocupação é Jamyr Rosas, ex-candidato a suplente de senador na chapa do petista Jorge Viana e que foi derrotada em 2018 justamente por Márcio Bittar.
Rosas já foi acusado, entre outras coisas, de desviar sacolões de alimentos doados para a cozinha solidária e que acabariam na despensa de casas de seus familiares e inclusive na sua própria residência. Além disso, Rosas estaria colocando na lista de invasores originais da área os nomes de seus familiares e amigos a fim de que, quando a ocupação fosse legalizada com a construção de imóveis através do programa “Minha Casa Minha Vida”, aquelas pessoas, incluindo a mãe do autoproclamado líder, que jamais estiveram na invasão, fossem beneficiadas com terrenos, casas ou apartamentos.
De acordo com denúncias de moradores da invasão, agora empoderado pela posse do aliado Guilherme Boulos em cargo estratégico da presidência da República, Jamyr Rosas teria voltado à carga se autointitulando líder do movimento de invasão e que a área de terra onde estão os barracos invasores não pertenceria a quem participou da invasão original e sim à uma associação abrigada sob a sigla do MTST com endereço no interior de São Paulo. Tal decisão de transferência de propriedade da área ocorreu após no Governo do Estado, por decisão do próprio governador Gladson Cameli, ter enviado projeto de lei a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), que foi aprovado, abrindo mão da terra em favor dos moradores.
Com a decisão, a área passou a ler legalizada e incluída no programa “Minha Casa Minha Vida”, do governo federal, com a construção de casas e apartamentos a partir de financiamentos junto à Caixa Econômica Federal. É neste momento que moradores originais da invasão temem ficar de fora das futuras casas e apartamentos porque o próprio Jamyr Rosas tem dito que ser morador da invasão não é requisito suficiente para ganhar imóvel no local quando a Caixa construí-los. “Tem que pontuar participando do movimento”, tem dito Jamyr Rosas em áudios e vídeos gravados por moradores em assembleias em que o assunto é debatido.
Por participação no movimento, segundo moradores, é trabalhar de graça na cozinha Marielle Franco e estar presentes às reuniões ou assembleias do MTST, assiando uma ata. “O problema é que o Jamyr Rosas faz o que quer com as assinaturas dos moradores”, denuncia a moradora que fez as gravações em que Jamyr Rosas foi pilhado fazendo tais revelações.
Mas a revelação que mais chocou em gravações foi um vídeo em que Jamyr Rosas aparece ao lado de com o ministro-chefe da Secretaria Geral da presidência da República em que Boulos lança-o como candidato a governador do Acre em 2026. No mesmo vídeo, Jamyr Rosas admite o fato e anuncia que formará chapa entre o PSOL e o Rede Sustentabilidade, até agora o partido da ministra Marina Silva, com a candidatura do professor Inácio Moreira como senador.
Por isso, moradores originais da invasão estão indo cobrar o Ministério Público, tanto o federal como estadual, a retirada de Jamyr Rosas e outros líderes do M STS de dentro da invasão. Os moradores entendem que estão sendo ameaçados de não constarem da lista do movimento para o benefício dos futuros imóveis e que Jamyr Rosas os está usando com fins eleitoreiros e que, com a chegada de Boulos à presidência da República, “ele acha que agora pode fazer o que bem quiser com quem vive na invasão”.
Outro grupo de moradores também quer a substituição do nome que batiza a invasão. Ao invés de Marielle Franco, querem que a invasão seja chamada de “Governador Orleir cameli”, em homenagem ao tio do atual governa dor Gldson Cameli, que teve efetiva participação no movimento que levou o Estado a ceder a área de terra aos moradores. “O Gladson teve participação efetiva nisso, muito amis que os companheiros da vereadora assassinada no Rio, que é merecedora de todas homensgens, mas aqui no Acre o nome dela vem sendo usado por um bando de espertalhões que só querem saber de se dar bem, principalmente esse tal de Jamyr Rosas”, disse outra moradora em áudio enviado à reportagem de ****O Aquiri.****
Procurado, Jamyr Rosas bloqueou o número de telefone atribuído a seu nome e seus aliados disseram que ele não fala à reportagem do Portal ****O Aquiri**.**

