**Tião Maia, O Aquiri **
Um dos estados brasileiros que lideram o ranking nacional de crimes de feminicídios, o assassinato de mulheres por causa do gênero, com 81 casos consumados e 156 tentativas, no período de 2018 a 15 de junho de 2025, o Acre vai aderir a campanha nacional “Parem de nos matar – Ato Contra o Feminicídio”, com uma manifestação no próximo dia 25 de julho, sexta-feira. O ato consistirá numa concentração na frente do Palácio Rio Branco, no centro da Capital, a partir das 17 horas.
A manifestação faz parte da agenda do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Participarão mulheres ligadas a entidades da sociedade civil e familiares de vítimas de feminicídio. A mobilização, de caráter nacional, busca dar visibilidade à violência de gênero e cobrar ações concretas de prevenção, acolhimento e justiça.
A data do ato marca também o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, ampliando a denúncia sobre as desigualdades e a violência que incidem de forma mais dura sobre mulheres negras, pobres e periféricas. A programação contará com falas de lideranças feministas, representantes de movimentos sociais, ato ecumênico, performances culturais e um abraço coletivo em frente à sede do Executivo estadual.
De acordo com dados do Feminicidômetro do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), entre janeiro de 2018 e 15 de junho de 2025, o estado contabilizou os 81 casos de feminicídios consumados e 158 tentativas de feminicídio. O cenário acreano se agrava a cada dia.
Em 2024, em seis meses, foram registrados 12 feminicídios no Acre, a média de dois casos por mês. Em 2023, o ano foi fechado com 10 casos consumados e 17 tentativas, conforme boletins do MPAC. Em sua maioria, as vítimas é de mulheres jovens, negras e residentes de bairros periféricos da capital e do interior.
Os casos de violência também continuam em níveis alarmantes: o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023 mostra o Acre entre os estados com maior número proporcional de denúncias de violência contra a mulher por 100 mil habitantes. Em 2022, foram mais de 5 mil ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha apenas na capital, Rio Branco, segundo dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp/AC).
O ato “Parem de nos matar” pretende ser mais que um protesto: é um grito coletivo de dor e resistência. O movimento reúne organizações feministas, antirracistas, LGBTQIA+, além de representantes do poder público, artistas, familiares de vítimas e a sociedade civil, com o objetivo de denunciar, sensibilizar e exigir respostas concretas do Estado.
Sob lemas como “Nossas vidas importam”, “Nem uma a menos” e “Quem mata uma mulher mata a humanidade”, a manifestação busca fortalecer a rede de proteção, ampliar o debate sobre políticas públicas e reafirmar a urgência de um enfrentamento efetivo à cultura de violência de gênero.

