**Tião Maia, O Aquiri **
Moradores da invasão “Marielle Franco”, localizada nas proximidades do Bairro Defesa Civil, começaram a chegar à sede do Ministério Público do Acre (MPAC), na rua Ruy Barbosa, no centro de Rio Branco, na manhã desta sexta-feira (24/10), para uma série de denúncias contra dirigentes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Os moradores devem ser recebidos pelo promotor de Justiça Thalles Ferreira, titular da Promotoria Especializada de Direitos Humanos.
Na audiência, os moradores vão denunciar principalmente o ativista do MTST e dirigente regional do PSOl Jamyr Rosas, aliado do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Guilherme Boulos. De acordo com denúncias dos moradores, a invasão à terra pública
posteriormente batizada como “Ocupação Marielle Franco” nasceu de um movimento espontâneo de pessoas que não tinham onde morar, no início de abril de 2018, poucos dias depois do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, em 14 de março 2018.
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****Moradores começam chegar à sede do MPAC
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Quando os invasores se organizavam para resistir à expulsão, determinada pela Justiça – já que a área era pública e pertencente ao governo do Acre, que havia reivindicado a reintegração – apareceram no local os militantes políticos que se apresentaram também como líderes do MTST do Acre. À frente do grupo estava Jamyr Rosas, sempre muito falante e capaz de impressionar os invasores, em geral pessoas de baixa ou nenhuma renda e pouco conhecimento jurídico.
“Dai para a frente, ele passou a falar em nosso nome e, a princípio, a gente achou até bom porque ele se mostrava mais entendido das coisas que a maioria de nós”, disse uma das invasoras originais da área. “Depois, quando a gente foi ver, quando a terra já estava desembaraçada, soubemos que a terra nem pertenceria aos invasores e que havia sido repassada para uma associação do MTST, que tem endereço em São Paulo e que o senhor Jamyr Roas se comporta lá na invasão como se as terras ali pertencessem a ele”, disse a invasora, que não quer ser identificada.
Na audiência no MPAC, os invasores devem denunciar também que Jamyr Rosas organiza a lista de quem deve ser beneficiado com casas e apartamentos construídos no local pelo programa do governo federal “Minha Casa Minha Vida”. “O que a gente sabe é que, enquanto ele ameaça que pessoas que não comparecem às assembleias que ele convoca lá na invasão e que não assinam lista de presença, são ameaçadas de não ganharem casas ou apartamentos, amigos dele e seus paretes, que não moram na invasão e que nunca puseram os pés lá, estão na lista de moradores a serem beneficiados. É isso que a gente quer denunciar”, disse outra moradora.
No encontro com o promotor Thales Ferreira, os moradores vão pedir uma ação judicial que afaste Jamyr Rosas e outros militantes do PSOL e do MTST de dentro do movimento e que eles deixem os invasores agirem sem a tutela de ninguém, Os moradores ficaram ainda mais preocupados com a atuação de Jamyr Rosas no movimento quando tiveram acesso a vídeos em que Guilherme Boulos, que passou a ser um dos homens mais fortes da República, lança-o como candidato a governador do Acre, já nas próximas eleições. “Se ele já tinha poder para manipular as coisas lá na ocupação, imagine agora”, queixou-se um morador da invasão.

