De volta ao Acre, engenheiro Leonardo Melo diz que quer dar continuidade ao legado do pai e manter a tradição do sobrenome da família na política local

“No que o MDB precisar, estou dentro. Podem contar comigo”. A frase vem sendo repetida com frequência pelo engenheiro civil Leonardo Melo, filho mais velho do ex-governador Flaviano Melo, falecido em novembro de 2024. Flaviano Melo faleceu de problemas respiratórios, após uma longa internação em São Paulo, depois de mais de 40 anos de política e de exercício dos mandatos como prefeito (por duas vezes), de 1983 a 1986, governador do Estado, de 1987 a 1989, senador da República, de 1990 a1998, prefeito novamente de 2000 a 2002 e pelo menos três mandatos de deputado federal, de 2004 a 2016.

Ao fazer aquela declaração, o engenheiro civil, que vivia no Canadá há muitos anos, onde montou empresa de engenharia civil de pequenas reformas, está determinado a se dedicar à engenharia da política partidária. Antes de seguir para o Canadá, Leonardo Melo trabalhou nas maiores empesas de engenharia do país, que lhe permitiram a experiência para exercer a profissão em solo estrangeiro.
Mas, com a morte de seu pai (sua mãe, a arquiteta Antônia Melo, também já é falecida), Leonardo decidiu que era hora de voltar a Brasil e se dedicar ao legado de sua família na política do Acre. O sobrenome Melo está na política acreana desde o avô de Flaviano Melo, o advogado Flaviano Flávio Baptista de Melo, depois a tarefa foi passada para o deputado estadual Raimundo Hermínio de Melo, falecido em 1983 depois de vários mandatos na Aleac (Assembleia Legislativa do Acre). Antes, Zé Melo, irmão novo de Flaviano, em 1982 foi eleito deputado federal e reeleito em 1986, quando Flaviano então surgiu como novo líder político da família.

Flaviano Melo e Antônia da Cruz Melo. pais de Leoardo, já falecidos

Como as luzes se apagaram em definitivo para Flaviano Melo, Leonardo compreende que cabe a ele manter acesa a chama política de uma família cuja história se confunde com a própria história do Acre. Com o MDB, seu partido, cogitado e convidado para compor as chapas principais na disouta pelo governo do Acre, como a do senador Alan Rick, do Republicanos, e da vice-governadora Mailza Assis, da Federação União Progressistas, Leonardo Melo diz que está em compasso de espera.
“Sou nascido e criado no MDB e lá apendi, com meu avô, com meu pai e seus companheiros, que um partido não toma decisões isoladas, por sua direção. No MDB, ninguém tem autoridade para tomar decisão sozinho em nome do Partido. Sob pena de quem fizer isso, vai vender o que não poderá entregar. Por isso, reafirmou que a decisão que o MDB vai tomar é ouvindo suas bases e seus militantes. Eu apoio e estou pronto para ajudar no que terá que ser”, disse.

Leonardo Melo fez também outras declarações que podem ser acompanhadas na entrevista a seguir. Eis a entrevista:

Leonardo, você está de volta ao Acre. Então está deixando definitivamente o Canadá para viver no Acre?

Leonardo Melo – Sim, estou deixando definitivamente o Canadá e já estou aqui há dois meses.

E o que você fazia de fato lá no Canadá?

Leonardo Melo – Lá eu tenho uma pequena empresa, que eu estou esquematizando as coisas anda como as coisas vão ser feitas, com a minha mudança para cá. É uma pequena empresa de engenharia, que faz pequena reforma.

Você vai trazer a empresa para o Acre ou aqui no Acre você vai atuar só na política?

Leonardo Melo – Não vou trazer. Estou aqui à disposição para ajudar o que for necessário.

Ajudar a quem?

Leonardo Melo – Ajudar ao MDB. O MDB e às pessoas que precisam da ação do nosso Partido como instituição que se caracteriza pela firmeza da defesa dos interesses do nosso, principalmente no Acre, onde o MDB – e seus militantes estão aí como testemunhas – foi responsável por obras de infraestrutura de caráter estadual e municipal, que não podem ser esquecidas.

Então você vai procurar manter o legado de sua família na política local?

Leonardo Melo – Sim. E é claro que é não é qualquer legado. Basta consultar a história da minha família e a do MDB neste Estado nos últimos 50 anos.

Então você está praticamente declarando que deve ser candidato já nas próximas eleições. Você seria candidato a que cargo?

