Rueda e União Brasil controlam Detrans bilionários de 7 estados

*Andre Shalders/Andreza Matais*

O partido União Brasil, presidido por Antônio Rueda, indicou os presidentes dos Departamentos de Trânsito, os Detrans, em sete das 27 unidades da Federação. As indicações são chanceladas pelo próprio Rueda, que também já determinou a troca de nomes quando insatisfeito com o apadrinhado. Os órgãos dispõem de orçamentos bilionários: só no Rio, a arrecadação é estimada em R$ 2,39 bilhões em 2025.

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A coluna procurou Rueda para saber por que os Detrans são considerados postos estratégicos por ele. Em resposta, o dirigente disse que “não indicou qualquer pessoa para cargos em Detrans” emendando que “filiados do União Brasil têm autonomia para fazer suas próprias indicações nos estados, sem qualquer envolvimento da presidência nacional”.
O União Brasil é a legenda com mais presidentes de Detrans no país – a segunda é o PP, com seis indicados. Desde o fim de agosto, os dois partidos integram uma federação, a União Progressista.

Em números, a federação é hoje a maior força política do país, com 15 senadores, 109 deputados federais, 1.335 prefeituras (quase ¼ do total) e sete governadores. Também tem a maior fatia dos fundos Eleitoral (R$ 953,8 milhões) e Partidário (R$ 197,6 milhões), considerando os valores de 2024.

Rueda e o União Brasil indicaram os presidentes dos Detrans em sete unidades da Federação: Paraná, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Rondônia, Roraima e Rio Grande do Sul.
No Detran gaúcho, o presidente indicado pelo União Brasil era Edir Domeneghini até a última quinta-feira (25/9), quando faleceu após sofrer infarto em seu gabinete. Ainda não há definição sobre o sucessor.

Até o dia 19 de setembro deste ano, o Detran do Rio era comandado pelo ex-deputado federal e ex-prefeito de Três Rios (RJ) Vinícius Farah, filiado ao União Brasil. Ele foi substituído por um delegado da Polícia Civil do Rio, Rodrigo Dias Coelho, a pedido de Rueda.

O controle de Rueda sobre o Detran do Rio não é segredo na política do estado. Em um processo contra o União Brasil, em 2023, no qual deputados pediam o direito de sair do partido sem perder o mandato, vários parlamentares cariocas acusam Rueda de perseguição e de fazer negociações paralelas para cargos no governo estadual – inclusive no Detran.

“Os requerentes também têm sido obrigados a assistir investidas junto aos governos do estado e da capital para a obtenção de cargos, como o controle do Detran/RJ, destinado a Antônio Rueda, sem qualquer justificativa ou comunicação às bases locais”, diz um trecho da ação no TSE, movida por Chiquinho Brazão, Dani Cunha, Daniela do Waguinho, Juninho do Pneu, Ricardo David e Marcos Soares.

O Detran do Rio movimenta cifras bilionárias. Em 2025, a arrecadação do órgão com taxas e multas foi estimada em R$ 2,39 bilhões, conforme a Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano, que também autorizava gastos de R$ 1,78 bilhão. Assim como em outros estados, o Detran do Rio tem autonomia financeira e administrativa.
No Distrito Federal, o número 2 do Detran-DF é diretamente ligado a Rueda: trata-se do advogado Hugo Fernando Figueiredo Santos, atual diretor-geral adjunto do órgão. No currículo dele, disponível no site do Detran-DF, consta que é “Sócio Advogado do escritório Rueda & Rueda, na área habitacional, no período de agosto de 2015 até a presente data”.

Em Rondônia, o Detran é chefiado desde junho do ano passado pelo empresário Sandro Rocha, irmão do governador Marcos Rocha, do União Brasil.
Em junho deste ano, o ex-secretário da Casa Civil do governo de Roraima Júnior Gonçalves acusou Sandro Rocha de conflito de interesses por causa de um contrato da autarquia com a empresa Uzzypay Administradora de Convênios LTDA. Segundo o ex-secretário, Sandro trabalhou na empresa até 2023. Em janeiro deste ano, a empresa fechou um contrato de R$ 72 milhões para fornecer combustíveis a diversos órgãos públicos, inclusive ao Detran.

De acordo com a imprensa local de Rondônia, Sandro deve disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado pelo União Brasil em 2026.
No Paraná, o nome é o ex-prefeito de União da Vitória Santin Roveda, filiado ao partido. Ex-secretário de Justiça no governo de Ratinho Júnior (PSD), Roveda assumiu o Detran em maio deste ano.

Em Goiás, o órgão é comandado pelo ex-deputado federal Delegado Waldir, também filiado ao União Brasil, desde março de 2023, ainda no início da gestão do governador Ronaldo Caiado (União). À coluna Waldir disse desconhecer qualquer ingerência de Rueda no órgão. “Quem manda é o governador Caiado, com minha gestão”, disse.
Em Roraima, o Detran é tocado desde abril deste ano por um servidor de carreira, Antônio Diego Parente Aragão, próximo do deputado estadual do União Brasil Jorge Everton.

**Operação Tank investiga propriedade de jatinhos que seriam de Rueda**
Como revelou a coluna, Antônio Rueda é investigado pela Polícia Federal por suspeita de ocultação de patrimônio. A PF apura a hipótese de que ele seria o verdadeiro dono de quatro jatinhos registrados em nome de terceiros.

O crescimento patrimonial de Rueda chama a atenção em Brasília. Nos últimos quatro anos, ele adquiriu uma McLaren zero, dois Porsches, duas Mercedes-Benz e uma Land Rover. Comprou também uma casa e dois terrenos no bairro mais nobre da cidade. Esses bens somam pelo menos R$ 23,5 milhões.

**Rueda diz que patrimônio veio da advocacia**
Rueda afirma que seu dinheiro vem do escritório de advocacia Rueda & Rueda, que não está entre os mais requisitados do país, segundo a imprensa especializada. Seus detratores o acusam de negociar o comando do partido nos estados e as vagas de candidatos em eleições municipais e nacionais, além de lotear cargos em postos estratégicos de prefeituras e governos. O Detran é um exemplo.

Em nota à coluna, disse que “seu escritório não tem ações, contratos ou vínculos, ativos ou passivos, com Detrans, nem sócios ou associados ligados a eles. Rueda também nunca participou de indicações em nenhuma esfera – federal, estadual ou municipal. Filiados do União Brasil têm autonomia para fazer suas próprias indicações nos estados, sem qualquer envolvimento da presidência nacional.”

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