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Tião Maia, O Aquiri
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O ex-vereador e comerciante em Jordão, Francisco Alves Guimarães, foi preso em flagrante nesta semana por porte ilegal de arma e comércio irregular de munições, em seu estabelecimento comercial. O que a Polícia Civil do Acre (PCAC) buscava de fato, em cumprimento de mandado de busca e apreensão no comércio, como parte da “Operação Patrão”, deflagrada nos municípios de Jordão e Tarauacá, no interior do Acre, eram cartões bancários em poder de comerciantes.
De acordo com denúncias, os comerciantes vendem produtos aos indígenas para pagar posteriormente, no chamado “fiado”, mas retém os cartões dos clientes e, ao final do mês, quando são pagos pelo governo os recursos de programa sociais, incluindo o “Bolsa Família”, eles sacam o dinheiro e se apropriam do rendimentos.
A PCAC apreendeu cerca de 200 cartões de indígenas no sdois municípios. Apreendeu também R$ 50 mil em espécie, além de dólares e euros. Durante o cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão, também foram encontrados 103 quilos de chumbo, 191 tubos de pólvora, 235 estojos de diversos calibres e espingardas.
Os materiais estavam em poder de comerciantes e de um ex-vereador de Jordão. O ex-vereador foi preso pela acuação deporte ilegal de arma e comércio irregular de munições, após a polícia localizar os produtos em seu estabelecimento.
Segundo o delegado José Ronério, responsável pela ação, os empresários retinham cartões bancários de indígenas para obrigá-los a comprar exclusivamente em seus comércios, além de controlar os pagamentos. “Foram cumpridos 23 mandados em Jordão e 5 em Tarauacá. Encontramos mais de 7 mil litros de combustível, valores em reais, euros e dólares, além dos cartões e procurações de indígenas”, afirmou.
Oito pessoas foram conduzidas às delegacias dos dois municípios para prestar esclarecimentos.
O nome da operação, “Patrão”, faz referência às práticas dos antigos seringais, quando trabalhadores eram mantidos em relações de dependência e exploração por parte dos empregadores.