Leonardo Melo – Eu não sou candidato de mim. Aliás, ninguém é candidato de si mesmo, eu aprendi isso lá em casa muito cedo. Por isso, não sou candidato de mim mesmo. Eu sou candidato das pessoas. Então, se de porteiro do MDB a candidata presidente da República, o MDB precisar de mim, pode contar comigo, eu estou dentro. Aquelas pessoas que são candidatos e se lançam sozinhas para as pessoas seguirem a elas, querem o poder. Eu, na minha cabeça, represento a vontade das pessoas. Se as pessoas quiserem que eu seja candidato, eu sou candidato ao que elas quiserem. Serei candidato de um projeto. Não um projeto pessoal de poder, mas de um projeto partidário, um projeto que possa trazer benefícios para as pessoas.

O MDB, no momento, ao que parece teria dificuldades para a formação de uma chapa de deputados federais. Tem bons candidatos a deputado estadual, mas algo que parece faltar são nomes para deputado federal. Em faltando esse nome, o senhor estaria disponível para ser candidato a deputado federal?

Leonardo Melo – Vou discordar de você quando diz que o MDB não tem nomes para uma chapa federal. Eu acho que o MDB tem uma das chapas federais mais promissoras para a disputa deste ano. Veja só: Marus Alexandre, ex-prefeito de Rio Branco; O Chicão, que tem uma distribuidora lá em Mâncio Lima; a Leila Galvão, ex-prefeita de Brasileia, a Sara Frank, lá em Capixaba. Isso é só um exemplo dos bons nomes que nós temos. O MDB é um Partido que teve 111 mil votos, aproximadamente, e foi o terceiro maior partido em votação nas eleições municipais de 2024. Não lançou candidato em todas as prefeituras, fez a estratégia de lançar em poucas, e mesmo assim é a terceira força política do Estado, em termos de votos. Um partido desse, dessa desenvoltura tem quadros. Afora, ainda não se está definido quem vai ser candidato e ao quê.

O MDB deve estar se agregando ao PP, portanto ao governo. O senhor acha que nessa possibilidade. o MDB participaria do governo e nas eleições com uma chapa com o PP? O seu nome estaria disponível para, por exemplo, ser candidato a vice da governadora Mailza?

Leonardo Melo – Primeir, o MDB não está à venda nem em busca de cargos. Por segundo, é preciso dizer que o MDB não esta, ainda, caminhando com o Governo ou com a vice-governadora Mailza. O que está acontecendo é que o MDB está conversando tanto com a Mailza quanto com a Alan Rick.

Mas as conversas são muito mais próximas com a vice Mailza, não é isso?

Leonardo Melo – A gente fez uma reunião uma vez. Sobre isso, decidimos que qualquer membro da executiva só falaria sobre o assunto através de seu presidente regional, que é o Vagner Sales.

O senhor é da Executiva regional?

Leonardo Melo – Sim, eu sou. Sou membro da executiva estadual e delegado da nacional. O Acre tem dois votos na nacional. Quanto a fazer parte do Governo, o que tenho a dizer é que estou à disposição do meu Partido. Para onde o MDB achar que devo ir ou não ir, estou disponível. Do mesmo jeito que, se o Partido achar que devo ser, que eu posso contribuir, eu vou contribuir em qualquer cargo, em qualquer lugar, em qualquer cenário.

Todavia, essa aproximação do MDB com o senador Alan Rick, ao que tudo indica, queimou na largada, não é isso? O senador esteve no MDB, chegou a acenar com a possibilidade de se filiar à sigla, o que acabou não acontecendo, e a relação do senador com o MDB me parece que ficou mais difícil e distante. O senhor concorda?

Leonardo Melo – Eu desconheço que o senador tenha prometido se filiar ao MDB. Agora, houve especulações que ele viria para o MDB. Mas isso é uma decisão de cunho pessoal dele. Nada a ver. Mas é fato que tivemos várias conversas, nas vezes em que Alan Rick foi algumas ao MDB conversar sobre os projetos dele. A Maíza também foi ao MDB conversar sobre os projetos dele. Penso que agora o MDB quer ver qual é o melhor projeto próprio para seguir em frente.

Quando o senhor acha que o MDB vai tomar e anunciar a decisão sobre com quem vai marchar em 2026?

