Filho de Flaviano diz que está pronto para ser candidato a governador em 2026

**Tião Maia, O Aquiri **

Filho mais velho do primeiro casamento de seu pai Flaviano Flávio Batista de Melo (com a socióloga Antônia Melo, também já falecida), que foi, entre outros cargos eletivos, governador do Acre no período de 1987 a 1990 e um dos políticos mais longevos do Acre, falecido em 17 de novembro de 2024 depois de vários dias internado e lutando pela vida, Leonardo Melo, um engenheiro de 47 anos, pretende seguir os passos e o legado de seu pai na política, inclusive sendo candidato a governador do Estado pelo MDB, partido a qual é ligado desde a infância. Aliás, para ele o legado não é só de seu pai. Vem de berço, do bisavô (Flaviano Flávio batista) e do avô, Raimundo Melo, que morreu como deputado estadual por mais de 20 anos. Atualmente morando em Toronto, no Canadá, onde atua como engenheiro civil e empresário, é figura presente no Acre, já que, além de familiares e amigos, a noiva, uma professora de Sena Madureira, cuja família mora no município. Mas desta vez, ainda nesta semana, ele não retorna ao Acre por causa dos familiares, amigos e da mulher amada. Vem também para namorar seu Partido, que vai eleger, na sexta-feira (18/7), sua nova executiva estadual. Leonardo Melo não só participará da eleição como dirá aos chamados “Cabeças Brancas”, como são conhecidos os dirigentes da sigla, que está à disposição para ser candidato já em 2026, inclusive a governador.

Ele diz que, se vivo estivesse, seu pai estaria defendendo candidatura própria do MDB ao Governo e que, se os dirigentes da sigla quiserem, ele está pronto.

Veja a seguir, os principais trechos de uma entrevista feita via aplicativo de WtasApp, numa ligação de Toronto para Rio Branco:

**Você, como filho do ex-governador e dirigente do MDB Flaviano Melo acha que, se vivo ele estivesse, estaria lutando para que o partido tivesse candidato próprio nas eleições de 26 para o Governo do Estado?**

**Leonardo Melo **
– Meu Pai sempre acreditou nas pessoas e sempre lutou para que o MDB tivesse lado definido. Foi assim que o MDB se manteve como único partido de oposição quando a Frente Popular estava no poder no Acre – todos os outros partidos que agora se dizem contrários aos que estão atualmente no poder, em algum momento os apoiaram. Papai era oposição ao governo do Estado, e o MDB se consagrou em 2024 como o maior partido de oposição no Estado. Atualmente, só existem candidatos de partidos da base do governo. Então, com toda a certeza, o Papai lutaria por uma candidatura própria. Para, principalmente, dar a liberdade de escolha as pessoas.

**Você seria o candidato? Você aceitaria ser candidato ao Governo do Estado? **

**Leonardo Melo** – O MDB tem nomes maravilhosos – tanto que, mesmo sem anunciar a intenção (de ser candidato ao Governo), Marcus Alexandre apareceu em segundo lugar nas pesquisas. Acredito que a oposição tem um lugar estabelecido e que é necessário instigar o debate dos projetos que estarão em discussão em 2026. Ainda não vi, por exemplo, um pré-candidato abordar qual plano para diminuir o rombo na previdência estadual – em 2023 o Estado cobriu mais de R$ 750 milhões neste déficit, e segundo a LRF (Lei de
Responsabilidade Fiscal) de 2023 se gastou muito menos com infraestrutura – qual candidato começou a abordar questões sérias? O que fazer para repor a perda de R$ 50 milhões de arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) com a saída da usina de energia elétrica do nosso Estado? Esse dinheiro daria pra colocar internet nas mais de 1200 escolas rurais que não têm acesso à internet de todo nosso Estado.

**Mas vou insistir na pergunta: o senhor aceitaria – ou toparia – ser candidato a governador pelo MDB já em 2026?**

**Leonardo Melo -** O MDB tem muitos nomes que podem desempenhar um papel importante para o desenvolvimento do Acre. E os MDBistas trabalham em grupo, qualquer candidato a cargo majoritário, no MDB do Flaviano, é candidato de um projeto, das pessoas e não candidato por si só. E nenhum MDBista foge à luta, de porteiro do MDB a candidato a presidente da República. Para o que o MDB precisar, estou dentro. Como você acha que dobraria os chamados “Cabeças Brancas” do partido nesta empreitada?

