**Da Redação
**A Associação Moriá, alvo de operação da Polícia Federal por suposto desvio de emendas parlamentares, tem ligações suspeitas com a Millennium Eventos, do empresário Alejandro Ruben Parrilla, uma das subcontratadas pela ONG com recursos públicos. A Millennium recebeu R$ 1 milhão da ONG para aluguel de equipamentos, ambulância, fornecimento de água mineral e kit alimentação para participantes de um projeto gamer, na edição do Rio de Janeiro.
O endereço da Associação Moriá no Setor de Rádio e TV Norte, informado nos documentos oficiais, pertence a um familiar de Alejandro Parrilla. A informação consta na matrícula do imóvel.
A Associação Moriá funcionava, na verdade, em um outro local também ligado a Alejandro Parrilla.
As atividades da ONG eram desenvolvidas no Centro de Eventos Millennium Convention Center, que fica na Associação dos Servidores da Câmara dos Deputados (Ascade) e tem o empresário como um dos sócios.
Alejandro Parrilla também era visto com frequência nos eventos realizados pela entidade.
Associação Moriá disse que Secretaria de Educação iria ceder todos os espaços físicos necessários para projeto gamer, que custará R$ 37,9 milhões. Pasta negou qualquer parceria
Entre 2023 e 2024, a ONG foi a destinatária de R$ 53 milhões em emendas de parlamentares do Distrito Federal. No total, R$ 46 milhões tinham como destino o custeio de um projeto que ensina crianças a jogar games, como LoL e Free Fire. Até o momento, R$ 8 milhões foram pagos à entidade.
A Millennium foi um dos alvos da Operação Korban, deflagrada nesta terça-feira (29/7) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A partir de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a dirigentes da Associação Moriá, seis empresas subcontratadas pela entidade e os respectivos sócios.
Outra empresa que entrou na mira da PF e da CGU foi a LG Promoções e Eventos, que também é ligada ao empresário da Millennium. A LG assinou contrato com a Moriá no valor de R$ 3,2 milhões para a locação de mesas, computadores, joysticks gamers, cadeiras giratórias, TVs, caixas de som e outros itens para o projeto gamer no DF. A mesma empresa foi contratada para o evento no Rio de Janeiro, por R$ 990 mil.
A associação é chefiada por um ex-cabo do Exército, um motorista e uma esteticista – todos considerados “laranjas” – e não funciona no endereço registrado em documentos oficiais. Com base na reportagem, o ministro do STF Flávio Dino cobrou esclarecimentos da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Congresso Nacional.
A Associação Moriá tem como diretor administrativo e financeiro José Vitor da Fonseca de Deus, um motorista que reside no Cruzeiro Velho (DF). A diretora operacional é Thais Pinheiro Freitas, uma esteticista que mora em Posse (GO). O atual presidente da entidade é Gustavo Henrique Fonseca de Deus, irmão do diretor financeiro, José Vitor. Gustavo foi cabo do Exército por oito anos, até 2019.
Para contar com a emenda da bancada do Distrito Federal no valor de R$ 37,9 milhões para custeio do projeto gamer, a entidade apresentou ao Ministério do Esporte um projeto técnico pedagógico que propunha a criação de 29 salas gamers em espaços cedidos pela Secretaria de Educação (SEEDF), mas a pasta nega ter aprovado qualquer proposta da ONG.
A apuração começou com uma auditoria da CGU em convênios celebrados pela Associação Moriá e o Ministério do Esporte entre 2023 e 2024. A CGU indicou potenciais irregularidades na execução dos convênios para realização de edições dos Jogos Estudantis Digitais (Jedis) no Distrito Federal e no Espírito Santo, o que pode ter causado prejuízo de R$ 13,2 milhões aos cofres públicos.
Os auditores apontaram possível direcionamento indevido de subcontratações, conluio entre empresas envolvidas nas terceirizações do projeto gamers e contratação de firmas de fachada.