Leonardo Melo se decidimos na reunião da Executiva que essa data seria dia 15 de dezembro. Isso ocorrerá porque o MDB não toma nenhuma atitude sem ouvir as bases. Então, antes de a gente decidir, vamos correr o Estado e ouvir as bases, as cidades, as pessoas, quem está no dia a dia, e ver o qual o projeto de governo que possa influenciar o maior número de pessoas possíveis. Se o MDB decidir ir para o governo, se estarei disponível para assumir alguma função, reafirmo que estarei disponível para o que o MDB precisar. O que precisar, de verdade, eu estou dentro.

O seu pai, se vivo estivesse, estaria feliz com a sua atitude de entrar para a política?

Leonardo Melo – Olha, ele iria me dizer o seguinte, meu filho é uma estrada difícil para você percorrer…

Uma estrada que, para ele, não foi; ele já encontrou o caminho pavimentado quando retornou ao Acre, em 1983, para ser prefeito indicado de Rio Branco. O senhor não concorda?

Leonardo Melo – Uma confusão de narrativa. Papai já chegou aqui para ser prefeito, é o que dizem, já que ele foi indicado pelo então governador Nabor Junior. Mas é preciso ressaltar que ele foi eleito pela Assembleia Legislativa, cm 23 dos 24 votos dos deputados.

Flaviano Melo com os filhos, Marcelo e Leonardo Melo

Então essa informação de que o único deputado estadual a votar cotra a indicação dele como prefeito foi exatamente o pai dele e seu avô Raimundo Melo. Por que? O senhor poderia explicar?

Leonardo Melo – Fato. O único que não votou nele foi exatamente o pai dele. Creio que ele compreendeu que já havia político demais na família, já que meu tio Zé Melo já era deputado federal, eleito em 1982 em dobradinha com eu avô para estadual, o que ele o vovô também não queria e contam os mais velhos da família que ele foi surpreendido ao ver o santinho com a foto dele e no verso, a do Zé Melo para federal. Eu fui criado assim, o papai foi criado assim, criou os filhos assim. A política não é meio de vida. O meu avô não votou no papai, porque ele achava que ele já era político e não deveria entrar. Então o papai entrou para a política um pouco à revelia. O fato é que, la em casa, sempre ficou muito claro que a política nunca foi meio de vida para ninguém. Agora mesmo, se vivo estivesse, ele me diria mais ou menos o seguinte: se você quiser entrar na política, primeiro, você se prepare. Segundo, não dependa da política para viver.

Esse preparo a que seu pai se referia seria em relação ao quê?

Leonardo Melo – À formação intelectual. Olha, esse preparo que eu te digo em relação ao que passei. E passei pelo quê? Por ser engenheiro, por ter trabalhado na Queiroz Galvão, na Andrade Gutierrez, em meio a grandes obras como foi a do Rodanel de São Paulo, por ter sido empresário, criado uma empresa no Canadá. Eu trabalhei em grandes obras, depois abri uma empresa e fui em frente nessa empresa, que é uma empresa totalmente diferente da engenharia pesada. Enfim, eu me preparei na parte pessoal e a parte emocional. A outra coisa que ele falaria é que eu não poderia depender da política para viver, porque, se você depender da política para viver, você vai se tornar um cara dependente que vai precisar de um dinheiro para pagar suas contas todo mês e aí você vai ficar muito vulnerável aos cargos e a quem quiser, a quem puder te fornecer isso. O meu pai iria me dizer o seguinte: meu filho, a política é uma estrada difícil e foi difícil para ele, bem ao contrário dos que pensam que foi fácil. Ele foi prefeito, foi governador e exerceu outros cargos e hoje estou convicto de que o aneurisma que ele sofreu, que o deixou praticamente cego de um olho e com dificuldades de locomoção, além de passar a depender de uma bengala para poder andar. além de outras doenças que acabaram por matá-lo, têm muito a ver com tudo que ele viveu, da pressão na política, por ter passado mais de 20 anos acusado de uma coisa que ele não fez nem teve participação, a tal da conta Flávio Nogueira. E quem diz que ele era inocente naquilo tudo foi  ninguém menos que então ministro decano do STF (Supremo Tribunal Federal). Meu pai passou mais de 20 anos sendo chamado de ladrão para, nos 19 anos e 8 meses, o decano da STF dizer que ele não era, que ele não tinha nada a ver com aquela história e que foi vítima de uso político. É só pegar o voto do ministro e está tudo lá, ele dando meio que um puxão de orelha em todos os demais juízes por terem aceito aquilo. O ministroo foi o Celso de Melo.

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