**Leonardo Melo**
– Os “Cabeças Brancas” são a mente brilhante do MDB. Pensam no partido a médio e longo prazo, Nininguém dobra os “Cabeças Brancas” graças à Deus! Todos nós, cabeças brancas, pretas, ruivas, mistas e azul enxergamos o que pode trazer mais benefício ao Acre. Os “Cabeças Brancas” estão lá, unidos, em prol do nosso partido. Claro que não é nada fácil para ninguém… existem muitos interesses pessoais e muitos coletivos! O que devemos fazer, agora, é lutar com projetos e interesses coletivos, união da nossa casa e, a partir deste momento, todos nós nos unirmos.

[IMAGEM:https://pqbzoghteupmaeofvgvg.supabase.co/storage/v1/object/public/images/article-content-1752584314922-article-content-1752582309183-Flaviano%20e%20Leonardo%203.jpeg]

**Mesmo morando fora do Brasil, você pensa em dar continuidade à carreira política de seu pai e dos seus avós?**

**Leonardo Melo**
– Eu sempre estive presente de alguma forma, no Acre, mesmo morando no Canadá. Minha noiva é de Sena Madureira, Matia Cristina, uma professora do município, filha do seu Zacarias e da dona Maria Amélia, dois acreanos queridos por sua gente. Meus familiares e meus amigos estão aqui. Assim como os pais da minha noiva e ela própria, eles têm bagagem, assim como eu, para falar de amor pelo Acre. Meu amor pelo Estado do Acre e seu povo é muito forte, aprendi desde criança. Nossa família toda não consegue estar fora da política nem do Acre porque isso faz parte da nossa casa há gerações. Somos eternos brigões pela liberdade de escolha das pessoas. Meu coração, sem a menor dúvida, está me puxando assustadoramente para vir pra cá.

“Vi a política de resistência às ditaduras acontecerem dentro da minha casa, quando criança. Soube que meu avô Raimundo Melo era a única pessoa que deixava o general Oscar Passos e sua esposa, dona Yolanda, dormir em sua casa porque, aqui em Rio Branco, a ditadura não deixava o casal se hospedar no Hoel, Chuí, o único que havia aqui”.Imagem do artigo

[IMAGEM:https://pqbzoghteupmaeofvgvg.supabase.co/storage/v1/object/public/images/article-content-1752587338032-article-content-1752582383282-Flaviano%20e%20Leonardo%202.jpeg]

**Seu avô, marido de sua avó, dona Laudi, o falecido deputado estadual Raimundo Melo, e o bisavô Flaviano Flavio foram políticos, não é isso? O senhor pretende dar seguimento a isso?**

**Leonardo Melo**
– Meu bisavô, Flaviano Flávio, foi fundador da OAB do Acre, mas não era político diretamente, mas sempre envolvido, como todos de casa. Muitos sabem que ele, há mais de cinquenta anos, ajudou a oposição a fundar o PTB e orientou minha vó e o vovô Raimundo Melo a promover hospedagem do Oscar Passos (general que governou o território do Acre e foi presidente nacional do PTB, que fazia oposição ao governo desde os tempos de Getúlio Vargas) e à dona Yolanda, em sua casa. O governo, na época, o impediu de ficar no antigo Hotel Chui. Olha aí como meu Pai e Tios foram criados e que passaram para os filhos, a liberdade de escolha precisa existir. Meu avô, Raimundo Melo, era uma pessoa muito boa e conhecida por seu coração enorme, era o deputado estadual mais votado sempre. Meu Tio José Melo foi deputado federal eleito com 23 anos e em 1986 um dos mais votados da história, proporcionalmente, até hoje. Minha Tia Othília é procuradora aposentada da União, e hoje faz a união entre muitos artesãos. Te recomendo ir na loja dela que vende esse artesanato no novo mercado velho, em frente do Correio ao lado do Bazar Chefe. Minha Avó, Laudi, foi a sua época uma mulher com um pensamento além do tempo. Vi outro dia uma entrevista da Iolanda Fleming (primeira governadora do Brasil) em que ela falava, que foi indicada para vice-governadora na chapa do Nabor Junior por causa da minha avó. E o Papai, você conheceu, que saudade. Obrigado Meu Deus, por ter tido a oportunidade de ter convivido e ser filho dele. Tudo que meu Coração deseja é que todo esse esforço em prol das pessoas continue. E se tiver que ser eu, que seja.

