**Tião Maia, O Aquiri**
Entre os dias 14 e 18 de outubro, em Marechal Taumathurgo, município do interior do Acre localizado no Alo Juruá, na divisa do Brasil com o Peru, haverá feiras de bioeconomia e ações de sustentabilidade, além de uma festival indígena que contará com atividades esportivas com lutas de MMA, entre um campeão nacional e um lutador de tribo local, e uma copa de futebol envolvendo pelo menos 16 equipes de tribos da região. O campeonato de futebol foi batizado d “Copa das Arvores” e será reaizado, como o restante do festival, sob o signo da preservação da floresta. A promoção é do povo Kuntutanawa, cujo território fica localizado nas florestas de Marechal Ttaumahurgo,
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*As equipes começam a se preparar para o campeonato de futebol*
O campeonato de futebol também vai homenagear Damiao, uj morador da Vila Restauração, que sempre foi um aficionado pelo segmento esportivo e que, no entanto, ao perder uma das pernas, após um ataque e mordida de cobra, passou a utilizar uma prótese mas jamais abriu mão de sua paixão. Todos os seus 11 filhos forma batizados com os nomes de antigos ídolos do Flamengo, os quais, no entanto, além de não jogarem, não gostam de futebol. “O único que joga alguma coisa torce pelo Vasco da Gama. Daí a frustração do Damião”, revelou um amigo da família em Vila Restauração, localidade situada às margens do rio Tejo, onde só se chega através das vias fluvial ou aérea.
As atividades terão apoio das Secretarias dos Povos Indígenas e do Esporte do Governo do Acre, Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), prefeitura de Marechal Taumathurgo e empresários locais. A iniciativa deve custar pelo menos R$ 500 mil, avaliam os organizadores.
O festival e o torneio de futebol deem atrair à região, as quais assistirão uma luta demonstrativa entre Bibiano Fernandes, ex-lutador de MMA, e um atleta do povo yawanawá. Após a luta, vencido e vencedor darão uma lição de humildade: o plantio simbólico de sementes como uma mensagem à paz e ao futuro.
Haverá ainda apresentações de música e dança, exibições de arte indígena e debates.
“Embora a Copa das Árvores não tenha sido lançada oficialmente, as delegações já estão treinando em seus territórios e realizando amistosos com outras seleções como preparação”, conta Haru Kuntanawa, 43, idealizador do projeto.
Ansioso para ver em campo as delegações trajadas com os uniformes desenhados por ele, com grafismos tradicionais e cores vibrantes, o líder dos kuntanawa e embaixador da Sifbra (Seleção Indígena do Brasil e das Américas) afirma que o diferencial do campeonato está na ênfase ambiental. “Queremos usar esporte, cultura e arte para atrair a juventude indígena ao debate sobre o meio ambiente, que tanto nos afeta, promovendo conscientização ecológica sem abrir mão da diversão”,
Para participar do torneio, atletas firmam o compromisso de desenvolver ações sustentáveis em seus territórios, como plantio de árvores, criação de viveiros e incentivo à agricultura familiar e à agrofloresta. As feiras de bioeconomia realizadas em paralelo ao campeonato funcionarão como vitrine para pequenos empreendedores. “Nossos artesanatos, nossa medicina e os produtos da floresta estarão em evidência”, afirma Haru.”Vamos catalogar e expor tudo isso para ajudar os povos a gerar renda e conquistar mais qualidade de vida nas comunidades”, acrescentou.A mobilização nas redes sociais continua para arrecadar o restante necessário para a realização do campeonato no próximo ano e nas edições seguintes.
Com formato rotativo, a Copa das Árvores será organizada de maneira diferente a cada edição. Em alguns anos, como em 2026, seleções de diferentes territórios se reunirão para os jogos. Nos demais, o torneio ocorrerá dentro das aldeias, priorizando atividades de educação ambiental e produção de alimentos.
“Mais do que seleção de atletas, faremos uma seleção de guardiões da vida no planeta”, afirma Haru, que, aos 19, assumiu a liderança de seu povo. A partir da COP8, em 2006, ele passou a participar das Conferências das Partes e tornou-se representante global dos kuntanawa.
“Todos os jogadores sonham em crescer no esporte, não só pelo prazer de jogar, mas pela possibilidade de se profissionalizar cada vez mais e até ganhar com isso. A Copa será uma oportunidade para que eles conheçam um novo lugar e tenham contato com pessoas diferentes”, diz.
Shaneihu destaca que o futebol tem sido ferramenta de educação. “Ele está ajudando a manter nossa juventude longe das drogas e do álcool, que é algo muito mais acessível hoje para as comunidades indígenas. É importante mostrar que existem alternativas” acrescentou

