Como o Botafogo e nosso futebol vão driblar o tarifaço de Trump?

** Dilson Ornelas, Rio de Janeiro**

Queridos torcedores, o tarifaço de Trump entrou em campo. Preparem-se para um jogo econômico pesado que pode balançar as redes do futebol brasileiro, com o Botafogo no centro do gramado. Falo de um clube comandado pelo empresário norte-americano John Textor, da Eagle Football Holdings, que quer colocar o time na bolsa de valores dos EUA.

O Botafogo tem exportado talentos para a Europa, o Oriente Médio e até para os Estados Unidos. Mas, com o “tarifaço” de 50% anunciado pelo presidente Donald Trump para produtos brasileiros a partir de 6 de agosto, será que o Botafogo e o futebol nacional vão sair comemorando, lamentando ou apenas assistindo do banco?

Será que Trump pode endurecer ainda mais a relação bilateral e dar um carrinho no projeto botafoguense? E como ficam os clubes brasileiros, incluindo o próprio Fogão, que trazem reforços de outros países? Estão vendo como esse tarifaço de Trump é um adversário complicado?

Em uma reportagem de Jairo Nascimento, hoje na CNN, o advogado tributarista Mozar Carvalho afirmou que, em um primeiro momento, o tarifaço não impacta diretamente o mercado esportivo brasileiro, já que o Brasil não exporta manufaturados esportivos (camisas, chuteiras) para os EUA, e foca mais no mercado interno e na América do Sul.

No entanto, em um contra-ataque traiçoeiro de Trump, os efeitos indiretos do tarifaço podem complicar. Carvalho alerta que, se a economia brasileira encolher, com o Real desvalorizado e cerca de 120 mil empregos a menos, os salários em dólar ou euro vão soar como um convite irrecusável para que nossos craques deixem o país. Aí, meu amigo, é bola na trave: os clubes podem perder talentos mais rápido do que o torcedor grita “gol!”.

Mas, para o Botafogo, a desvalorização do Real pode, pasmem, ser um golaço. Como a SAF de Textor aposta na exportação de jogadores, um Real mais fraco significa lucros maiores por cada venda ao exterior. Aquele garoto da base, vendido por 10 milhões de dólares, pode se tornar uma fortuna no caixa alvinegro, permitindo investimentos em infraestrutura ou novos talentos. O projeto global do Fogão, com conexões nos mercados americano, europeu e asiático, parece talhado para tirar proveito dessa jogada.

Porém, nem tudo é festa: se o Brasil retaliar com tarifas recíprocas, como sugere Carvalho, equipamentos esportivos importados – de chuteiras a máquinas de academia – vão pesar no orçamento. E adivinhem quem paga a conta? Sim, o torcedor, com camisas oficiais custando o preço de um jantar de gala.

**E os reforços?**

Clubes como Botafogo, Flamengo e Palmeiras, além de outros menos endinheirados, têm buscado atletas de fora, especialmente da América do Sul. Com o Real desvalorizado, contratar esses jogadores pode ficar mais caro, já que seus salários ou transferências muitas vezes são negociados em moedas fortes, como dólar ou euro.

Para gigantes como Botafogo, Flamengo e Palmeiras, com cofres mais robustos, o impacto pode ser absorvido. O Botafogo, com a gestão profissional da SAF, deve ter fôlego para manter sua estratégia, mas clubes menores, sem estrutura financeira, podem ter que abrir mão de reforços gringos e focar na base. É como tentar jogar a Libertadores com o time sub-20: dá para tentar, mas o risco é grande.

**Botafogo derrubado?**

Há um ponto delicado a ser considerado. Com a SAF do Botafogo nas mãos de norte-americanos, será que Trump pode endurecer a relação com o Brasil e dar uma rasteira no Fogão?

Aqui, entramos em um terreno de especulação, mas o apito da realidade pára o jogo pra gente refletir e reposicionar o time. Se as tensões bilaterais escalarem – digamos, com sanções mais amplas ou restrições a investimentos estrangeiros –, a Eagle Football Holdings poderia enfrentar dificuldades operacionais, como entraves para transferir lucros ou complicações regulatórias para entrar na bolsa de valores americana.

Textor, que gerencia clubes em múltiplos continentes, é experiente em jogar em campo esburacado e com águas turvas no pescoço, mas um cenário de “guerra comercial” poderia limitar a liberdade de manobra da SAF.

Por outro lado, o Botafogo não depende diretamente do mercado americano para suas receitas principais (venda de jogadores e patrocínios), o que reduz o impacto imediato. Ainda assim, é como jogar com um zagueiro pendurado: qualquer falta mais dura de Trump pode complicar a defesa alvinegra.

Para os outros clubes brasileiros, o cenário é menos animador. Times sem SAFs ou sem acesso a mercados internacionais vão sofrer mais com a desvalorização do Real e o encarecimento de importações. Receitas de bilheteria, patrocínios e vendas de produtos licenciados, que sustentam a maioria dos clubes, podem minguar se o poder de compra do torcedor cair.

Clubes com finanças mais sólidas, devem segurar a onda, mas equipes menores podem acabar na retranca, lutando para não cair – na tabela e no vermelho.

O Botafogo, com sua gestão global e olhos no mercado externo, parece estar com o meio-campo bem-armado. O tarifaço de Trump pode até ser um obstáculo, mas, com inteligência, o Fogão pode transformar a crise em oportunidade.

Como dizia Nilton Santos, “o Botafogo é um estado de espírito”. E esse espírito parece pronto para driblar até as tarifas – e quem sabe até o próprio Trump.

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