**O que o senhor faz no Canadá? Vive do que?**

**Leonardo Melo**
-Como é engraçado nosso destino! Hoje, estou trabalhando, morando e crescendo na minha área, engenharia. Acabei de fazer mais um curso de engenharia no Canadá. Mais um ciclo positivo na minha vida.

**Pensa em se transferir de vez para o Acre?**

**Leonardo Melo**
-Não existe um só dia, que não pense e planeje vir pro Acre. Essa é a verdade.

**Seu pai era muito respeitado pela executiva do MDB Nacional? O senhor pretende utilizar isso para se tornar também, no Acre, apesar da idade, um dirigente do MDB em meio aos cabeças brancas?**

**Leonardo Melo**
“Meu pai era respeitado em todas as esferas. Era muito querido pela executiva nacional do MDB, mas passou 30 anos sendo acusado pela Flávio Nogueira e foi inocentado pelo STF. O decano ministro Celso de Mello disse que ele nunca teve a ver com aquilo”. – Papai era respeitado em todas as esferas! Um lutador. O MDB é um partido democrático! Foi criado há muitos anos o grupo denominado de “Cabeças Brancas” para que dessem continuidade, sem interesses pessoais, ao MDB, no Acre. Eu creio nisso.

**O MDB vai às eleições internas nos próximos dias. O senhor não pretende disputar cargos na executiva?**

**Leonardo Melo** –
Meu perfil é ser uma voz no partido, lutando internamente pelo os ideais partidários e uma excelente harmonia na casa.

**Seu pai, quando vivo, sofreu uma campanha de dimação, principalmente por parte do PT e da esquerda, que o acusava pela conta Flavio Nogueira. Como o senhor ver essa recente aproximação do MDB com o PT de Jorge Viana?**

**Leonardo Melo**
– Obrigado pela pergunta, Papai foi massacrado por causa da conta Flavio Nogueira por 30 anos, por todos os adversários. A decisão do então decano do STF – ministro mais antigo da corte – Celso de Mello foi taxativa, Papai nunca teve nada a ver com aquilo. E puxou a orelha de todos os juízes e promotores por terem levado isso adiante, apenas para a difamação e ganhos políticos. O que precisa acabar é essa política de ódio, em que as famílias brigam nos grupos de zap. Direita, Esquerda, Cozido, Frito, temos de ser mais o Acre. Precisamos acabar com a política de medo, na qual se faz chantagem com o trabalho das pessoas, que se cria um inimigo comum, se usufruí do medo das pessoas para se ganhar uma eleição. Eu não vi, recentemente, nenhuma aproximação do MDB com a esquerda, de quem sempre fomos adversários, os únicos que realmente nunca estiveram juntos. Aliás, outro dia ouvi uma entrevista do Narciso Mendes falando: dos atuais políticos com mandato, todos em algum momento ja estiveram com o PT. Aprendi com o Papai, que mágoa não se guarda no coração. E que em política não se tem inimigos, e sim, adversários. Afinal, ninguém está tão certo que não tenha nada errado, e ninguém está tão errado que não tenha nada certo. Então, Jorge Viana, Marcio Bittar, e qualquer um que pense em prol do Acre, tem as portas abertas para o diálogo conosco.

**Seu pai fez um governo que, no seu tempo, buscou realizar obras estruturantes, Você enxerga alguma obra estrutural necessária ao Estado nos dias atuais?**

**Leonardo Melo**
-Muitas, mas muitas mesmo. Deixa eu te dar um exemplo de projeto: nós temos a Funtac (Fundação de Tecnologia do Estado do Acre), que proporcionou na época a tecnologia das casas de madeira com o banheiro de alvenaria que pai construiu. Isso barateou o projeto e proporcionou a menor prestação da casa própria do Brasil. Hoje, é difícil achar uma casa original, sabe por quê? Pois aquelas casas (e tantas outras: Manoel Julião, Universitário, etc) foram de inclusão, não eram apenas casas. Eram lares dados às pessoas que as incluíam na sociedade. A casa tinha valor, os filhos tinham escola perto, davam dignidade às pessoas.

