****Da Redação****
O Dia do Professor, celerado em todo o país neste 15 de outubro, no Acre, ganha significado ainda mais especial nas vozes daqueles que fazem da sala de aula um espaço de transformação, esperança e inovação. No Acre, histórias de superação se entrelaçam com a trajetória de educadores que, além de ensinar, continuam aprendendo — agora, com o desafio de se adaptar a um mundo cada vez mais digital.
A professora Andreza Rodrigues, de 39 anos, por exemplo, leciona matemática na Escola Glória Perez, no Conjunto Xavier Maia, em Rio Branco. Pernambucana, ela chegou ao Acre há 18 anos e hoje se emociona ao lembrar de sua trajetória. “A educação me salvou. Eu venho de uma realidade muito vulnerável, mas foi por meio da escola que encontrei um novo caminho. Eu me senti na obrigação de devolver tudo que a educação me proporcionou”, revelou.
Depois de interromper os estudos ainda no ensino médio, Andreza foi incentivada por amigos a
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“**O professor é o protagonista da mudança na escola. A tecnologia está aqui para somar”, destacou a professora Andreza. *Foto: Mardilson Gomes/SEE*
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voltar à escola. A partir daí, sua história mudou. “Concluí o ensino médio, fiz vestibular e passei em primeiro lugar em Matemática na Universidade Federal do Acre (Ufac). Descobri que o meu lugar era na sala de aula”, disse.
“Quero que eles saibam que podem ir além, assim como eu fui”, disse a professora Andreza. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Desde então, ela se dedica a devolver, por meio do ensino, tudo o que a educação lhe proporcionou. “Eu já passei por situações de fome, de vulnerabilidade, mas a sala de aula me deu propósito. Hoje, quando olho para meus alunos, principalmente os que vêm de realidades parecidas com a minha, eu me vejo neles. E quero que eles sintam que podem ir além, como eu fui”, declarou.
Com o tempo, Andreza aprendeu que o ato de ensinar também exige constante atualização: “O mundo mudou, a sociedade mudou, e a educação não pode permanecer estagnada. Eu me considero uma professora que vive a transição entre o analógico e o digital. Estudo para ser, a cada dia, uma professora dos tempos digitais.”
Para ela, a tecnologia não substitui o professor — ela amplia as possibilidades do ensino. “Não faria sentido entrar em sala de aula e tratar o aluno como mero receptor de conteúdo, enquanto ele vive cercado de informação nas redes sociais e em ferramentas digitais. Então, eu trago a tecnologia como aliada. Transformo conteúdos em experiências vivas, conectadas à realidade deles”, ressaltou.
Em suas aulas, Andreza utiliza plataformas como Kahoot, Palmertech e GeoGebra, entre outras ferramentas digitais que permitem aos alunos visualizar conceitos matemáticos em movimento, competir em quizzes e participar ativamente do processo de aprendizagem. “Eles adoram. Quando veem um gráfico se formando em tempo real, entendem o porquê das fórmulas. A matemática deixa de ser abstrata e passa a fazer sentido”, explicou.
Ela lembra, no entanto, que essa transformação também exige investimento e apoio. “Ainda há desafios, mas é preciso reconhecer que estamos avançando. Hoje temos mais recursos e possibilidades de tornar o ensino mais dinâmico e significativo”, concluiu.
Do papel aos tablets – Assim como Andreza, o professor Alex Pimentel, do Instituto de Educação Lourenço Filho, compartilha o orgulho de ensinar. Há 15 anos na educação, formado em Artes Cênicas pela Ufac, ele enxerga a profissão como uma escolha de vida. “Eu escolhi ser professor. Dar aula é poder deixar um pouquinho de si nos alunos, ver lá na frente o reflexo do que plantamos”, afirma.
Natural de Rio Branco, Alex viu a educação se transformar diante dos seus olhos — das cadernetas de papel aos tablets conectados à internet:
“Desde o começo, já me incomodava com o papel. Sempre busquei formas de digitalizar, de modernizar. Hoje, uso o celular, o data show, o Google Maps, produções de vídeo e até stop motion (técnica de animação que cria a ilusão de movimento ao fotografar objetos físicos quadro a quadro) com os alunos. Isso faz toda diferença. Eles se sentem motivados, participam mais e enxergam sentido no que estão aprendendo”.