[IMAGEM:https://pqbzoghteupmaeofvgvg.supabase.co/storage/v1/object/public/images/article-content-1752592549346-WhatsApp%20Image%202025-07-15%20at%2010.04.54.jpeg]

“Quando venho de Toronto via Peru, até Puerto Maldonado, vejo que o avião vem lotado com mais de 80% de europeus em busca do turismo na Amazônia peruana, às margens do rio Madre de Dios, que é o mesmo rio Madeira que passa aqui em Rondônia. Por que não pensarmos em projetos semelhantes para a Serra do Moa, no Acre?”
Existem muitas formas de se estruturar, sem grandes investimentos, por exemplo: uma parceria com uma máquina de cartão de crédito, que estabeleça um percentual definido mais vantajoso de recebimento para o comerciante, isenção de taxas de aluguel, etc.. Por que não pensar grande? Quando venho de Toronto, venho por Puerto Maldonado (você acredita que é mais barato Toronto – Puerto, que leva umas 9 horas de vôo, que de Brasília – Rio Branco?), impressionante 80% do avião vem lotado de turista europeu, principalmente alemães, a grande maioria com destino a Amazônia peruana, ali às margens do rio Madre de Dios, que nada mais é do que o nosso rio Madeira, que passa aqui ao lado, em Rondônia. O que falta para se estruturar um polo turístico na Serra do Divisor com as mesmas características capazes de atrair o turismo internacional? Precisamos, com bons projetos, demostrar que é possível, convencer que é o caminho mais lógico para a preservação do meio ambiente seria um polo turístico no Vale do Juruá. Temos hoje a Funtac e a Agência de Negócios do Acre (Anac), com gente qualificadíssima, com os meios necessários para desenvolverem um bom trabalho os frutos virão, para todos. Essa e a diferença de uma política de construção, pra uma política do poder pelo poder.

**Como você vê essa sinergia entre o Brasil e a China, para a construção de uma ferrovia que pode passar por dentro do Acre?**

**Leonardo Melo**
-Vejo uma oportunidade de ouro, Brasil e China em prol de uma saída para a produção brasileira pelo Pacífico, um sonho do Papai há muitos anos atras. Tão forte isso que, no Governo Flaviano Melo, ele trouxe ao Acre, o Sarney (Presidente do Brasil na época), o Alan Garcia (Presidente do Peru) e uma comitiva do Congresso americano que o Al Gore (que era deputado e depois se tornou Vice-presidente dos Estados Unidos), e o Presidente do BID (Banco Mundial) estavam presentes. Infelizmente, na época não conseguiu os investimentos necessários para essa construção. Agora, vamos encaixar nosso Acre neste contexto: Ferrovia Transcontinental tem custo estimado em US$ 10 bi de dólares, e é um preço muito baixo para um mercado como o chinês, hoje, estimando o envio de contêiner Brasil-China leva de 30 a 40 dias e custa em média 6 mil dólares. Com a ferrovia, sairia aproximadamente 3 mil dólares e teria a redução em 12 a 15 dias no transporte. Falo isso pra explicar que essa vantagem financeira faz com que possamos colocar o Acre nesta onda e conseguir emplacar obras estruturantes. Precisa ser estudado (por qualquer um que esteja eleito em 2026) a possibilidade da implantação de termoelétrica a gás em Brasiléia, usufruindo os benefícios da Zona Franca de Manaus (ZFM), de Confins e etc). Temos de pensar em projetos, e estudar as melhores formas de isso chegar ao nosso Estado. Imagina se ter gás encanado ou carro a gás a médio prazo. Para se ter ideia como se, todos trabalhassem coletivamente, poderíamos alcançar grandes marcos. Em 2024, o Acre recebeu de emendas parlamentares de bancada mais de R$ 500 milhões, com isso seria possível fazer um gasoduto de Assis Brasil até Brasileia, se levarmos em conta o custo do Gasene que seria de semelhante metodologia.

**Você seria contra ou a favor a ferrovia passando pela Serra do Divisor no Vale do Juruá?**

**Leonardo Melo**
-Totalmente a favor, integrar é tudo, e com certeza vários tipos de negócios surgirão. Agora, ninguém inventa a pólvora ou tem fórmula mágica. Tudo precisa ser pensado e enxergar as possibilidades. Entendo que com a ferrovia transcontinental muitas oportunidades podem surgir, nós, da sociedade, temos de pressionar para que o melhor disso seja repassado à população.

**Você gostaria de acrescentar algo na nossa entrevista?**

**Leonardo Melo**
-Simmm, Muito obrigado ao O Aquiri e a você, Tião Maia, pela oportunidade de poder falar para as pessoas àquilo que transborda no meu coração. Certo ou Errado. E como penso e ajo. Temos de fazer as coisas com amor, seja o que for que você faça. Muito Obrigado aos leitores e a sua equipe. Beijo no Coração de Todos.

Notícias relacionadas :

ÚLTIMAS NOTÍCIAS